Introdução
Identificar uma neurodivergência em escolares exige articulação entre observação pedagógica e avaliação clínica. Erros diagnósticos são frequentes e podem trazer consequências graves ao desenvolvimento acadêmico, social e emocional. Este estudo analisa o caso de uma mulher que, aos 10 anos, recebeu diagnóstico de “retardo mental” por testes psicométricos, apesar de apresentar capacidades cognitivas preservadas no cotidiano. Somente na vida adulta foi corretamente diagnosticada com dislexia. O objetivo é investigar o impacto de um erro diagnóstico e destacar a formação docente em Neurofisiologia da Educação como ferramenta essencial para identificação precoce de neurodivergências, prevenindo estigmas e prejuízos.
Fundamentos Teóricos
A dislexia é um transtorno específico da aprendizagem de origem neurobiológica, caracterizado por dificuldades de leitura e decodificação sem comprometimento intelectual (Moojen; Bassôa; Gonçalves, 2016). O caso ilustra falha grave ao confundir transtorno de linguagem com deficiência intelectual. Estudos apontam trajetórias semelhantes de diagnósticos equivocados, revelando marcas da falta de suporte adequado (Silva; Soares; Silva, 2023). As consequências ultrapassam o fracasso escolar, afetando a saúde mental. Pereira e Silva (2024) destacam que a dislexia pode gerar ansiedade, depressão e baixa autoestima, reforçando a necessidade de compreensão científica para evitar erros que afetam o desenvolvimento integral.
Metodologia
A pesquisa adota abordagem qualitativa em estudo de caso, com duas fontes principais: análise documental da bateria de testes que sustentou o diagnóstico equivocado e entrevistas semiestruturadas com a participante. Os relatos biográficos enfocam percurso escolar, impactos emocionais do laudo e relação atual com o aprendizado. A análise busca contrastar dados dos testes com evidências de inteligência preservada, à luz da literatura científica sobre dislexia.
Análise parcial dos resultados
Analisando inicialmente os documentos (laudos, testes, etc) e correlacionando com o relato de vida que foi transcrito a partir de uma entrevista semi-estruturada; obteve-se uma dissonância bastante relevante entre o laudo recebido na infância e a realidade da paciente. Os testes, embora tenham sido aplicados por profissionais, parecem ter desconsiderado o contexto e as especificidades de um transtorno clássico de aprendizagem. A narrativa da paciente apresentou uma trajetória marcada pelo estigma, pela baixa autoestima e por estratégias de evitação que culminaram em uma aversão ao estudo na vida adulta, além de comorbidades como ansiedade e depressão, corroborando os achados de Pereira e Silva (2024). Fica evidente que um professor com conhecimentos em Neurofisiologia da Educação, ao observar a discrepância entre o laudo e a capacidade da aluna em sala de aula, poderia ter atuado como um agente interventor, questionando o diagnóstico e solicitando uma reavaliação multiprofissional mais aprofundada.
Conclusões parciais
Este caso demonstra os riscos de diagnósticos descontextualizados e a importância de fundamentos científicos sólidos na avaliação. Reforça a urgência de capacitar professores em Neurofisiologia da Educação, instrumentalizando-os como observadores qualificados capazes de dialogar com equipes clínicas quando a sala de aula contrasta com o laudo. Não se trata de transformar educadores em diagnosticadores, mas em defensores atentos da realidade dos alunos. A pesquisa aponta para a necessidade de políticas de formação continuada que fortaleçam esse papel docente, contribuindo para uma inclusão justa e eficaz.
Apoio técnico ou financeiro (se houver)
Não houve
Referências
PEREIRA, D. M.; SILVA, J. P. Um olhar sobre o impacto emocional da dislexia na infância: o papel da inteligência emocional. Interfaces Científicas - Humanas e Sociais, v. 12, n. 2, p. 86–100, 2024. DOI: 10.17564/2316-3801.2024v12n2p86-100.
MOOJEN, S. M. P.; BASSÔA, A.; GONÇALVES, H. A. Características da dislexia de desenvolvimento e sua manifestação na idade adulta. Revista Psicopedagogia, São Paulo, v. 33, n. 100, p. 50-59, 2016.
SILVA, N. M. O. da; SOARES, J. do N.; SILVA, A. L. da. O autodiagnóstico da dislexia na pessoa adulta: um estudo de caso. Diversitas Journal, v. 8, n. 1, 2023. DOI: 10.48017/dj.v8i1.2456.
Comissão Organizadora
Congresso Internacional Educação e Diversidade
Júnea Tatiane Damasceno Oliveira
Éryka Jovania Pereira
Silvana Diamantino França
Juliane Leite Ferreira e Figueiredo
ALINE MARIA GONZAGA RUAS
Comissão Científica