Resumo Expandido - O presente estudo pretende analisar o currículo das escolas públicas do município de Januária-MG, dentro da perspectiva do multiculturalismo para verificar se as práticas vigentes dos profissionais de Educação Física excluem elementos das culturas consideradas minoritárias como os negros, homossexuais e mulheres. Para tanto, será utilizado à fenomenologia para fundamentar o estudo. Será realizada entrevista semiestruturada com os alunos e professores das escolas públicas. Para analisar as entrevistas será aplicado o método de interpretação dos sentidos. Desse modo, acredita-se que a pesquisa terá uma grande relevância educacional e social, a fim de apontar se o currículo da Educação Física Escolar de Januária é excludente.
Palavras-Chaves: multiculturalismo; culturas minoritárias; educação pública.
Introdução
A história da Educação Física no Brasil nos revela práticas higienistas centradas nos métodos ginásticos e nos desportos de raízes europeias, excluindo os alunos considerados inaptos com foco no rendimento desportivo e centrados em um currículo tradicional, com o objetivo de selecionar os melhores alunos para as competições, dividindo as práticas desportivas por gêneros, meninos jogam futebol e meninas jogam voleibol e desvalorizando elementos da cultura negra, como o samba e a capoeira. Apesar das novas abordagens da Educação Física Escolar, surgidas a partir dos anos de 1980, centradas em currículos que valorize a cultura corporal de movimento, o modelo desportivista anteriormente aplicado ainda é referência atual para alguns profissionais da área. Este trabalho de conclusão de curso (licenciatura em Educação Física) tem como objetivo analisar o currículo das escolas públicas do município de Januária-MG, dentro da perspectiva do multiculturalismo para verificar se as práticas vigentes dos professores de Educação Física excluem elementos das culturas consideradas minoritárias como os negros, homossexuais e mulheres.
Fundamentos Teóricos
A Educação Física escolar, historicamente marcada por uma lógica monocultural, eurocentrada, machista e heterossexual, tem sido cada vez mais desafiada por abordagens teóricas que propõem a reconfiguração de seus currículos a partir do reconhecimento das diversidades culturais presentes na sociedade contemporânea. É necessário que os professores se atentem aos conteúdos da área, trabalhando os diversos elementos da cultura corporal de movimento, como forma de valorizar todo o cabedal de conhecimentos que a Educação Física possui (Neira, 2011). É notório que, o fracasso desta disciplina na escola, está marcada por uma lógica positivista, desportivista e eugênica, traduzindo na exclusão de alunos que não se adaptam ao modelo da desportivização da Educação Física. É comum a divisão das atividades da aula em gênero. Por exemplo: meninas não jogam futebol e meninos não pratica ginástica. Neste contexto, também os homossexuais são excluídos, pois, em sua totalidade, somente os heterossexuais praticam determinados esportes nas aulas de Educação Física (Eto; Neira, 2017). Neste sentido, as aulas de Educação Física numa versão tradicional, não abrangem as diversidades culturais, se tornando uma disciplina excludente, onde somente, um determinado grupo a pratica. Outro ponto é a aplicação de somente esportes europeus, não favorecendo as diversas culturas existentes no Brasil. Além disso, nas aulas são ministrados somente os mesmos esportes, como futsal ou o futebol, desvalorizando assim os diversos conteúdos culturais da Educação Física escolar (Neira, 2011). Saber é poder, destarte, é necessário que os profissionais da área transformem as suas práticas, dando a oportunidade para que as diversas culturas minoritárias existentes, como os homossexuais, as mulheres e os negros, tenham acesso ao verdadeiro conteúdo da Educação Física, como forma de libertação do julgo excludente das culturas maioritárias da sociedade (Silva, 2005).
Metodologia
Trata-se de um estudo de campo, onde será analisado o currículo escolar das escolas públicas do município de Januária-MG. A pesquisa será fundamentada pela fenomenologia (Silva; Lopes; Diniz, 2008). Será aplicado questionário semiestruturado e serão entrevistados os alunos e os professores da rede pública de educação do município de Januária. Os resultados serão analisados de forma crítica reflexiva onde será utilizado o método de interpretação de sentidos (Maximiliano, 2002) para analisar as falas dos entrevistados.
Análise de dados
A presente pesquisa encontra-se em sua fase inicial de fundamentação teórica e levantamento das fontes bibliográficas. As fontes bibliográficas levantadas até então, revelam que os autores defendem a adoção de teorias pós-críticas como referência para problematizar as relações de poder nos discursos e práticas corporais presentes na escola, destacando a necessidade de democratizar os saberes e valorizar a diversidade de identidades de gênero, étnico-raciais, religiosas e territoriais dos estudantes (Eto; Neira, 2017). Os textos convergem ao afirmar que uma Educação Física escolar realmente comprometida com a inclusão social precisa superar a lógica reprodutivista dos currículos tradicionais e assumir um papel ativo na formação cidadã dos sujeitos, incluindo elementos das culturas minoritárias. As práticas pedagógicas, nessa perspectiva, devem acolher a pluralidade de gestualidades e saberes corporais, desconstruindo estigmas e promovendo o reconhecimento dos sujeitos subalternizados como produtores de cultura e conhecimento. Somente valorizando as diversas culturas, a Educação Física se tornará uma disciplina inclusiva, tendo a sua importância registrada no boje escolar, como conteúdo curricular obrigatório (Neira, 2011).
Conclusões
Os autores pesquisados até então, ressaltam que é a partir das teorias pós-críticas do currículo que a Educação Física Escolar poderá contribuir para transformar as práticas escolares indo além da reprodução de normas corporais hegemônicas, promovendo uma formação plural, democrática e comprometida com a justiça social, incluindo práticas corporais das culturas minoritárias no currículo do ensino básico.
Referências
ETO, Jorge; NEIRA, Marcos Garcia. Em defesa de uma teoria pós-crítica de Educação Física. Movimento, Porto Alegre, v. 23, n. 4, p. 1273-1286, out./dez. 2017.
MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito. 19a ed. Rio de Janeiro: Forense
NEIRA, Marcos Garcia. Teorias pós-críticas da educação: subsídios para o debate curricular da Educação Física. Movimento, Porto Alegre, v. 17, n. 2, p. 11-34, abr./jun.2011.
SILVA, Jovânia Marques de Oliveira e; LOPES, Regina Lúcia Mendonça, DINIZ, Normélia Maria Freire. Fenomenologia. Revista brasileira de enfermagem, v. 61, n. 2, p. 254-257. 2008.
SILVA, Tomás Tadeu da. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. 2 ed. Belo Horizonte, Autêntica, 2005.
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Congresso Internacional Educação e Diversidade
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