Introdução
No ambiente escolar, quando as peculiaridades do Transtorno do Espectro Autista Nível 1 (TEA1) se tornam evidentes, professores enfrentam desafios significativos, pois os sinais são sutis e podem ser erroneamente interpretados como desinteresse, indisciplina ou ansiedade. Este artigo parte de um relato de experiência sobre o uso do WhatsApp como ferramenta auxiliar no diagnóstico de TEA1 em um adulto, propondo reflexão sobre como uma escuta qualificada, mediada por tecnologias, pode contribuir para a formação docente. O objetivo é discutir como a observação longitudinal e atenta pode capacitar educadores a compreender e acolher singularidades de alunos neurodivergentes.
Fundamentos Teóricos
A fundamentação situa-se na intersecção entre estudos sobre TEA1, inclusão escolar e tecnologias digitais. Houve na literatura um estudo de caso prévio (Tolentino; Tolentino, 2024) demonstrando que, para o diagnóstico de um paciente com TEA1, foi crucial ir além do setting clínico tradicional, pois "a avaliação do comportamento do mesmo não se limitou ao ambiente da clínica, por isso foi crucial analisar como ele se comportava em diferentes contextos" (Tolentino; Tolentino, 2024, p. 85). Os pesquisadores do referido estudo utilizaram o WhatApp como ferramenta de comunicação. Tal pesquisa demonstrou a importância de observar comportamentos em diferentes situações para o diagnóstico, sugerindo que tal lógica pode ser transposta à escola. A escuta digital, aqui proposta, não se refere ao uso do aplicativo pelo professor, mas à sensibilidade para perceber padrões de comportamento e comunicação ao longo do tempo, em situações variadas, muitas vezes revelados em falas e ações espontâneas dos alunos.
Metodologia
Trata-se de um ensaio teórico-reflexivo, elaborado a partir de conclusões de um relato de experiência qualitativa. O estudo original baseou-se em dados longitudinais coletados via WhatsApp e analisados segundo Bardin (2010). A proposta atual consiste em repensar e reinterpretar tais achados sob a ótica da formação docente. As peculiaridades reveladas — dificuldades de interação, hipersensibilidade ou necessidade de rotina — podem ocorrer em sala de aula, e a postura de escuta investigativa do clínico pode inspirar o educador, não para diagnosticar, mas para compreender e acolher.
Análise parcial dos resultados
A tecnologia funcionou como um “diário digital” que permitiu registrar experiências em tempo real, revelando padrões invisíveis em encontros pontuais. Para o educador, isso aponta a importância de atentar para as múltiplas formas de expressão do aluno e compreendê-las como parte de uma narrativa contínua. A escuta desses sinais — dificuldade com barulho, apego à rotina ou interpretação literal de instruções — permite reconhecer manifestações do TEA1. Os resultados sugerem que a formação docente deve instrumentalizar professores a desenvolver essa competência de ler o aluno para além do desempenho acadêmico.
Conclusões parciais
Conclui-se que a experiência clínica com o WhatsApp oferece modelo metafórico potente para a formação docente. A proposta não é o uso do aplicativo em sala, mas a valorização da observação contínua e da escuta qualificada, capazes de identificar peculiaridades e promover verdadeira inclusão. Compreender o indivíduo com TEA1 requer acessar seu mundo em seus próprios termos (Tolentino; Tolentino, 2024). Capacitar professores para essa escuta sensível é fundamental para transformar a sala de aula em ambiente inclusivo, onde a neurodiversidade seja reconhecida como singularidade a ser compreendida e valorizada.
Apoio técnico ou financeiro (se houver)
Não houve
Referências
BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2010.
TOLENTINO, R. H. B.; TOLENTINO, E. V. D. Contribuições inovadoras do WhatsApp para auxiliar no diagnóstico de autismo sem deficiência intelectual (TEA1): um relato de experiência. In: Psicologia: teorias e práticas em pesquisa. Vol. 2. [S. l.]: Editora Científica, 2024. p. 83-94.
Comissão Organizadora
Congresso Internacional Educação e Diversidade
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Juliane Leite Ferreira e Figueiredo
ALINE MARIA GONZAGA RUAS
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