Introdução
Este resumo tem por objetivo apresentar os dados preliminares da pesquisa realizada no âmbito do mestrado profissional Profei/Unimontes. Busca-se refletir acerca da pesquisa quantitativa realizada para delimitar o campo e os colaboradores da pesquisa.
As crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) costumam apresentar formas singulares de interagir com o mundo, o que exige da escola uma postura atenta e aberta a diferentes formas de ensinar e aprender. A abordagem histórico-cultural de Lev Vygotsky (2022) contribui significativamente para essa compreensão ao afirmar que o desenvolvimento humano acontece por meio das interações sociais e da mediação simbólica. Nessa perspectiva, a aprendizagem ocorre quando o sujeito é provocado a ir além do que consegue fazer sozinho, com o apoio de um adulto, ou seja, de professores para mediar a aprendizagem ou mesmo uma tecnologia.
Nesse sentido, o uso pedagógico de recursos midiáticos bem como as Mesas Educacionais Interativas, podem atuar como instrumentos que associam elementos visuais, sonoros e táteis em propostas lúdicas, possibilitando múltiplas formas de expressão e favorecendo a construção do conhecimento de maneira mais significativa. Como demonstrado no estudo de Nascimento (2015), o uso da mesa educacional alfabeto na Educação Infantil contribuiu para o avanço da leitura em crianças pequenas, inclusive em contextos de inclusão.
Contudo, para que essas tecnologias sejam utilizadas de forma efetiva, é essencial que os professores estejam preparados para reconhecer seu potencial pedagógico. No que diz respeito à formação docente, Gonçalves, Campos e Cia (2018) mencionam que é necessário considerar as experiências reais dos professores e fomentar práticas reflexivas que dialoguem com os desafios da inclusão. Já Oliveira (2022) reforça que a formação voltada à educação especial deve contribuir para a construção de uma postura crítica e propositiva por parte dos educadores, potencializando a aprendizagem. É a partir desses dados que investiu-se esforços para as análises preliminares da delimitação do campo de pesquisa.
Fundamentos Teóricos
Na rede municipal de Governador Valadares, a introdução de Mesas Educacionais Interativas vem sendo incorporada como uma tentativa de inovar as práticas e intervenções pedagógicas, e apoiar o trabalho com estudantes da educação especial e inclusiva, no caso aqui específico, os alunos com TEA. No entanto, ainda é reduzido o número de pesquisas que analisam como essas ferramentas estão sendo efetivamente utilizadas com alunos com TEA, quais são os desafios enfrentados pelos professores e como esses recursos tecnológicos impactam na aprendizagem desses estudantes.
A educação básica ainda enfrenta dificuldades quando se trata de formações que realmente ajudem os professores a entender e aplicar, de forma prática, o uso pedagógico das tecnologias em sala de aula. Mesmo com os esforços feitos por políticas públicas, percebe-se que ainda não foi possível garantir que todos os educadores, em todas as etapas da educação, se sintam seguros e bem-preparados para usar os recursos digitais de maneira significativa no processo de ensino e aprendizagem (Silva, 2019).
Portanto, é fundamental repensar as estratégias de formação docente, promovendo abordagens que considerem as experiências e desafios reais dos professores.
Nesse sentido Rego (2023) menciona que a tecnologia pode ser uma ponte entre o ensino e a inclusão. A autora investigou o uso das mesas educacionais interativas que em sua dissertação são chamadas “mesas digitais”. Mais do que explorar um novo dispositivo, a autora buscou entender como essa ferramenta interativa com jogos educativos e propostas lúdicas, poderia de fato, contribuir para a aprendizagem dos alunos do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Segundo ela, “as mesas digitais, ao promoverem experiências multissensoriais e colaborativas, demonstraram-se grandes aliadas no desenvolvimento cognitivo e social dos estudantes público-alvo da Educação Especial” (Rego, 2023, p. 45).
Esses fundamentos teóricos acima descritos agregados a outros ofereceram subsídios para viabilizar e aprofundar a pesquisa acerca do trabalho pedagógico com os recursos das mesas educacionais interativas com os alunos com TEA.
Metodologia
O percurso metodológico realizado até o momento foi a Pesquisa Exploratória em que se buscou identificar artigos, dissertações e teses produzidas acerca do tema proposto e também criar uma familiaridade com o tema. Segundo Severino (2013, p. 107) a pesquisa exploratória “busca apenas levantar informações sobre um determinado objeto, delimitando assim um campo de trabalho, mapeando as condições de manifestação desse objeto”.
