A inclusão escolar se configura como um dos maiores desafios e, ao mesmo tempo, como uma das maiores potencialidades da educação contemporânea. A partir de fundamentação teórica, a experiência pedagógica interdisciplinar desenvolvida no 1º ano do Ensino Médio da E.E.E.F.M. João Paulo I teve como fio condutor a interação das disciplinas de Sociologia e Artes, com foco no tema “As aventuras de Théo, o menino autista e artista: o ser social e a inclusão vendo vídeos”. Dessa maneira, a proposta buscou articular a reflexão crítica sobre o processo de socialização e ação de valorização da diversidade à expressão artística dos alunos como linguagem de participação e integração.
A experiência baseia-se em referenciais teóricos que conectam a Sociologia da Educação, a Educação Inclusiva e a Arte-Educação. Na visão sociológica, abordamos conceitos como socialização, diversidade e exclusão social, fundamentando-nos em autores como Berger e Luckmann (1966), que defendem que a realidade é socialmente construída, e Zygmunt Bauman (2001), com suas considerações sobre modernidade líquida e alteridade. Em relação à inclusão, baseamo-nos nas contribuições de Sassaki (1997) e Mantoan (2003), que defendem a criação de práticas educacionais que reconheçam a diversidade e incentivem a participação de todos. Ao interagir com as Artes, fundamentamos em Duarte Jr. (1991) e Barbosa (1998), que destacam a arte como uma linguagem, meio de conhecimento e ferramenta para expressão e mudança social. Por outro lado, Fazenda (1994) e Japiassu (1976) concebem a interdisciplinaridade como uma abordagem pedagógica que transcende a fragmentação do conhecimento.
A prática foi desenvolvida a partir de cinco etapas principais: primeira: a acolhida/sensibilização: conversa inicial sobre o que é ser social e a importância da diversidade entre os seres humanos; segunda: a exibição de um episódio da série “As Aventuras de Théo”, disponível no YouTube desde maio de 2024; Terceira: as rodas de conversa: momento de discussão guiado acerca dos desafios vividos por Théo e da reflexão sobre a prática da inclusão dos alunos portadores de TEA em nosso espaço escolar; quarta: a atividade prática interdisciplinar: os alunos, organizados em grupos colaborativos com e sem TEA, deviam criar uma produção artística – desenho, criação de cartazes, encenação de uma peça de teatro curta, composição musical ou poema – sobre o tema, “ser social na diversidade”; quinta: socialização e fechamento: os trabalhos artísticos deveriam ser expostos e discutidos em sua totalidade, com registro de síntese no quadro. Os resultados tiveram a contribuição da experiência para um melhor aprendizado dos conteúdos da Sociologia e da Arte, mas sobretudo, para a experiência ético-discursiva sobre a educação. Verificou-se em sala de aula em respostas espontâneas, um maior interesse dos alunos em compreender a realidade da inclusão escolar e da necessidade de atitude transitiva para construção de uma sociedade justa. As falas assinalaram um olhar ampliado sobre as barreiras vivenciadas por sujeitos autistas e um reconhecimento da escola como espaço relacional.
Assim, pode-se concluir que a interdisciplinaridade entre Sociologia e Artes, combinada com o uso de materiais midiáticos como vídeo educativo, foi uma estratégia eficiente para abordar criticamente problemas sociais essenciais, em um contexto de ensino extremamente reflexivo e inclusivo. Como resultado, a proposta demonstra que métodos de ensino acessíveis e colaborativos não só tornam o processo de ensino e aprendizagem mais humano, mas também aproximam a escola de uma cultura de inclusão. Dessa forma, este estudo serve como um testemunho prático da importância de fomentar abordagens interdisciplinares entre diversas áreas do conhecimento, além do papel fundamental das práticas pedagógicas para conectar a teoria acadêmica à vida “real”.
Referências
BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da arte. São Paulo: Perspectiva, 1998.
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
BERGER, Peter L.; LUCKMANN, Thomas. A construção social da realidade. Petrópolis: Vozes, 1966.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular – BNCC. Brasília: MEC, 2018.
DUARTE JÚNIOR, João Francisco. Por que arte-educação? Campinas: Papirus, 1991.
FAZENDA, Ivani Catarina Arantes. Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. Campinas: Papirus, 1994.
JAPIASSU, Hilton. Interdisciplinaridade e patologia do saber. Rio de Janeiro: Imago, 1976.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? por quê? como fazer? São Paulo: Moderna, 2003.
SASAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro: WVA, 1997.
Comissão Organizadora
Congresso Internacional Educação e Diversidade
Júnea Tatiane Damasceno Oliveira
Éryka Jovania Pereira
Silvana Diamantino França
Juliane Leite Ferreira e Figueiredo
ALINE MARIA GONZAGA RUAS
Comissão Científica