CORPO, CULTURA E CRIAÇÃO: EXPERIÊNCIA COM DANÇAS POPULARES BRASILEIRAS E PRODUÇÃO DE FOTO-POESIA COM ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL II

  • Autor
  • Luana Lima Siqueira
  • Co-autores
  • Sthefany Raniere Pereira Amaral dos Santos , Paulo Vitor Antunes Fonseca , Betânia Maria Araújo Passos
  • Resumo
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    Introdução

                O ensino da dança na escola tem se consolidado como uma prática pedagógica de grande relevância, pois ultrapassa a mera execução de movimentos e se configura como um espaço de valorização da cultura, de construção de identidades e de fortalecimento das relações sociais entre os estudantes. Ao ser trabalhada em contextos educativos, a dança possibilita que crianças e adolescentes tenham contato com manifestações artísticas enraizadas na história do país, favorecendo a preservação da memória coletiva e o reconhecimento da diversidade cultural brasileira.

     Na área da Educação Física, o trabalho com a dança integra corpo, movimento e expressão, essenciais para o desenvolvimento humano. No currículo escolar, a dança aprimora a coordenação motora, a consciência corporal e promove valores como respeito e cooperação, tendo sua potência pedagógica amplamente reconhecida. Rudolf Laban, teórico do movimento, contribui para essa compreensão ao propor, conforme Silva (2007), uma análise que estrutura a dança em quatro fatores fundamentais: fluxo, peso, tempo e espaço. Assim, a dança se configura como um meio potente de educação integral, abrangendo as dimensões física, cognitiva, emocional e social do aluno.

                Este relato de experiência foi desenvolvido na Escola Estadual de zona periférica, localizada em Montes Claros/MG, junto a uma turma de 35 estudantes do 7º ano do ensino fundamental II. A atividade foi conduzida no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), curso de Educação Física – licenciatura. O projeto se baseou na obra Moderna Plus – Linguagens e suas Tecnologias – manual do professor (1ª edição, 2020), que serviu de apoio para a realização de atividades práticas e criativas, especialmente a produção de foto-poesia, articulando dança, linguagem visual e expressão literária.

                Assim, a proposta aqui apresentada busca compartilhar uma experiência pedagógica que alia cultura, arte e educação, ressaltando o papel da dança como recurso interdisciplinar capaz de estimular a criatividade, o protagonismo estudantil e a reflexão crítica sobre a identidade cultural brasileira.

     

    Fundamentos Teóricos

                A dança, entendida como linguagem corporal e manifestação cultural, constitui-se em um importante recurso pedagógico para a Educação Física escolar, pois favorece a formação integral dos estudantes e contribui para o desenvolvimento da sensibilidade estética e da consciência social. Conforme Darido e Rangel (2018), a inserção da dança amplia o campo de atuação da disciplina, rompendo com a centralidade do esporte e valorizando práticas corporais que refletem a diversidade cultural brasileira.

                As danças populares, nesse sentido, representam expressões que carregam identidades, memórias e tradições, permitindo que os alunos compreendam aspectos históricos e sociais do país. Segundo Marques (2010), o ensino da dança possibilita um diálogo entre corpo, cultura e educação, promovendo reflexões sobre pertencimento e respeito à pluralidade. Trabalhar manifestações como frevo, quadrilha, xaxado, carimbó, catira e maracatu no ambiente escolar é, portanto, uma forma de preservar o patrimônio imaterial e estimular a valorização da diversidade.

                Além disso, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2018) reforça a necessidade de contemplar a cultura corporal em suas múltiplas dimensões, garantindo que os estudantes tenham acesso a experiências que promovam tanto a expressão individual quanto a valorização das identidades coletivas. Nessa perspectiva, a dança torna-se elemento essencial para a formação cidadã, uma vez que contribui para o reconhecimento da diversidade cultural e para o desenvolvimento da autonomia e do protagonismo estudantil.

     

    Apresentação da experiência

                A experiência foi realizada com uma turma do ensino fundamental II da Escola pública, localizada em Montes Claros/MG, composta por 35 alunos. O projeto foi desenvolvido no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), vinculado ao curso de Educação Física da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), e contou com o acompanhamento de um professor supervisor, que auxiliou no planejamento e na adequação das propostas ao currículo escolar e à realidade sociocultural dos estudantes.