Após o aprofundamento das leituras e do tema foi realizada uma Pesquisa de Levantamento. Esta pesquisa teve como objetivo levantar a amostra para o desenvolvimento do trabalho. Com essa ação foi possível ter uma visão geral e promover a delimitação do campo e sujeitos da pesquisa. Para isso, procurou-se a Secretaria Municipal de Educação de Governador Valadares e em seguida o Centro de Referência e Apoio à Educação Inclusiva (CRAEDI) que forneceu os dados quantitativos de alunos com TEA na rede municipal. Esses dados serviram para delimitar o grupo que será objeto do Estudo de Caso e fazer as primeiras análises do campo de pesquisa.
Análise de dados
A pesquisa de levantamento realizada no período de abril e maio de 2025 revelou número significativo da presença do Transtorno do Espectro Autista nas escolas da rede municipal. A seleção das unidades escolares foi possível a partir de visita técnica ao CRAEDI, onde foi recolhido dados fornecidos pelo centro de referência que apontou para um número bem expressivo de crianças diagnosticadas com TEA.
Observa-se que a E. M. “Y” possui atualmente 63 estudantes com TEA. Não temos os dados do nível de Autismo dessas crianças, mas este número revela que o diagnóstico na atualidade para essa condição humana evoluiu quanto a celeridade. Essa afirmação tem respaldo no número de laudos médicos entregues a instituição.
A E. M. “X” tem um número de 41 estudantes com TEA. Esse espectro segundo o DMS 5TR (2023) está classificado com transtorno do neurodesenvolvimento. Em sua maioria as pessoas com esse transtorno apresentam déficits de desenvolvimento ou diferenças nos processos cerebrais que podem prejudicar o funcionamento pessoal, social e acadêmico.
Na E. M. “W” foi a que revelou o número menor de estudantes com TEA, 16. No entanto, esse número ainda é elevado se comparar com o número de alunos matriculados na escola. O DMS 5 TR (2023) afirma que
O transtorno do espectro autista é caracterizado por déficits persistentes na comunicação social e interação social em vários contextos, incluindo déficits na reciprocidade social, comportamentos comunicativos não verbais usados em vários contextos, incluindo déficits na reciprocidade social, comportamentos comunicativos não verbais usados para interação social e habilidades no desenvolvimento, manutenção e compreensão de relacionamentos. Além dos déficits de comunicação social, o diagnóstico de transtorno do espectro autista requer a presença de padrões de comportamento, interesses ou atividades restritos e repetitivos.
O conceito acima descrito no DMS 5 TR (2023) classifica o autismo em 3 níveis. Sendo que no nível 1 o autista requer um apoio menos substancial enquanto o de nível 3 é o que precisa de um suporte e apoio mais substancial.
Esses dados preliminares do campo de pesquisa mostram o enorme desafio com os quais as escolas da rede municipal de Governador Valadares estão envolvidas. No entanto, o investimento na pesquisa nesse contexto ainda vai apontar como essa inclusão está ocorrendo. Essas crianças permanecem na escola? O aprendizado dessas crianças ocorre com equidade? Elas concluem o percurso de escolarização?
Considerações finais
Considera-se fundamental uma pesquisa exploratória e de levantamento de dados para avaliar a viabilidade dos investimentos que serão realizados pelo pesquisador. Após esse levantamento inicial foi feita a seleção das escolas que permitirão uma ampla análise da educação infantil. Isto é 7 crianças da pré-escola serão pesquisadas em duas turmas da E. M “W” e uma turma de primeiro ano do Ensino Fundamental Anos Iniciais da E. M. “Y”. Além delimitar a pesquisa sobre o trabalho realizado por meio das Mesas Educacionais Interativas com essas crianças será possível observar a transição da educação infantil para o ensino fundamental. A continuidade dessa pesquisa se dará também com a colaboração de 10 professores. Serão objeto de observação as interações entre docentes, discentes e os recursos tecnológicos sendo que a abordagem do Desenho Universal para a Aprendizagem (Cast, 2024) subsidiará a prática docente.
Comissão Organizadora
Congresso Internacional Educação e Diversidade
Júnea Tatiane Damasceno Oliveira
Éryka Jovania Pereira
Silvana Diamantino França
Juliane Leite Ferreira e Figueiredo
ALINE MARIA GONZAGA RUAS
Comissão Científica