Esta proposta contempla minha pesquisa de doutorado (em andamento). Neste caso específico de aprendizes surdas/os de uma língua oral estrangeira como L3 (inglês); propor uma metodologia representativa, significa romper com a lógica ouvinte de ensinar/aprender, o que estabelece a padronização de um processo de letramento que não contempla a todas/os singularmente. Diante disso, exploramos uma metodologia de letramento crítico em inglês como LE/L3 para surdas/os brasileiras/os que vá ao encontro das necessidades de aprendizagem desse público alvo e, portanto, inclua-as/os significativamente. Convém esclarecer que no caso de aprendizes não ouvintes de uma língua oral como o inglês, das quatro habilidades tradicionalmente ensinadas, duas não se justificam, de forma inclusiva, para esse público; trata-se das habilidades de produção oral (speaking) e compreensão auditiva (listening). Daí, a justificativa de uma metodologia que foque no letramento: compreensão leitora (reading) e produção escrita (writing). Para tanto, a abordagem bilíngue bicultural se faz necessária e produtiva. Assim, esta comunicação centra-se em apresentar uma metodologia diferenciada de ensino de inglês à luz da Teoria Social do Letramento (Street, 1984, 1995; Barton e Hamilton, 1998, 2000; Magalhães, 2012) e da Teoria Social do Discurso, mais especificamente da ADC (Fairclough, 1995; Chouliaraki; Fairclough, 1999; Fairclough, 2001, 2003). Tal reflexão mostra-se bastante pertinente, pois, a Comunidade Surda por vezes não se vê incluída significativamente nas práticas educacionais já que a totalidade ou maioria das/os profissionais envolvidas/os, assim como o alunado, são ouvintes e desconhecedoras/es, por não receberem formação, das metodologias próprias ao ensino-aprendizagem de alunas/os surdas/os. Portanto, ao se pesquisar o ensino de uma língua oral estrangeira para uma comunidade de fala não ouvinte no âmbito escolar, por exemplo, são evocados três pontos: inclusão, práticas de letramento e contexto discursivo; uma tríade analisada conjuntamente. No caso de pessoas surdas, ao se pensar um letramento crítico em língua estrangeira, está-se proporcionando uma metodologia representativa concretizada por meio de um bilinguismo bicultural; tornando-se, assim, uma alternativa de rompimento emancipatório com uma prática de letramento conduzida por/para/numa lógica ouvinte. Esse movimento evidencia as relações de poder presentes no letramento tradicional que insiste em padronizar o currículo no ensino de uma língua oral estrangeira para dois públicos com necessidades sociolinguísticas distintas (surdas/os e ouvintes); ou, ainda, essa padronização pode ser vista como uma herança cultural/colonial (audiocêntrica) no ensino de línguas que desconsidera as demandas reais de educandas e educandos. Assim, pois, a mencionada tríade (inclusão, práticas de letramento e contexto discursivo) pode dialogar de maneira fértil com a díade: ensino/aprendizagem de inglês e letramento crítico. Trata-se, pois, de uma pesquisa qualitativa de cunho etnográfico-discursivo, realizada numa investigação de campo (projeto inicial) junto a sujeitos surdos, a qual fornecerá o corpus, utilizando-se de técnicas, como observação participante, notas de campo e sequências discursivas fornecidas em questionários, entrevista semiestruturada e grupos focais. No contexto desta pesquisa, que prioriza públicos minoritários/minorizados, os resultados parciais (ainda incipientes) demonstram que um comprometimento político-social se torna evidente ao trazer à tona questionamentos quanto ao acesso negado à informação e conhecimento de forma geral e à formação, de forma específica, como políticas linguísticas que atendam às necessidades do público surdo de maneira representativa, isto é, um letramento crítico inclusivo.
Comissão Organizadora
Congresso Internacional Educação e Diversidade
Júnea Tatiane Damasceno Oliveira
Éryka Jovania Pereira
Silvana Diamantino França
Juliane Leite Ferreira e Figueiredo
ALINE MARIA GONZAGA RUAS
Comissão Científica