Resumo Expandido - O presente estudo pretende analisar a prática dos professores de Educação Física das escolas públicas do município de Januária-MG, dentro da perspectiva das teorias críticas do currículo para verificar se as práticas vigentes dos profissionais de Educação Física adotam a cultura corporal de movimento, metodologia fundamentada pelo materialismo histórico dialético e que considera os conteúdos da Educação Física como produtos do trabalho humano e para tanto, precisam ser historicizados para os alunos, com a finalidade de que estes se tornem cidadãos críticos e reflexivos. Este trabalho será fundamentado pelo materialismo histórico dialético. Será realizada entrevista semiestruturada com os alunos e professores das escolas públicas. Para analisar as entrevistas será aplicado o método de interpretação dos sentidos. Desse modo, acredita-se que a pesquisa terá uma grande relevância educacional e social, a fim de apontar se o currículo da Educação Física Escolar de Januária é tradicional ou crítico.
Palavras-Chaves: Teoria tradicional do currículo; Teoria crítica do currículo; Cultura corporal de movimento; Cidadãos críticos e reflexivos.
Introdução
A Educação Física no Brasil ao longo da sua história sempre se baseou em um currículo tradicional com práticas higienistas centradas nos métodos ginásticos, que tinham como objetivo preparar o corpo dos indivíduos das classes dominadas para trabalhar na indústria. Para os indivíduos das classes dominantes, a Educação Física era utilizada como método de educação sexual, com a finalidade de fortalecer os corpos para a prática sexual, a fim de que esses indivíduos pudessem gerar os filhos da sociedade, aqueles que iriam gestar a máquina pública. A partir da década de 1980 esse modelo de Educação Física começa a ser criticado e começam a surgir novas abordagens para a Educação Física Escolar, baseados nas teorias críticas curriculares. Dentre estas, a abordagem da cultura corporal de movimento, que tem como base o materialismo histórico dialético (Soares et.al, 1992), considera os jogos, as danças, os esportes, as lutas, fruto do trabalho humano, construído em um determinado período histórico e para tanto, devem ser historicizados, com a finalidade de que os alunos se tornem cidadãos críticos e reflexivos. Neste sentido, este trabalho de conclusão de curso (licenciatura em Educação Física) tem como objetivo analisar a prática dos professores de Educação Física das escolas públicas do município de Januária-MG, dentro da perspectiva das teorias críticas do currículo para verificar se as práticas vigentes dos profissionais de Educação Física adotam a cultura corporal de movimento como é previsto na BNCC.
Fundamentos Teóricos
Os estudos curriculares emergem no início do século XX, nos Estados Unidos, impulsionados pela industrialização e pela necessidade de moldar comportamentos (Silva, 2005). Dentre as teorias curriculares, existem as tradicionais e as críticas. Essas teorias possuem características e pressupostos distintos, influenciando a forma como o currículo é concebido e implementado. As Teorias Tradicionais buscam a eficiência e a neutralidade, priorizam a organização e estrutura do currículo, com foco em questões técnicas e uma suposta neutralidade científica, além disso, expressam uma visão clássica, preocupada com os saberes selecionados (Paulo; Lafetá; Cardoso, 2023). As Teorias Tradicionais influenciam a Educação Física Escolar (EFE), quando a sua ênfase, são nos métodos de exercícios calistênicos, no discurso higienista e esportivista, objetivando a educação do corpo através de gestos mecanicistas e a difusão de valores como educação moral e respeito às regras. Por outro lado, as Teorias Críticas desvelam as relações de poder, buscando superar a ideia de um currículo homogêneo e meramente prescritivo, argumentando que ele reflete intencionalidades de diferentes ordens, como política, social e econômica (Pinheiro, 2009). Esta vertente começou a influenciar a EFE, a partir das abordagens surgidas na década de 1980 e 1990, ao buscar questionar a relevância da EFE na formação de cidadãos críticos. Dentre as abordagens advindas das Teorias Críticas do Currículo, existe a Cultura Corporal de movimento (Soares et. al., 1992), abordagem presente na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e que tem como escopo de conhecimentos, os jogos, a dança, os esportes, a ginástica e as lutas como elementos construídos social e historicamente, fruto do trabalho humano (Brasil, 2018).
