PRÁTICAS DE LEITURA E FORMAÇÃO DOCENTE: REFLEXÕES A PARTIR DE UMA EXPERIÊNCIA NO PIBID.

  • Autor
  • Denice do Socorro Lopes Brito
  • Resumo
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    Introdução

     

    A educação básica, especialmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental, constitui espaço privilegiado para o desenvolvimento da leitura e da escrita como práticas sociais, fundamentais para a formação do sujeito crítico e autônomo. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece como prioridade o desenvolvimento de competências relacionadas à leitura, à escrita e à oralidade, compreendendo a alfabetização como processo articulado ao letramento. Nesse cenário, programas como o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) desempenham papel essencial ao aproximar a formação inicial docente da realidade escolar, favorecendo a vivência prática de estratégias pedagógicas inovadoras.

    O presente relato tem como objetivo apresentar a experiência desenvolvida por acadêmicas do curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), no âmbito do PIBID, em uma escola pública da cidade de Januária/MG. A ação consistiu na implementação de um projeto de leitura deleite, voltado para turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental, buscando fortalecer as práticas de alfabetização e fomentar o gosto pela literatura infantil. A experiência permitiu analisar a leitura como prática cultural e pedagógica, bem como compreender os impactos da mediação literária no processo de apropriação da linguagem escrita.

     

    Fundamentos Teóricos

     

    A alfabetização e o letramento, embora distintos, são processos indissociáveis. Segundo Soares (2020), a alfabetização deve ser compreendida como a aprendizagem do sistema alfabético de escrita, enquanto o letramento diz respeito ao uso social da leitura e da escrita. Nessa perspectiva, alfabetizar letrando é garantir que a criança aprenda a ler e escrever ao mesmo tempo em que se apropria de práticas significativas de leitura e escrita em seu contexto social.

    Maciel e Lúcio (2009) reforçam a necessidade de articular teoria e prática, de modo que a alfabetização seja concebida como processo dinâmico, em que a mediação docente desempenha papel fundamental para a construção de sentidos. A literatura infantil, nesse contexto, assume função central: ao mesmo tempo em que diverte, contribui para a ampliação do vocabulário, para o desenvolvimento da imaginação e para a construção da identidade leitora.

    Solé (2014) destaca ainda a importância de estratégias de leitura que possibilitem às crianças compreender o texto em profundidade, relacionando-o a suas vivências e produzindo interpretações críticas. A contação de histórias e a leitura deleite configuram-se, portanto, como práticas significativas, capazes de despertar interesse, prazer e engajamento.

     

    Apresentação da experiência

     

    A experiência foi realizada na Escola Estadual Nossa Senhora de Fátima, localizada em bairro periférico da cidade de Januária/MG. A escola atende estudantes do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental e enfrenta desafios comuns às instituições públicas, como carência de recursos e necessidade de estratégias inovadoras que estimulem a aprendizagem.
    As ações do PIBID foram desenvolvidas entre fevereiro e março de 2025, envolvendo acadêmicas do curso de Pedagogia, coordenadoras de área e uma professora supervisora da escola. O público participante foi composto por turmas dos anos iniciais (1º ao 5º ano), que receberam mensalmente sessões de leitura deleite com duração aproximada de 40 a 50 minutos.

    Cada encontro foi planejado de forma colaborativa, com a seleção de livros de literatura infantil em diálogo com os professores regentes. As atividades incluíram: exploração prévia do paratexto (título, capa, ilustrações); leitura mediada com entonação expressiva; conversa dialógica após a leitura; atividades de interpretação oral e escrita; produções livres dos estudantes (desenhos, reescritas, dramatizações).

    O registro das ações foi feito por meio de observações participantes, relatos orais dos professores, produções dos alunos e anotações das acadêmicas, constituindo o corpus para análise da experiência.

     

    Análise parcial dos resultados

     

    Os resultados parciais apontaram avanços significativos tanto para os alunos quanto para as acadêmicas. Para os estudantes, destacou-se o aumento do interesse pela leitura, a participação ativa durante as mediações e a ampliação da compreensão textual. Observou-se também melhoria na oralidade, na organização de ideias e na capacidade de expressar sentimentos a partir das histórias lidas.

    As produções livres (como desenhos e dramatizações) revelaram maior envolvimento afetivo e criatividade, indicando que a literatura funcionou como catalisadora da imaginação e do desenvolvimento cognitivo. Crianças em fase inicial de alfabetização demonstraram evolução no reconhecimento de palavras e no uso de estratégias para decodificação.
    Do ponto de vista das acadêmicas, a experiência fortaleceu a articulação entre teoria e prática, proporcionando vivência concreta da complexidade do trabalho docente. As participantes compreenderam a importância da mediação pedagógica, da intencionalidade no planejamento e do respeito às singularidades de cada turma. Além disso, desenvolveram sensibilidade para lidar com os desafios da escola pública, valorizando a literatura como recurso essencial na formação integral dos estudantes.

     

    Conclusões

     

    A vivência no PIBID evidenciou que a leitura deleite, quando planejada e integrada ao cotidiano escolar, constitui poderosa ferramenta de alfabetização e letramento. O projeto alcançou plenamente seus objetivos ao promover experiências significativas com a literatura infantil, estimular a formação de sujeitos leitores e contribuir para a formação inicial das acadêmicas.

    A prática demonstrou que, mesmo em contextos de limitações estruturais, a leitura pode ser implementada como experiência prazerosa e transformadora, fortalecendo vínculos entre alunos, professores e futuros docentes. Ao aproximar universidade e escola, o PIBID reafirma sua relevância como política pública voltada para a valorização da formação docente e para a promoção da qualidade da educação básica.

     

    Apoio técnico ou financeiro

    O projeto contou com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), por meio do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), que possibilitou a participação das acadêmicas e garantiu suporte à execução das atividades.

     

    Referências

     

    MACIEL, Francisca Izabel Pereira; LÚCIO, Iara Silva. Os conceitos de alfabetização e letramento e os desafios da articulação entre teoria e prática. In:

     

    CASTANHEIRA, Maria Lúcia (org). Alfabetização e letramento na sala de aula. 2 ed. Belo Horizonte: Autêntica: Ceale, 2009. cap. 35, p. 13-33.

     

    SOARES, Magda. Alfaletrar: toda criança pode aprender a ler e a escrever. São Paulo: Contexto, 2020.

     

    SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. Tradução Claudia Schilling. Revisão técnica Maria da Graça Souza Horn. 6. ed. Porto Alegre: Penso, 2014. E-book.

     

  • Palavras-chave
  • Alfabetização, Formação docente, Leitura deleite, Literatura infantil.
  • Área Temática
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
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  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
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