                O processo pedagógico ocorreu ao longo de três aulas, cada um com duração aproximada de 50 minutos. A estrutura metodológica buscou integrar pesquisa, prática corporal e produção artística, favorecendo a aprendizagem significativa e a participação ativa dos alunos. Como referência inicial, foi utilizado o livro Moderna Plus – Linguagens e suas Tecnologias (2020) – manual do professor –, que serviu de inspiração para o trabalho interdisciplinar com a dança e a produção de foto-poesia.

                Na primeira aula, os alunos foram organizados em grupos e receberam a tarefa de pesquisar manifestações da cultura popular brasileira, como frevo, quadrilha, xaxado, carimbó, catira e maracatu. Essa etapa privilegiou a investigação em diferentes fontes — livros, vídeos, materiais didáticos e internet — de modo a estimular a autonomia e a curiosidade. Durante o processo, observou-se o entusiasmo dos estudantes ao comparar ritmos, vestimentas e contextos regionais, o que favoreceu o reconhecimento da diversidade cultural do país.

                Na segunda aula, os grupos, com apoio dos bolsistas do PIBID, prepararam cartazes ilustrativos. Elementos como roupas, adereços e músicas tradicionais foram visualizados, enriquecendo a vivência e proporcionando um contato mais próximo com a dimensão estética das manifestações culturais.

                Na terceira aula, cada grupo apresentou os resultados de sua pesquisa por meio de exposições orais e cartazes. As apresentações se destacaram pela originalidade e pelo envolvimento dos estudantes, que assumiram papel de protagonistas do processo de ensino-aprendizagem. Ao final, realizou-se uma roda de conversa coletiva, momento em que os alunos refletiram sobre a importância da dança como preservação da memória cultural e como instrumento de expressão da identidade brasileira. A atividade foi concluída com a exposição das foto-poesias em um mural coletivo, o que possibilitou a socialização das produções e a valorização dos olhares e sentimentos expressos por cada grupo. Logo depois, garantiu a contemplação de toda a comunidade escolar.

                O tempo dedicado ao projeto e metologia adotada garantiu profundidade e relevância pedagógica. O envolvimento dos bolsistas, a mediação do professor supervisor e o interesse dos alunos foram fatores determinantes para que a experiência alcançasse seus objetivos de promover conhecimento cultural, expressão artística e cooperação no ambiente escolar.

     

    Análise parcial dos resultados

                A experiência demonstrou avanços no engajamento e no repertório cultural dos alunos, que mostraram curiosidade e entusiasmo ao pesquisar as danças populares brasileiras. As produções de cartazes e foto-poesias ampliaram a expressão criativa e a interdisciplinaridade, transformando informações em vivências artísticas e coletivas. Nas apresentações, observou-se maior autonomia e autoconfiança, além de cooperação entre os grupos. Apesar de desafios como tempo reduzido e limitações materiais, o envolvimento dos estudantes e a mediação dos bolsistas garantiram a qualidade do trabalho. Para os participantes do PIBID, a experiência representou formação prática e compreensão do papel social da escola na valorização da cultura. De modo geral, a proposta revelou-se significativa, criativa e viável no contexto da escola pública.

     

    Conclusões

                O projeto demonstrou que a foto-poesia, no contexto da apresentação das danças, enquanto recurso pedagógico aliado à manifestação cultural, tem grande potencial para promover aprendizagens significativas, ampliar o repertório cultural e estimular a valorização das tradições brasileiras. A articulação entre teoria e prática, por meio de pesquisas, apresentações e foto-poesias, favoreceu o protagonismo discente e fortaleceu competências como criatividade, cooperação e autonomia. A interdisciplinaridade também se destacou, aproximando a Educação Física das artes e da literatura. Para os bolsistas do PIBID, a experiência representou formação inovadora, reforçando o papel social da docência e a importância da integração entre universidade e escola. Portanto, abordar danças populares brasileiras na escola é uma estratégia eficaz para valorizar a cultura, desenvolver a criticidade e tornar o ensino mais plural e humanizado.

     

    Apoio técnico ou financeiro 

    Este trabalho foi desenvolvido com apoio do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Fundação do Ministério da Educação.

     

  • Palavras-chave
  • Danças populares brasileiras. Educação Física escolar. Cultura e identidade. Foto-poesia. Ensino interdisciplinar.
  • Área Temática
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
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  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
  • Eixo 2 – Educação e Justiça Social: Identidades, Gênero e Relações Étnico-Raciais
  • Eixo 3 – Políticas Públicas e Gestão Educacional na Perspectiva Inclusiva
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
  • Eixo 5 – Educação do Campo, Indígena e Quilombola: saberes, territórios e direitos

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