Introdução
A Educação Inclusiva busca garantir o direito de todos os estudantes ao acesso e à permanência na escola, respeitando suas singularidades e promovendo a equidade no processo de ensino aprendizagem. Nesse contexto, a acessibilidade e as tecnologias assistivas tornam-se elementos fundamentais para possibilitar a participação efetiva de alunos com deficiência ou transtornos do neurodesenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A Declaração de Salamanca, de 1994, já preconizava que toda criança tem o direito fundamental à educação e deve ter a oportunidade de alcançar e manter um nível aceitável de aprendizagem (UNESCO, 1994). A observação realizada em uma escola pública do ensino fundamental, com foco em um estudante diagnosticado com TEA, permite refletir sobre os desafios e as possibilidades da inclusão escolar mediada por recursos pedagógicos e tecnológicos.
Fundamentos Teóricos
A educação inclusiva garante que todos os alunos tenham direito de aprender juntos, dentro da sala de aula comum, respeitando suas diferenças. No Brasil, esse direito é protegido por leis, como a Constituição Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996) e a Lei Brasileira de Inclusão (2015), que asseguram a permanência e a aprendizagem dos estudantes com deficiência e transtornos do desenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Para que isso aconteça, a escola precisa se adaptar, oferecendo acessibilidade e recursos pedagógicos que favoreçam a aprendizagem. Autores como Mantoan (2003) destacam que a inclusão só é possível quando a escola modifica suas práticas, em vez de esperar que o aluno se encaixe em um modelo rígido de ensino. A teoria sociocultural de Vygotsky (2007), que enfatiza a importância da interação social no desenvolvimento do indivíduo, oferece um importante subsídio para a prática inclusiva. De acordo com o autor, a aprendizagem ocorre por meio da mediação do outro, em uma zona de desenvolvimento proximal.
Metodologia
O presente estudo, de natureza descritiva, configura-se como um relato de experiência desenvolvido por meio da observação participante, com abordagem qualitativa. A pesquisa foi realizada no contexto escolar com um aluno do 1º ano do Ensino Fundamental, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) não verbal. A observação foi realizada duas vezes por semana, durante um mês. A pesquisa foi conduzida com o objetivo de analisar as estratégias pedagógicas empregadas para favorecer sua aprendizagem e a inclusão do estudante. Durante as aulas, o aluno foi acompanhado por uma professora de apoio, e a observação focou na interação do estudante com o ambiente escolar e nas atividades propostas. Observou-se que ele apresenta comportamentos de inquietação, dificuldade de concentração, atitudes auto lesivas ocasionais e baixa interação social. Esses aspectos evidenciam a necessidade de acompanhamento contínuo e individualizado por parte dos profissionais envolvidos em seu processo educativo. Verificou-se também que, embora tenha dificuldades de comunicação e atenção, o aluno consegue compreender e responder aos comandos quando as atividades são adaptadas às suas necessidades e interesses. A professora de apoio utiliza diversos recursos pedagógicos, como jogos de quebra-cabeça adaptados, atividades de colorir com cores primárias e silabário pontilhado, além de elaborar materiais específicos alinhados ao conteúdo do 1º ano do ensino fundamental. A coleta de dados se deu através de anotações em diário de campo, registrando as atividades pedagógicas adaptadas, o uso do Plano Educacional Individualizado (PEI) e a interação do aluno com os recursos oferecidos, buscando atender às suas necessidades específicas e promover seu desenvolvimento de forma personalizada. Dessa maneira, as atividades respeitam seu ritmo e potencial, enquanto integram o conteúdo curricular da turma e promovem sua inclusão efetiva no ambiente escolar. A escolha desse método justifica-se pela importância de que acadêmicos de pedagogia compreendam, ainda na fase de formação, como a teoria da inclusão se concretiza na prática escolar. A experiência direta com o cotidiano da sala de aula permite construir bases sólidas para a atuação pedagógica, promovendo práticas educacionais mais efetivas e inclusivas.
Análise parcial dos resultados
A observação do aluno com TEA revelou que o uso de atividades adaptadas e o acompanhamento individualizado são estratégias fundamentais para favorecer sua participação e aprendizado. Observou-se que, mesmo com dificuldades de atenção e comunicação, o aluno consegue compreender e executar comandos quando os recursos pedagógicos respeitam seu ritmo e necessidades, indicando que a personalização do ensino é eficaz para melhorar seu engajamento. O maior interesse do aluno por atividades lúdicas, como jogos de quebra-cabeça, exercícios de colorir com cores primárias e o silabário pontilhado, sugere que recursos concretos e visuais são mais eficientes do que abordagens tradicionais, reforçando a importância de alinhar as atividades ao PEI. Essa descoberta corrobora com a literatura, que aponta a necessidade de adequação de materiais e estratégias. Segundo Schmidt et al. (2013, p. 556). A presença constante da professora de apoio e o planejamento de materiais específicos contribuíram para reduzir comportamentos de inquietação e estimular sua participação, demonstrando que o suporte especializado é indispensável para a inclusão efetiva. Esses resultados preliminares indicam que a inclusão de alunos com TEA na escola regular depende não apenas da presença física, mas da adequação das estratégias pedagógicas, do planejamento individualizado e do acompanhamento contínuo, oferecendo elementos importantes para reflexão sobre práticas educacionais inclusivas. Durante a observação do aluno com TEA, foi possível perceber a importância dessas adaptações e do papel da professora de apoio como mediadora, pois ele demonstrava maior participação quando recebia o suporte pedagógico direcionado e quando eram utilizados recursos que facilitavam sua comunicação e compreensão das atividades.
Conclusões parciais
A observação do aluno com TEA evidenciou, de forma preliminar, a importância de práticas pedagógicas adaptadas, do acompanhamento individualizado e do uso de recursos alinhados ao PEI para promover sua participação efetiva na escola. Os dados indicam que a inclusão só é alcançada quando a escola se organiza para atender às necessidades específicas de cada estudante, oferecendo estratégias que favoreçam a comunicação, o engajamento e o aprendizado. Além disso, a experiência demonstra a relevância de que acadêmicos de pedagogia compreendam a aplicação da teoria da inclusão na prática, pois essa vivência proporciona uma base concreta para futuras intervenções pedagógicas mais eficazes e significativas. Assim, a combinação de planejamento individualizado, recursos adaptados e acompanhamento especializado contribui para a construção de um ambiente escolar mais inclusivo, capaz de atender às singularidades de alunos com TEA.
Referências
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Senado Federal, 1988.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB, Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm. Acesso em: 12 set. 2025.
BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília: MEC, 2008.
CARVALHO, Carmen Silvia P. de. Educação Especial: Princípios e Práticas. São Paulo: Cortez, 2004.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? por que é? como fazer? São Paulo: Summus, 2003.
SCHMIDT, Carlo et al. A Inclusão de Alunos com Transtorno do Espectro Autista em Escolas Comuns: Reflexões sobre a Prática Docente. Revista Brasileira de Educação Especial, Bauru, v. 19, n. 4, p. 555-568, out./dez. 2013.
UNESCO. Declaração de Salamanca e linha de ação sobre necessidades educativas especiais. Brasília, 1994. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000098485_por. Acesso em: 12 set. 2025.
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