INCLUSÃO DO ALUNO SURDO EM SALA DE AULA: RELATO DE UMA OFICINA PEDAGÓGICA NO CURSO DE PEDAGOGIA

  • Autor
  • Quissa Laiana Alves de Araújo
  • Co-autores
  • Julia Caravelli Miranda , João Paulo da Silva Andrade
  • Resumo
  • A inclusão escolar configura-se como um dos maiores desafios da educação contemporânea, exigindo dos futuros professores uma reflexão crítica e constante sobre suas práticas pedagógicas, a fim de contemplar a diversidade presente em sala de aula. Entre os múltiplos aspectos da educação inclusiva, destaca-se a necessidade de compreender, acolher e educar o estudante surdo, o que requer estratégias didáticas que favoreçam sua comunicação, participação e aprendizagem em igualdade de condições. Este relato de experiência apresenta uma vivência acadêmica desenvolvida na disciplina Fundamentos da Educação Especial, do curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), campus Almenara-MG. A atividade foi inspirada no capítulo “Deficiência Auditiva”, da obra Educação Inclusiva, de Débora Regina de Paula Nunes (2013), e teve como objetivo propor uma oficina prática que possibilitasse aos acadêmicos refletir sobre os desafios e as potencialidades da inclusão do aluno surdo no ensino regular.

    O embasamento teórico do trabalho apoia-se em marcos legais fundamentais da educação brasileira, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB – Lei nº 9.394/1996), a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) e a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015). Essas legislações asseguram o direito das pessoas com deficiência de frequentarem a rede regular de ensino, garantindo adaptações curriculares, recursos de acessibilidade e apoio especializado. No caso específico do estudante surdo, a comunicação é central em todo o processo educativo. De acordo com Nunes (2013), a surdez não deve ser reduzida a uma limitação auditiva, mas compreendida como uma diferença cultural e linguística, manifestada por meio de uma língua própria e de uma forma particular de perceber o mundo. Essa concepção fundamenta práticas pedagógicas inclusivas que valorizam estratégias visuais, gestuais e interativas, exigindo que a formação inicial de professores vá além da teoria e proporcione experiências práticas de sensibilização e reflexão.

    A oficina foi planejada e aplicada em dupla para a turma do 4º período de Pedagogia. Estruturou-se em dois momentos: uma explanação teórica e uma dinâmica prática. Na primeira parte, apresentou-se de forma dialogada conceitos básicos sobre surdez e deficiência auditiva, assim como as principais legislações que asseguram os direitos das pessoas surdas no campo educacional. Na segunda parte, realizou-se a dinâmica “Telefone sem Fio – com Imagens e Frases”. A turma foi dividida em duas fileiras, e a comunicação entre os participantes deveria ocorrer sem uso da oralidade. O primeiro integrante recebia uma imagem ou frase cotidiana (como “escovar os dentes” ou “tomar banho”) e precisava transmiti-la apenas com gestos, mímicas e expressões corporais até chegar ao último, que revelava a mensagem compreendida. Nas primeiras rodadas, com mensagens simples, a comunicação ocorreu de forma clara; porém, com frases mais abstratas, como “sentir saudade” ou “limpar a boca com guardanapo”, surgiram dificuldades e ruídos na transmissão, resultando em interpretações divergentes da mensagem inicial.

    A análise dos resultados evidenciou que comunicar-se sem oralidade é uma tarefa complexa, que exige criatividade, atenção, cooperação e capacidade de interpretar sinais corporais. Os acadêmicos relataram que a vivência proporcionou uma compreensão prática e empática das barreiras enfrentadas por estudantes surdos, algo que a teoria sozinha não alcançaria. A experiência também provocou reflexões sobre a necessidade de planejar metodologias que valorizem recursos visuais e corporais, superando a dependência exclusiva da oralidade. Além disso, reforçou o papel do professor como mediador da aprendizagem, que deve manter uma postura investigativa e criativa na busca de alternativas pedagógicas que favoreçam a inclusão efetiva.

    Em termos de conclusões, a oficina foi mais do que uma atividade prática: consolidou-se como experiência formativa significativa, sensibilizando os futuros pedagogos sobre a importância da empatia, da criatividade e da abertura para o outro como elementos centrais da prática docente. O aprendizado obtido foi duplo: ao mesmo tempo em que possibilitou a vivência das dificuldades comunicacionais, mostrou caminhos pedagógicos para superá-las. Assim, reforçou-se a ideia de que a inclusão não pode ser entendida apenas como cumprimento de leis, mas como compromisso ético e pedagógico de construir ambientes escolares acolhedores e potentes, onde todos os estudantes, sem exceção, tenham garantido o direito à aprendizagem e à participação plena.

     

    A experiência vivida destacou a importância de proporcionar aos futuros professores situações que unam teoria e prática, sensibilizando-os para os desafios reais da educação inclusiva. Mais do que aprender sobre o tema, os acadêmicos puderam vivenciá-lo, refletir coletivamente e construir entendimentos práticos acerca da comunicação, da diversidade e da inclusão. Nesse sentido, a oficina reafirma a relevância de práticas pedagógicas que mobilizem não apenas o conhecimento teórico, mas também as dimensões ética, afetiva e criativa do ser professor.

  • Palavras-chave
  • Educação inclusiva, deficiência auditiva, estratégias pedagógicas
  • Área Temática
  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
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  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
  • Eixo 2 – Educação e Justiça Social: Identidades, Gênero e Relações Étnico-Raciais
  • Eixo 3 – Políticas Públicas e Gestão Educacional na Perspectiva Inclusiva
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
  • Eixo 5 – Educação do Campo, Indígena e Quilombola: saberes, territórios e direitos

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