RELATO DE EXPERIÊNCIA: AEE NA EDUCAÇÃO INFANTIL PARA ESTUDANTE COM TRANSTORNO DO DESENVOLVIMENTO INTELECTUAL

  • Autor
  • Ana Maria Braga Rocha
  • Co-autores
  • Celiane do Lago Novaes Cortes
  • Resumo
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    RELATO DE EXPERIÊNCIA: AEE NA EDUCAÇÃO INFANTIL PARA ESTUDANTE COM TRANSTORNO DO DESENVOLVIMENTO INTELECTUAL

     

    Ana Maria Braga Rocha

    Mestranda em Ensino pelo PPGEn /UESB

    anamariaanabraga@gmail.com.br

    Celiane do Lago Novaes Cortes

    Mestranda em Ensino pelo PPGEn /UESB

    celinhalago@hotmail.com

     

    Eixo I

    Palavras-chave: (Educação Inclusiva, Atendimento Educacional Especializado, Deficiência Intelectual)

     

    Introdução

    A educação inclusiva, enquanto prática comprometida com a equidade e a valorização da diversidade humana, enfrenta desafios cotidianos no contexto escolar. No espaço da sala de recursos, esses desafios se tornam ainda mais evidentes, exigindo do docente não apenas conhecimento técnico, mas também sensibilidade, escuta ativa e disposição para reconstruir caminhos para atender as necessidades dos educandos.

    Diante das vivencias que nos atravessam no fazer docente, este trabalho apresenta um relato de experiência sobre o Atendimento Educacional Especializado (AEE) de um aluno da Educação Infantil, que usaremos o nome fictício de Bento, diagnosticado com Transtorno do Desenvolvimento Intelectual (TDI).

    A experiência foi realizada no ano letivo de 2024, em uma Escola Municipal de Tempo Integral, na rede pública municipal de Jequié – BA, com planejamento e execução de um Plano de Atendimento Educacional Especializado (PAEE) voltado para o desenvolvimento das habilidades comunicativas, cognitivas, sociais e motoras do aluno. Os resultados apontam avanços significativos nas dimensões avaliadas, reforçando a importância da articulação entre sala comum, AEE e família no processo de escolarização de estudantes público-alvo da Educação Especial.

    Fundamentos Teóricos

    A Educação Inclusiva busca assegurar o direito de todos à aprendizagem, valorizando a diversidade e reconhecendo as necessidades específicas dos estudantes. O Atendimento Educacional Especializado (AEE) surge como uma estratégia essencial para garantir o acesso, a permanência, a participação e a aprendizagem de alunos público-alvo da Educação Especial, conforme preconiza a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (Brasil, 2008).

    No AEE, é indispensável que além dos conhecimentos referentes as características próprias da deficiência, o professor do atendimento faça investigação para conhecer o aluno, suas dificuldades, aptidões, habilidades e potencialidades. Desta forma o mais apropriado é fazer um estudo de caso coletando dados com a família e professor da classe comum. (Gomes, Figueredo, Poulin, 2010)

    A deficiência intelectual caracteriza-se por déficits cognitivos que comprometem o desenvolvimento escolar, social e comportamental. Dessa forma, o processo de inclusão escolar precisa levar em consideração a neuroplasticidade, ou seja, a capacidade do cérebro de se reorganizar frente a estímulos, como recurso fundamental para a aprendizagem de crianças com deficiência intelectual. Por isso, as intervenções psicoeducacionais devem ser planejadas de forma individualizada, levando em conta as potencialidades e necessidades de cada aluno (Ribeiro; Freitas, 2019).

    A inclusão de estudantes com transtorno do desenvolvimento intelectual (TDI) no ensino comum garante oportunidades de acesso ao conhecimento, mas, na prática escolar o processo de ensino e aprendizagem dessas crianças tornam-se por vezes desafiadores, seja pelas lacunas na formação dos professores ou uso limitado de estratégias pedagógicas adaptadas que possibilite ir além da socialização e do direito de estar na escola, garantindo aprendizagem.  (Ribeiro; Freitas, 2019).

    Manzoli, Batista e Santos (2020) ressaltam que, no âmbito do Atendimento Educacional Especializado (AEE), as práticas pedagógicas voltadas aos estudantes com deficiência intelectual devem priorizar estratégias que favoreçam o desenvolvimento e a superação de suas limitações. Para esses alunos, a acessibilidade não se limita a recursos externos, mas implica a construção de condições para que possam abandonar uma postura passiva diante da aprendizagem e assumir uma apropriação ativa do próprio saber, garantindo assim maior autonomia no processo educativo.

    Apresentação da experiência

    Este trabalho trata-se de um relato de experiência de natureza qualitativa, descritiva e aplicada, com base nas observações e registros pedagógicos, avaliação sistemática do aluno no início e no final do ano letivo, realizados entre março e dezembro de 2024, durante o atendimento individualizado do aluno no AEE.

