A IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO DOCENTE PARA A INCLUSÃO NO ENSINO MÉDIO
Palavras-chave: Inclusão escolar; Ensino Médio; Formação docente; AEE.
Introdução
A educação inclusiva vem sendo discutida com afinco nos últimos trinta anos, constituindo um princípio fundamental das políticas educacionais contemporâneas buscando garantir acesso, participação e aprendizagem em escolas comuns para todos os estudantes, independentemente de suas peculiaridades. Dessa forma, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Lei nº 13.146 de 2015, também conhecida como o Estatuto da Pessoa com Deficiência, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEEPEI, 2008) e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2018) são documentos que reforçam esse compromisso.
A formação de professores deve considerar as diversas dimensões socioculturais que perpassam o cenário educacional brasileiro preparando o docente para os desafios da profissão. Mantoan (2023) enfatiza que o programa de formação deve ter como meta oferecer subsídios para que os professores se tornem aptos a atender a diversidade presente na escola. Além das condições individuais, a diversidade no ambiente escolar, está representada pelas desigualdades étnicas raciais, sociais, culturais e econômicas, condições essas que marcam o acesso e a permanência do estudante na escola.
Considerando a importância desse movimento, foi desenvolvida uma pesquisa caracterizada como qualitativa, de natureza descritiva, desenvolvida a partir de um estudo bibliográfico, cujo objetivo é compreender a importância da formação continuada de professores que atuam com inclusão no contexto do Ensino Médio.
Fundamentos Teóricos
A ideia de inclusão escolar não está restrita a matricula e acesso do estudante ao espaço físico da escola. A inclusão implica na participação e aprendizagem efetiva, o que demanda professores bem preparados. De acordo com Mantoan (2015, p. 36), para incluir é preciso “reconhecer as diferentes culturas, a pluralidade das manifestações intelectuais, sociais e afetivas; enfim precisamos construir uma nova ética escolar, que advém de uma consciência ao mesmo tempo individual, social”.
Nesse pressuposto, Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 369) ressaltam que “as políticas de inclusão daqueles alunos tiveram inicio antes da capacitação dos professores, que experimentam frustração aos se sentirem despreparados para lidar com essa nova realidade na sala de aula [...]”. Dessa forma, a formação docente é um eixo estruturante para a efetivação da inclusão escolar.
Morin (2011, p. 13) considera que “são necessárias novas práticas pedagógicas para uma educação transformadora que esteja centrada na condição humana, no desenvolvimento da compreensão, da sensibilidade e da ética, na diversidade cultural, na pluralidade de indivíduos, [...]”. Dessa forma, a complexidade do contexto inclusivo reforça a perspectiva de Morin (2011, p. 17) ao considerar que “seria preciso ensinar princípios de estratégia que permitissem enfrentar os imprevistos, o inesperado e a incerteza, e modificar seu desenvolvimento, em virtude das informações adquiridas ao longo do tempo”.
Nesse sentido, Mantoan (2015, p. 79) destaca que os professores “anseiam por uma formação que lhes permita aplicar esquemas de trabalho pedagógico predefinidos às suas salas de aula, garantindo-lhes a solução dos problemas que presumem encontrar nas escolas ditas inclusivas”. Para Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 504) “a própria escola constitui lugar de formação profissional” continua, e que o pessoal e o profissional podem apresentar avanços com a reflexão sobre a prática pedagógica e o trabalho colaborativo para enfrentar os desafios da inclusão no ambiente escolar.
As experiências positivas relatadas pelos docentes demonstram que o investimento em formação continuada, o diálogo entre os professores e a valorização das potencialidades dos estudantes fortalecem o processo de inclusão. As metodologias ativas, recursos visuais, tecnologia assistiva e atividades em grupo, permitem maior engajamento e aprendizagem. As práticas exitosas mostram o trabalho colaborativo entre os professores de sala, segundos professores e o AEE favorecem resultados transformadores no processo de desenvolvimento desses estudantes. Nesse contexto Mantoan (2015, p. 83) considera que “[...] a formação oferecida reflete-se diretamente nas salas de aula, dado que a educação especial faz parte do projeto-pedagógico das escolas, complementa a formação dos alunos que são seu público-alvo e movimenta a escola na direção da inclusão”.