Metodologia
Trata-se de um estudo de campo, onde será analisado a prática curricular dos professores de Educação Física das escolas públicas do município de Januária-MG. A pesquisa será fundamentada pelo materialismo histórico dialético (Barbosa; Facci, 2018). Será aplicado questionário semiestruturado e serão entrevistados os alunos e os professores da rede pública de educação do município de Januária. Os resultados serão analisados de forma crítica reflexiva onde será utilizado o método de interpretação de sentidos (Maximiliano, 2002) para analisar as falas dos entrevistados.
Análise parcial dos resultados
A presente pesquisa encontra-se em sua fase inicial de fundamentação teórica e levantamento das fontes bibliográficas. As fontes bibliográficas levantadas até então, revelam que na perspectiva das Teorias Tradicionais do currículo, a EFE como prática curricular, sempre teve o compromisso de disciplinar os corpos, por meio de métodos ginásticos e desportivizados que levavam os alunos a repetirem movimentos mecanizados e descontextualizados da sua realidade, preparando os seus corpos para trabalharem nas indústrias, servindo de mão de obra para o capital (Soares, 2012). Já numa perspectiva crítica, principalmente através das novas abordagens da EFE, com base epistemológica no materialismo histórico dialético, como a cultura corporal de movimento, a EFE, se torna conteúdo curricular obrigatório, considerando o corpo não apenas como uma unidade biológica e anatomofisiológica, mas como um corpo que participa da sociedade e que faz cultura (Soares, 1992). A abordagem da Cultura Corporal de Movimento está presente na BNCC, tendo como objetivo formar cidadãos capazes de usufruir, produzir e transformar a cultura corporal de movimento, a partir de tomadas de decisões éticas, autônomas, responsáveis e reflexivas (Brasil, 2018).
Conclusões parciais
Os autores pesquisados até então, ressaltam que a Educação Física Escolar no Brasil, sempre foi focada na técnica e eficiência. O contraponto do modelo tradicional de Educação Física, a partir das perspectivas críticas, a abordagem da cultura corporal de movimento, valoriza a formação crítica do indivíduo. Compreender essas teorias é fundamental para que se possam construir práticas pedagógicas mais conscientes, relevantes e transformadoras, capazes de promover o desenvolvimento integral dos alunos e alunas. Por fim, é preciso desconfiar de aspectos da cultura hegemônica presente em algumas propostas e convidar os professores a se tornarem curriculistas, investigando as lutas sociais, políticas e culturais do campo da Educação Física Escolar.
Referências
BARBOSA, Luciana Mara Tachini; FACCI, Marilda Gonçalves Dias. Contribuições da psicologia histórico-cultural para o ensino médio: conhecendo a adolescência. Psicologia da Educação. São Paulo, n. 47, p.47-55.2018.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/docman/abril-2018-pdf/85121-bncc-ensino-medio/file. Acesso em: 27 set. 2025.
MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito. 19a ed. Rio de Janeiro: Forense. 2022.
PAULO, Hugo Barbosa de; LAFETÁ, André Mendes; CARDOSO, Zilmar Santos. O outro lado do currículo oculto: educação como forma de dominação política no Brasil. Educação e Políticas em Debates. Uberlândia, v. 12, n. 3, p. 1338-1354. 2023.
PINHEIRO, Geslani Cristina Grzyb. Teoria curricular crítica e pós-crítica: uma perspectiva para a formação inicial de professores para a educação básica. Analecta. Guarapuava, v. 10, n.2, p. 11-25. 2009.
SILVA, Tomás Tadeu. da. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. 2 ed. Belo Horizonte, Autêntica, 2005.
SOARES, Carmem Lúcia Soares. Educação Física: raízes europeias e Brasil. 5ª ed. Autores Associados: Campinas. 2012.
SOARES, Carmem Lúcia; TAFFAREL, Celi Nelza Zulke; VARJAL, Elizabeth, FILHO, Lino Castellani; ESCOBAR, Micheli Ortega; BRACHT, Valter. Metodologia do Ensino de Educação Física. Editora Cortez: São Paulo. 1992.
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