    Foi realizada uma avaliação diagnostica onde foi registrado as habilidades, dificuldades e atrasos que precisavam ser trabalhados no percurso de atendimento do AEE. Essa avaliação auxiliou a elaboração do plano de Atendimento Educacional Especializado- PAEE e ao final do ano letivo foi feito uma reavaliação para observar os avanços e as dificuldades para serem trabalhadas no próximo ano letivo. As intervenções ocorreram duas vezes por semana, com duração de 1h30 cada, em ambiente estruturado com quatro áreas de aprendizagem, com rotinas bem definidas:

    1.               Área individual: atividades estruturadas conforme o nível de habilidade;

    2.               Área coletiva: uso de jogos, caderno interativo, atividades de grupo;

    3.               Área do tapete: psicomotricidade, imaginação, música e movimento;

    4.               Área da informática: uso de tecnologias assistivas, jogos digitais e softwares educacionais.

    Em ação colaborativo com a professora da classe de referência do estudante, a professora do AEE auxiliou no planejamento, sugestão de atividades e feedback do desenvolvimento individual e nos espaços coletivos. Os encontros aconteciam no horário de planejamento uma vez por semana.

    Todas as atividades foram adaptadas conforme o ritmo do aluno, com repetição, apoio visual, recursos concretos e previsão de rotina. O planejamento foi continuamente revisado com base no progresso observado, garantindo a intencionalidade pedagógica e o respeito às necessidades e potencialidades de Bento.

    Análise parcial dos resultados

    Durante o processo de atendimento, foi possível observar avanços significativos no desenvolvimento global do aluno. No que se refere à linguagem, houve um notável aumento do vocabulário funcional, bem como uma maior capacidade de expressar desejos, opiniões e relatar experiências do cotidiano.

    Além disso, verificou-se uma evolução na compreensão de histórias, evidenciando progresso na linguagem oral e na escuta ativa. A cada acerto e a cada elogio, à medida que Bento percebia que estava aprendendo, demonstrava mais confiança e disposição para continuar aprendendo, tornando-se protagonista de sua própria aprendizagem.

    No campo da leitura e escrita, o aluno passou a identificar todas as letras do alfabeto, apresentar consciência fonológica e construir palavras por meio da escrita silábica com valor sonoro, indicando um avanço no processo de alfabetização. Em relação ao raciocínio lógico, ampliou sua contagem oral, passou a compreender noções de dezenas e unidades, além de resolver situações-problema com o uso de material concreto.

    Quanto à coordenação motora, percebeu-se um domínio progressivo no uso de lápis e tesoura, demonstrando maior precisão e força adequada na realização das atividades que exigem coordenação motora fina. No aspecto social, observou-se uma ampliação do contato visual, maior tolerância ao tempo de espera e envolvimento nas atividades coletivas, o que revela avanços significativos na socialização, na afetividade e na interação com os colegas.

    Apesar dos avanços alcançados, ainda se verificam algumas dificuldades, especialmente no que diz respeito à manutenção do foco por tempo prolongado, à execução de tarefas sem apoio constante e à interpretação de normas sociais mais complexas.

    Conclusões

    A experiência com Bento demonstra que o AEE, quando planejado e executado com intencionalidade pedagógica e foco nas potencialidades do aluno, é capaz de promover avanços significativos no processo de escolarização e desenvolvimento integral.

    A parceria entre AEE, sala comum, família e equipe gestora é essencial para garantir o direito à aprendizagem com equidade. A continuidade do acompanhamento e o uso de estratégias adaptadas serão fundamentais para que o aluno avance nas suas conquistas pessoais, sociais e acadêmicas.

    Conclui-se que a educação tem o poder de ressignificar diagnósticos relacionados à deficiência intelectual. Fierro (2004) explica que, mediante práticas pedagógicas adequadas, um diagnóstico inicialmente classificado como grave pode se revelar menos severo no percurso escolar, assumindo características de moderado; o moderado pode ser percebido como leve; e o leve pode manifestar-se apenas como uma dificuldade de aprendizagem. Essa visão reforça a importância da ação docente em promover processos inclusivos que não apenas reconhecem as limitações, mas possibilitam avanços concretos no desenvolvimento e na autonomia dos estudantes.

     

  • Palavras-chave
  • Educação Inclusiva, Atendimento Educacional Especializado, Deficiência Intelectual
  • Área Temática
  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
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  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
  • Eixo 2 – Educação e Justiça Social: Identidades, Gênero e Relações Étnico-Raciais
  • Eixo 3 – Políticas Públicas e Gestão Educacional na Perspectiva Inclusiva
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
  • Eixo 5 – Educação do Campo, Indígena e Quilombola: saberes, territórios e direitos

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