TECH LADIES: RELATO DE EXPERIÊNCIA NA PROMOÇÃO DA PERMANÊNCIA FEMININA EM CURSOS SUPERIORES DA ÁREA DE TECNOLOGIA
Eixo 2 - Educação e Justiça Social: Identidades, Gênero e Relações Étnico-Raciais
Palavras-chave: Gênero, Tecnologia, Educação
Introdução
A inserção de mulheres na área de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) ainda é marcada por desigualdades estruturais que impactam ingresso, permanência e ascensão profissional. Em 2022, apenas 16% dos ingressantes nos cursos de computação no Brasil eram mulheres (INEP, 2023). Essa sub-representação decorre de estereótipos de gênero, ambientes pouco acolhedores e ausência de modelos de referência (FAGUNDES, 2017).
No Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) – Campus Almenara, o cenário é ainda mais crítico: em 2025, apenas 12% dos matriculados no curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas (ADS) eram mulheres. Diante disso, foi criado o projeto Tech Ladies, com o objetivo de valorizar, apoiar e empoderar discentes, promovendo permanência e protagonismo acadêmico. Este artigo apresenta o relato da experiência, discutindo fundamentos, metodologias e resultados, em diálogo com iniciativas semelhantes.
Fundamentos Teóricos
A desigualdade de gênero na tecnologia é um fenômeno histórico. Embora significativa no início da história da computação, a participação feminina caiu a partir da década de 1970, quando o setor ganhou maior valorização econômica e passou por um processo de masculinização (LIMA et al., 2023).
Atualmente, estereótipos de gênero e ambientes masculinizados dificultam a inserção e a permanência de mulheres em TIC. Estudos revelam que alunas enfrentam interrupções, explicações condescendentes e a necessidade constante de provar sua competência, fatores que tornam o ambiente pouco acolhedor (ORAN et al., 2023).
Essa realidade aparece nos números: apenas 20% da força de trabalho em TI no Brasil é composta por mulheres (FERREIRA et al., 2021; DE SOUZA et al., 2022). Nos cursos de computação, a participação feminina também é reduzida, especialmente em graduações (LOPES et al., 2024).
Além do ingresso limitado, a evasão é proporcionalmente maior entre alunas, ligada à falta de apoio institucional, isolamento social e ausência de modelos de referência (FAGUNDES, 2017). Projetos como InfoGirl e Mulheres em Tech mostram que ambientes pouco inclusivos reforçam insegurança e desestímulo, enquanto iniciativas de mentoria e redes de apoio — como AI Girls e hackathons afirmativos — ampliam autoconfiança e engajamento (FERREIRA et al., 2021; ORAN et al., 2023).
Nesse contexto, surge o Tech Ladies no IFNMG – Campus Almenara. O projeto busca criar espaço institucional de apoio, visibilidade e empoderamento para alunas dos cursos de TIC, desconstruindo a ideia de que a tecnologia é “naturalmente masculina” e promovendo pertencimento e reconhecimento (SILVA; FIGUEIREDO; OLIVEIRA, 2023).
Metodologia
O Tech Ladies, iniciado em 2024, é um projeto integrador de ensino voltado a enfrentar a baixa representatividade feminina em TIC. Tem como público-alvo alunas do Técnico em Informática (médio integrado) e do curso superior de ADS, considerando desafios comuns de permanência, desempenho e inserção profissional.
As ações foram organizadas em quatro eixos:
Encontros com profissionais mulheres da computação: compartilhamento de trajetórias e desafios, promovendo inspiração e visibilidade.
Oficinas e rodas de conversa: temas como programação, mercado de trabalho e enfrentamento de estereótipos de gênero.
Formação de redes de apoio: vínculos entre alunas, professoras e profissionais convidadas, fortalecendo pertencimento.
Mentoria acadêmica e motivacional: acompanhamento individual e coletivo para apoiar dificuldades técnicas e emocionais.
Além disso, um grupo no WhatsApp funciona como espaço de acolhimento e organização, com enquetes mensais que definem subáreas da computação a serem discutidas em reuniões com profissionais convidadas. Também foram realizadas oficinas técnicas conduzidas pelas próprias alunas, valorizando o protagonismo estudantil e o fortalecimento de competências.
A metodologia priorizou a participação ativa e a escuta, consolidando o projeto como espaço de acolhimento e empoderamento para mulheres em TIC.
Conclusões
O Tech Ladies demonstra que ações afirmativas como espaços de escuta, mentorias e encontros inspiradores contribuem para a permanência feminina em TIC. Evidencia também que mudanças estruturais — como revisão curricular, políticas institucionais de equidade e ampliação da representatividade — são essenciais.
Os resultados parciais apontam maior engajamento estudantil, redes de apoio fortalecidas e ampliação de referências femininas. O grupo de WhatsApp ativo, as reuniões mensais e as oficinas conduzidas pelas alunas mostraram-se eficazes para promover pertencimento e autoconfiança.
Além de impactar trajetórias individuais, o projeto tem ampliado a visibilidade institucional da pauta de gênero em TIC, inspirando práticas pedagógicas mais inclusivas.
Como perspectivas futuras, destacam-se a expansão para outros campi, o fortalecimento de parcerias externas e a sistematização de dados para avaliar impactos em evasão, desempenho acadêmico e inserção profissional.
Comissão Organizadora
Congresso Internacional Educação e Diversidade
Júnea Tatiane Damasceno Oliveira
Éryka Jovania Pereira
Silvana Diamantino França
Juliane Leite Ferreira e Figueiredo
ALINE MARIA GONZAGA RUAS
Comissão Científica