A atuação do pedagogo hospitalar: educação e humanização no contexto da saúde

  • Autor
  • Hellen Queren Nogueira Alves Dias
  • Co-autores
  • Inara Geovana Araujo Aguiar , Lara Stefanne Gomes Lima Santos , Maria Fernanda Oliveira de Jesus , Júnea Tatiane Damasceno Oliveira
  • Resumo
  • Introdução

    A hospitalização de crianças e adolescentes pode gerar impactos significativos em seu desenvolvimento cognitivo, emocional e social, sobretudo quando há interrupção prolongada do vínculo escolar. Nesse contexto, a pedagogia hospitalar emerge como campo estratégico para assegurar o direito à educação e a continuidade do processo de escolarização durante o período de internação. Tonini (2013) enfatiza que a atuação do pedagogo hospitalar vai além da simples transmissão de conteúdos, envolvendo práticas pedagógicas adaptadas às condições de saúde do paciente e promovendo o vínculo afetivo com o ambiente escolar. Sá (2011) complementa que a hospitalização impõe rupturas na rotina e na sociabilidade da criança, e que a intervenção educativa em contexto hospitalar atua como ferramenta de inclusão e manutenção da identidade estudantil.

    De acordo com Oliveira (2015), a pedagogia hospitalar deve articular ações educativas com atenção à subjetividade do aluno, respeitando seus limites e potencialidades, o que fortalece o desenvolvimento integral do estudante. Russo e Silva (2024) destacam que o pedagogo hospitalar contribui para a humanização do ambiente hospitalar, promovendo atividades lúdicas, afetivas e educativas que favorecem não apenas a aprendizagem, mas também o bem-estar emocional e social das crianças e adolescentes. Dessa forma, a presença desse profissional representa um avanço na intersetorialidade entre educação e saúde, consolidando a pedagogia hospitalar como instrumento de inclusão, humanização e promoção da dignidade nos contextos hospitalares.

     

    Fundamentos Teóricos

    A pedagogia hospitalar fundamenta-se no princípio de que a educação é um direito inalienável, mesmo em situações de adoecimento, como estabelece a Resolução CNE/CEB nº 2/2001, que garante a continuidade da escolarização em classes hospitalares e domiciliares. Segundo Tonini (2013), o pedagogo hospitalar atua como mediador entre a escola e o ambiente hospitalar, desenvolvendo práticas que vão além do ensino de conteúdos, promovendo acolhimento e adaptação pedagógica. Para Sá (2011), sua presença contribui para a inclusão e a humanização, preservando vínculos sociais e emocionais durante a hospitalização. Já Oliveira (2015) destaca que esse trabalho minimiza os impactos do isolamento, favorecendo a reinserção escolar e social do educando. Nesse sentido, Oliveira (2020) ressalta que a pedagogia hospitalar dialoga diretamente com as políticas de humanização em saúde, enquanto Russo e Silva (2024) apontam que práticas educativas no hospital reforçam a integralidade do cuidado, contemplando dimensões cognitivas, emocionais e sociais.

     

    Metodologia

    A presente investigação caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, fundamentada em revisão bibliográfica. Essa abordagem foi escolhida por possibilitar uma compreensão aprofundada acerca do papel do pedagogo hospitalar, a partir de referenciais teóricos e normativos já consolidados. Foram consultados autores como Tonini (2013), Sá (2011) e Oliveira (2015), que discutem a importância da pedagogia em contextos não escolares, bem como documentos legais e normativos, entre eles a Resolução CNE/CEB nº 2/2001, que regulamenta o atendimento escolar em classes hospitalares e domiciliares.

    O estudo foi desenvolvido pelas acadêmicas do oitavo período do curso de Pedagogia, sendo desenvolvido como requisito parcial para obtenção de nota na disciplina Pedagogia em Diferentes Contextos Educacionais. A análise buscou identificar e interpretar as atribuições do pedagogo hospitalar, enfatizando o impacto de sua atuação no cotidiano de crianças e adolescentes hospitalizados e a relevância de sua articulação com equipes multiprofissionais, destacando ainda os desafios e potencialidades dessa prática no âmbito da educação inclusiva.