A inclusão escolar favorece a construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva. Para Sassaki (1997, p. 164-165) uma sociedade inclusiva “[...] fortalece as atitudes de aceitação das diferenças individuais e de valorização da diversidade humana e enfatiza a importância do pertencer, da convivência, da cooperação, e da contribuição que todas as pessoas podem dar para construírem vidas comunitárias mais justas [...]”. Assim, a efetivação da inclusão no Ensino Médio, sustentada por uma formação docente consistente, contribui para o fortalecimento uma cultura social mais democrática, solidária e equitativa.
Metodologia
A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza descritiva, desenvolvida a partir de um estudo bibliográfico que buscou compreender a importância da formação continuada de professores que atuam com inclusão no contexto do Ensino Médio. Seguindo Gil (2019) e Minayo, adotou-se uma análise qualitativa que privilegia a compreensão dos significados e contextos, possibilitando reflexões articuladas entre teoria e prática, voltadas ao debate sobre a formação docente e os desafios da inclusão.
Análise de dados
A análise dos dados permitiu compreender que a formação docente aparece como um dos principais desafios para a efetivação da inclusão escolar no Ensino Médio. Os estudos revisitados destacam os avanços legais e políticos voltados à educação inclusiva, no entanto, esses mesmos estudos indicam uma lacuna quando se trata de formação continuada – o que repercute negativamente no cotidiano escolar. Já que em muitos casos, os docentes não estao preparados para lidar com a situação da inclusão, pois a proposta da inclusão requer um olhar ampliado para a prática pedagógica, já que a socialização desses estudantes, sem garantir a plena participação desses estudantes nos processos de ensino e aprendizagem.
Todavia, os dados também apontam experiências bem sucedidas, em que a formação continuada quando desenvolvida com os docentes propõe um trabalho colaborativo com os segundos professores e o apoio do Atendimento Educacional Especializado (AEE), e contribuem significativamente para concretizar práticas pedagógicas mais inclusivas e transformadoras. Logo, reforça-se a ideia de que o investimento na formação continuada e no acompanhamento docente é fundamental para estabelecer a inclusão como princípio educativo e social.
Conclusões
Diante do exposto, conclui-se que a formação docente é elemento central para a efetivação da inclusão escolar no Ensino Médio, uma vez que possibilita ao professor compreender e valorizar a diversidade, desenvolver estratégias pedagógicas inclusivas e atuar em parceria com outros profissionais da escola. A inclusão deve ser entendida como um processo coletivo, que envolve tanto a preparação dos educadores quanto o compromisso institucional em garantir condições para que todos aprendam e participem ativamente.
Portanto, investir na formação docente significa acreditar na construção de uma educação de qualidade para o estabelecimento de uma sociedade mais justa e inclusiva. A formação docente constitui-se no alicerce para a concretização da Educação Inclusiva e deve ser compreendida como um processo continuo, capaz de atender as necessidades do mundo contemporâneo e contribuir para a formação de uma sociedade mais justa e inclusiva.
Apoio técnico ou financeiro
Agradecimento: à Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina – FAPESC pelo apoio financeiro via Edital de Chamada Pública FAPESC n.º 18/2024 - Bolsas de Mestrado.
Referências
BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Diário Oficial da União, Brasília, 2015.
LIBÂNEO, José Carlos. OLIVEIRA, João Ferreira de. TOSCHI, Mirza Seabra. Educação Escolar: políticas, estrutura e organização. 10 ed. Rev. E ampl. São Paulo: Cortez, 2012.
GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: pontos e contrapontos. Maria Tereza Eglér Mantoan, Rosângela Gavioli Prieto; organização Valéria Amorim Arantes. 8ª ed. - São Paulo: Summus, 2023.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. O desafio das diferença nas escolas. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar - O que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Summus, 2015.
MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 14. ed. São Paulo: Hucitec, 2016.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessarios à educação do futuro. Tradução de Catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sowaya; revisaõ técnica de Edgar de Assis Carvalho. 2 ed. Rev. - São Paulo: Cortez; Brasilia, DF: UNESCO, 2011.
SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão./Construindo uma sociedade para todos. 5ª Edição. Rio de Janeiro: WVA, 1997. Rio de Janeiro.
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