O PAPEL DA ESCOLA NA MEDIAÇÃO DO USO DA TECNOLOGIA POR CRIANÇAS DE DIFERENTES CONTEXTOS

  • Autor
  • Taísa Souza Lima
  • Co-autores
  • Ana Claudia Oliveira da Silva , Eliane Lopes Santana , Emília Aparecida Alves Pimenta , Liliane Gomes da Rocha , Maisa Alexandre de Souza , Junea Tatiane Damasceno Oliveira
  • Resumo
  • Introdução

     

    A presença das tecnologias digitais no contexto escolar exige que as escolas articulem o ensino-aprendizagem às demandas de uma sociedade conectada. O presente estudo busca analisar o papel da escola na mediação do uso das tecnologias digitais por crianças de diferentes contextos, com foco na educação especial e inclusiva. Os objetivos incluem compreender como os professores utilizam recursos digitais, avaliar seu impacto no aprendizado de crianças com necessidades especiais e refletir sobre estratégias que favoreçam inclusão e equidade. Dessa forma, a pesquisa reforça a importância de práticas pedagógicas orientadas, que promovam acessibilidade e garantam desenvolvimento integral de todos os alunos, consolidando a escola como mediadora e promotora de uma educação mais justa e inclusiva.

     

    Fundamentos Teóricos

     

    A mediação escolar é central para que as tecnologias digitais possam efetivamente ampliar as possibilidades de aprendizagem de crianças em contextos diversos, especialmente aquelas que enfrentam barreiras físicas, comunicacionais, sensoriais ou cognitivas. Kenski (2007) destaca que as tecnologias de informação e comunicação transformaram a educação, mas sua efetividade depende da ação mediadora do professor. Nesse sentido, a escola deve garantir que o uso desses recursos seja planejado e pedagógico, orientando práticas que promovam a inclusão.

    Moran (2013) ressalta que os docentes podem potencializar o ensino por meio de ferramentas digitais, favorecendo pesquisas, comunicação e colaboração. Quando adaptadas a estudantes com deficiência, essas ferramentas assumem caráter de tecnologias assistivas, permitindo acessibilidade em múltiplos formatos. Almeida (2000) acrescenta que a exploração criativa das tecnologias possibilita transformar conteúdos em experiências interativas. Tal perspectiva ganha relevância diante das desigualdades sociais e educacionais, nas quais muitas crianças com deficiência encontram maior dificuldade de acesso aos recursos digitais fora do ambiente escolar. A escola, portanto, torna-se espaço privilegiado de democratização e inclusão social.

     

    Metodologia

     

    A metodologia adotada neste trabalho é de caráter qualitativo, com abordagem bibliográfica como método de coleta de dados, centrando-se na análise de autores e produções relevantes, com o objetivo de coletar informações precisas que possibilitem a compreensão aprofundada do tema. O corpus bibliográfico foi constituído por três artigos científicos obtidos no Google Acadêmico, selecionados de acordo com sua pertinência temática e contribuição para o campo educacional.

    O primeiro artigo, intitulado “A educação infantil no século XXI: o papel dos professores na mediação do uso da tecnologia pelas crianças” (SOUZA et al., 2024), publicado na Revista Aracê. O segundo trabalho, “O papel da escola ante as tecnologias como mediação para o ensino básico” (RODRIGUES et al., 2020). Por fim, o artigo “A tecnologia assistiva como recurso pedagógico para inclusão escolar de crianças com necessidades especiais na educação infantil” (PEREIRA; REIS; RIBEIRO, 2023)

    Essas obras foram selecionadas por apresentarem abordagens complementares acerca da mediação tecnológica no contexto educacional, oferecendo subsídios teóricos consistentes para a compreensão do papel da escola e do professor na promoção de uma utilização crítica, reflexiva e formativa das tecnologias digitais tanto na educação infantil quanto no ensino básico.

     

    Análise de dados

     

    A análise dos artigos selecionados evidencia que a mediação escolar no uso das tecnologias digitais deve considerar a diversidade e as necessidades específicas dos alunos, principalmente aqueles com deficiências e Transtorno do Espectro Autista (TEA). O professor atua como mediador crítico, garantindo que o uso das tecnologias seja seguro, pedagógico e adaptado aos diferentes estilos de aprendizagem. Os docentes desempenham papel fundamental no planejamento de atividades digitais que promovam inclusão, incentivem a autonomia dos alunos e equilibrem práticas tradicionais e digitais, tornando o processo de ensino-aprendizagem mais significativo.

    No contexto escolar, a mediação docente no uso das tecnologias digitais pode ser observada em diferentes situações que valorizam a inclusão e a aprendizagem significativa. Antes de uma pesquisa online, por exemplo, o professor deve orientar os alunos sobre como reconhecer fontes confiáveis, promovendo o uso crítico e responsável da internet. Em sala, um estudante com deficiência motora pode participar das discussões por meio de um software de comunicação alternativa (CAA), enquanto outro com deficiência auditiva acessa vídeos com legendas e intérprete virtual de Libras. Tornando o processo educativo mais participativo e inclusivo.

    As tecnologias assistivas, como leitores de tela, softwares de comunicação alternativa, aplicativos educativos adaptativos e recursos de gamificação inclusiva, demonstram grande potencial para facilitar o acesso e a participação de crianças com deficiência visual, auditiva, intelectual ou com TEA. No entanto, os estudos apontam desafios recorrentes, incluindo a escassez de recursos adaptados, a falta de formação específica de docentes e a necessidade de integração entre escola e família para potencializar o uso dessas tecnologias. A mediação pedagógica adequada é, portanto, imprescindível para que essas ferramentas promovam efetivamente a inclusão e o desenvolvimento integral dos estudantes.

    Dessa forma, a escola não deve apenas oferecer acesso às tecnologias, mas promover uma mediação pedagógica que transforme o uso digital em oportunidades de aprendizagem equitativa, respeitando a diversidade e fortalecendo práticas inclusivas. Além disso, evidencia-se que a integração entre políticas educacionais, formação docente continuada e participação da família é essencial para que a tecnologia se consolide como recurso de acessibilidade e desenvolvimento integral.

     

    Conclusões

     

    Conclui-se que a mediação escolar no uso das tecnologias digitais deve ser pensada de forma inclusiva e equitativa, garantindo não apenas acesso, mas também usabilidade adaptada para estudantes com deficiência ou TEA. O professor desempenha papel essencial nesse processo, atuando como mediador crítico e promotor de práticas pedagógicas que valorizem a diversidade. Os resultados demonstram que a tecnologia, quando articulada a políticas educacionais e à formação docente, pode consolidar-se como recurso de acessibilidade, inovação e inclusão social, contribuindo para uma escola mais democrática e comprometida com a educação especial e inclusiva.

     

     

    Referências

     

  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
  • Eixo 2 – Educação e Justiça Social: Identidades, Gênero e Relações Étnico-Raciais
  • Eixo 3 – Políticas Públicas e Gestão Educacional na Perspectiva Inclusiva
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
  • Eixo 5 – Educação do Campo, Indígena e Quilombola: saberes, territórios e direitos

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