    Análise de dados

    Evidencia-se que a atuação do pedagogo hospitalar é atravessada por múltiplas dimensões: pedagógica, social, afetiva e de humanização. De acordo com Tonini (2013), a pedagogia hospitalar deve ser entendida como um espaço de garantia do direito à educação, mas também de promoção de vínculos afetivos, pois o processo de escolarização em ambiente hospitalar contribui para a preservação da identidade do estudante, que não deve ser reduzido à condição de paciente. Sá (2011) complementa essa visão ao destacar que a hospitalização impõe à criança ou ao adolescente uma ruptura com sua rotina escolar e social, o que pode gerar sentimentos de exclusão e ansiedade.

    Nesse contexto, Oliveira (2020) pondera que a presença do pedagogo hospitalar minimiza tais impactos, proporcionando atividades educativas adaptadas às necessidades de saúde e ao mesmo tempo reforçando o pertencimento escolar. A escola, ainda que em ambiente hospitalar, mantém-se como espaço de sociabilidade e desenvolvimento cognitivo. Assim, Russo e Silva (2024) identificam que o pedagogo hospitalar atua como agente de humanização ao articular práticas educativas com elementos lúdicos e de acolhimento, promovendo a saúde emocional das crianças e adolescentes hospitalizados.

    Por fim, Oliveira (2015) conclui que a ação pedagógica hospitalar não se restringe à reprodução dos conteúdos curriculares, mas envolve uma prática que dialoga com a subjetividade dos sujeitos, respeitando seus limites, desejos e potencialidades. Essa perspectiva amplia o alcance do trabalho pedagógico, que passa a se constituir também como prática terapêutica complementar, contribuindo para a recuperação clínica e emocional dos estudantes em estado de vulnerabilidade.

     

    Conclusões

    A atuação do pedagogo hospitalar revela-se indispensável para assegurar a continuidade dos processos educativos durante o período de internação, evitando rupturas no desenvolvimento escolar e pessoal de crianças e adolescentes que enfrentam situações de vulnerabilidade. Sua função vai além da transmissão de conteúdos curriculares, abrangendo também dimensões afetivas, sociais e humanas que se tornam fundamentais para o processo de recuperação clínica e para a preservação da autoestima e da identidade estudantil dos pacientes. Ao criar espaços de aprendizagem adaptados às condições de saúde, o pedagogo hospitalar contribui para o desempenho academico e para a manutenção do vínculo com a vida escolar, fortalecendo a esperança e o sentimento de pertencimento dos estudantes hospitalizados.

    Nesse sentido, seu papel transcende a sala de aula e se configura como prática de cuidado ampliado, em que a escuta atenta, o acolhimento emocional e o respeito à singularidade do sujeito assumem centralidade. Essa atuação interdisciplinar, em constante diálogo com médicos, enfermeiros, psicólogos e familiares, promove um ambiente hospitalar mais humanizado, no qual a educação se coloca como direito inalienável e como elemento de promoção da dignidade humana

     

    Referências

    BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Resolução CNE/CEB nº 2, de 11 de setembro de 2001. Institui Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 14 set. 2001.

    OLIVEIRA, A. R. S. de. Educação escolar em ambientes hospitalares: fundamentos e práticas. São Paulo: Cortez, 2015.

    OLIVEIRA, Geicinara Martins de Almeida. Pedagogia hospitalar: práticas educacionais humanizadoras. Revista Faz Ciência, v. 36, p. 40, 2020.

    RUSSO, Maria José de Oliveira; SILVA, Tuani Rodrigues. O processo de humanização e o Pedagogo Hospitalar no desenvolvimento de crianças e adolescentes hospitalizados. Cadernos de Educação, v. 20, n. 40, p. 41-59, jul. 2024.

    SÁ, M. G. C. de. Classe hospitalar: organização e funcionamento. 2. ed. Brasília: Liber Livro, 2011.

    TONINI, A. C. Pedagogia hospitalar: um estudo sobre a atuação do pedagogo no ambiente hospitalar. Curitiba: Juruá, 2013.

  • Palavras-chave
  • Pedagogia hospitalar. Inclusão. Educação.
  • Área Temática
  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
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  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
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  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
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