UMA CONVERSA SOBRE ORIGENS NEGRAS QUE FAZEM PARTE DA HISTÓRIA NO FESTIVAL LITERÁRIO INTERNACIONAL (FLIPARACATU)

  • Autor
  • Roseli Cristina Oliveira Alves
  • Co-autores
  • Valdirene Rodrigues de Oliveira
  • Resumo
  • Introdução

    O presente relato busca apresentar a experiência de participar do evento Fliparacatu, ocorrido na cidade do noroeste mineiro entre os dias 27 e 30 de agosto de 2025. Com o tema “Literatura encruzilhada e a desumanização”, a organização proporcionou a experiência de partilhar da fala de diferentes autores, artistas, músicos e estudiosos culturais acerca de temas que dialogam sobre a consciência racial, sua herança negra e o consciente apagamento na história da cidade histórica.  O projeto teve como nomes homenageados os escritores Ana Maria Gonçalves - autora de Um defeito de cor e Valter Hugo Mãe, que escreveu Educação da tristeza.

     

    Fundamentos Teóricos

    O festival mencionado vai ao encontro de valores apreciados na Constituição Federal de 88 no artigo 206, no qual destaca a importância da liberdade de aprender, do pluralismo de ideias e concepções pedagógicas e da igualdade de condições para que o aluno possa acessar e permanecer na escola. É sabido que o acesso à manifestações culturais de forma ampla, inclusiva e gratuita é importante componente para o desenvolvimento do aprendizado, a construção de repertório intelectual e consequentemente o acesso a melhores oportunidades de ensino, estudo e futuramente possibilidade de melhor colocação profissional. Os valores mencionados também estão de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, presentes na Lei Federal n. 8.069 que defende à cultura como um dos direitos principais a serem garantidos.

    A discussão sobre a história étnico-racial também é de suma importância para o desenvolvimento de uma sociedade inclusiva e plural, como bem apresentado no livro de autoras como Ana Maria Gonçalves em Um defeito de cor ou por Geni Guimarães em A cor da ternura.

     

    Apresentação da experiência

    No dia 27 ocorreu a abertura oficial do festival com a apresentação do tema, a fala do prefeito de Paracatu e dos organizadores, responsáveis pela curadoria da feira. Em seguida, houve duas mesas redondas com convidados.  A primeira foi composta por Alexandre de Oliveira Gama, Kassius Kennedy, Murilo Caldas, Daniela Prado e Adriles Ulhoa Filho. Já na segunda participaram Afonso Borges, Bianca Santana, Jeferson Tenório, Sérgio Abranches e Leo Cunha.

    Um dos destaques da noite foi o fato da historicidade de Paracatu ser constantemente relacionada à cultura europeia quando é possível perceber fortes elementos da cultura de países africanos e a presença dos indígenas no que compõe a identidade cultural do município. Houve também o questionamento pela opção de se escolher determinada narrativa em detrimento de outra e inclusive desconhecer elementos que contribuem com as vivências negras.

    Em momento importante do evento foi possível ouvir a homenageada Ana Maria Gonçalves, primeira mulher negra a integrar a Academia Brasileira de Letras. A escritora relatou sobre sua vivência como publicitária e o que a motivou a mudar seus caminhos e seguir em direção à escrita e a literatura, paixão que relatou ter desde a infância, além do fascínio por histórias complexas, sombrias. Sua obra mais famosa já chegou a ser inspiração para enredo de escola de samba.

    No mesmo debate falou também Marcelino Freire, que declamou algumas poesias, contou sobre a referência a sua avó, importante figura de sua meninice, que não era letrada e se recusava a se alfabetizar. Freire também comentou sobre o poder que a leitura lhe proporcionou e como o fez encontrar um lugar de utilidade em sua comunidade.

    A conversa teve como mediadora a jornalista Bianca Santana, autodenominada como “preguntadeira”, que entrevistou os convidados.

    O evento também teve a participação da cantora e escritora Fernanda Takai e de seu marido, o músico paracatuense John Ulhoa. Fernanda falou sobre o período em que foi colunista do Jornal Estado de Minas, suas canções em parceria com o marido, seu tempo na banda Pato Fu e sobre os livros destinados ao público infantil que já escreveu. A participação contou ainda com o repertório musical dos artistas.

    Já no dia 29 de agosto também teve música, dessa vez destinada ao público infantil com os músicos Tino Freitas e Cláudio Fraga e a origem do livro O tubarão martelo. O evento que seguiu até o final de semana também contou com a presença dos jornalistas Miriam Leitão e Eugênio Bucci.

     

    Conclusões

    A discussão provocada pelo evento despertou a curiosidade dos presentes no que diz respeito a verdadeira memória da cidade histórica, sua relação com a negritude e sua presença na cultura. O porquê de seu apagamento histórico é significativo e revela a importância cultural e social de dar espaço para novas narrativas, para uma maior pesquisa de referências e para dar voz a esses autores que contribuem ricamente ao debate e outros mais que virão.

    O fato de isso ocorrer de forma gratuita e irrestrita aos moradores e visitantes, dando visibilidade para a leitura e conhecimento de mundo é uma iniciativa interessante no que diz respeito a construir uma comunidade informada e atuante em sua realidade. Contribui também para despertar o espírito criativo em novos leitores e possivelmente escritores.

     

     

    Referências

    GONÇALVES, Ana Maria. Um defeito de cor. 1. Ed. Rio de Janeiro: Record, 2006.

    GUIMARÃES, Geni. A cor da ternura. 2ª ed. São Paulo: FTD, 1990.

    SIÉCOLA, Marcia. Legislação educacional. 2. Ed – Curitiba, PR: IESDE Brasil, 2018.

     

     

  • Palavras-chave
  • literatura; história; falas negras; cultura
  • Área Temática
  • Eixo 2 – Educação e Justiça Social: Identidades, Gênero e Relações Étnico-Raciais
Voltar Download
  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
  • Eixo 2 – Educação e Justiça Social: Identidades, Gênero e Relações Étnico-Raciais
  • Eixo 3 – Políticas Públicas e Gestão Educacional na Perspectiva Inclusiva
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
  • Eixo 5 – Educação do Campo, Indígena e Quilombola: saberes, territórios e direitos

Comissão Organizadora

Congresso Internacional Educação e Diversidade
Júnea Tatiane Damasceno Oliveira
Éryka Jovania Pereira
Silvana Diamantino França
Juliane Leite Ferreira e Figueiredo
ALINE MARIA GONZAGA RUAS

Comissão Científica