JOGO DA MEMÓRIA TÁTIL: UMA EXPERIÊNCIA INCLUSIVA SOBRE A DEFICIÊNCIA VISUAL

  • Autor
  • Taisa Lacerda Santos
  • Co-autores
  • João Paulo da Silva Andrade , Stefany Balieiro Alves
  • Resumo
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    Resumo

    Este relato apresenta a experiência desenvolvida na disciplina Fundamentos da Educação Inclusiva, ministrada pelo professor João Paulo, no curso de Pedagogia da Unimontes- Campus Almenara. A atividade teve como tema a deficiência visual, estudada a partir do livro Educação Inclusiva – Seminário e Oficinas (NUNES, 2013), e se concretizou na elaboração de um plano de aula e de um recurso pedagógico adaptado: o jogo da memória tátil. A oficina ocorreu no dia 16 de setembro de 2025, em sala de aula, e contou com uma demonstração prática em que acadêmicas vendadas participaram da dinâmica, simulando a experiência de alunos com deficiência visual. Essa vivência possibilitou às participantes refletirem sobre a importância de estratégias inclusivas que utilizem diferentes sentidos, promovendo a aprendizagem significativa. A experiência evidenciou a relevância da disciplina na formação inicial de professores e reforçou a necessidade de práticas pedagógicas inclusivas no contexto escolar.

     

    Introdução

    A educação inclusiva busca garantir a participação de todos os estudantes, independentemente de suas condições físicas, sensoriais, intelectuais ou sociais. No contexto da disciplina Fundamentos da Educação Inclusiva, ministrada pelo professor João Paulo, as acadêmicas do curso de Pedagogia da UNIMONTES vivenciaram práticas pedagógicas voltadas para o atendimento das necessidades específicas de alunos com deficiência.
    O presente relato refere-se à oficina realizada com foco na deficiência visual, inspirada nos estudos de Nunes (2013), que destaca a importância de compreender as barreiras impostas pelo meio e de adotar estratégias pedagógicas que favoreçam a autonomia e a aprendizagem significativa.

    Fundamentos Teóricos

    A deficiência visual, de acordo com Brasil (2006), engloba tanto a cegueira quanto a baixa visão, exigindo adaptações pedagógicas que favoreçam a autonomia e a aprendizagem significativa. Nesse sentido, Sá, Campos e Silva (2007) destacam que o Atendimento Educacional Especializado (AEE) tem papel essencial em oferecer suporte adequado ao estudante, garantindo acesso ao currículo por meio de recursos específicos. Nunes (2013) reforça que a inclusão educacional vai além do acesso físico à escola, implicando em práticas pedagógicas diferenciadas e uso de recursos como materiais táteis e tecnológicos que promovam acessibilidade. Dessa forma, atividades que envolvem experiências sensoriais, como jogos táteis, permitem compreender a importância de estratégias que estimulem outros sentidos além da visão.

    Apresentação da experiência

    A oficina foi realizada em 16 de setembro de 2025, na sala de aula do Campus Almenara-Unimontes. Inicialmente, elaboramos um plano de aula fundamentado no conteúdo do capítulo sobre deficiência visual. O objetivo foi compreender como práticas pedagógicas acessíveis podem ser aplicadas na realidade escolar.

    Em seguida, confeccionamos um jogo da memória tátil, utilizando materiais variados (EVA, cetim, algodão, esponja, barbante, entre outros), de modo que cada par de cartas fosse diferenciado por sua textura. O recurso visou sensibilizar os participantes para a importância da percepção tátil no processo de aprendizagem de pessoas cegas ou baixa visão.

    Para demonstrar a aplicação do recurso, foram escolhidas duas acadêmicas que participaram da atividade vendadas, simulando a experiência de crianças com deficiência visual. Elas foram orientadas a encontrar os pares iguais do jogo, utilizando apenas o tato e a percepção de outros sentidos. A dinâmica permitiu que a turma observasse, na prática, as potencialidades e os desafios do uso de recursos pedagógicos acessíveis.
    Durante a socialização, discutimos como esse tipo de atividade pode ser incorporado às aulas do ensino regular e como contribui para a acessibilidade e a inclusão efetiva dos estudantes.

     

    Análise parcial dos resultados

    A experiência mostrou que práticas inclusivas, quando fundamentadas em recursos pedagógicos adaptados, contribuem para a efetiva participação de estudantes com deficiência visual. A demonstração prática, com acadêmicas vendadas, possibilitou maior sensibilização do grupo e ampliou a compreensão sobre os desafios enfrentados por esses alunos no cotidiano escolar. O jogo da memória tátil evidenciou o valor do trabalho colaborativo e da criatividade na elaboração de materiais didáticos. Além disso, destacou-se o papel do Atendimento Educacional Especializado (AEE), que deve oferecer suporte ao aluno por meio de recursos que favoreçam sua autonomia e seu acesso ao currículo (SÁ; CAMPOS; SILVA, 2007). Dessa forma, a oficina fortaleceu a compreensão de que a inclusão não se limita à matrícula, mas envolve estratégias concretas que assegurem a aprendizagem de todos.

    Conclusões

    O relato de experiência possibilitou articular teoria e prática, demonstrando como recursos simples podem promover inclusão. A confecção e aplicação do jogo da memória tátil, aliado à demonstração prática com acadêmicas vendadas, reforçou a importância da disciplina Fundamentos da Educação Inclusiva na formação inicial de professores, preparando-nos para lidar com a diversidade em sala de aula. Assim, concluímos que experiências como esta ampliam nossa sensibilidade, consciência crítica e compromisso com a construção de uma escola verdadeiramente inclusiva.

    Referências

    BRASIL. Saberes e práticas da inclusão: desenvolvendo competências para o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos cegos e de alunos com baixa visão. 2. ed. Brasília: MEC/SEESP, 2006.

    NUNES, Débora Regina de Paula. Educação Inclusiva. Natal: EDUFRN, 2013.

    SÁ, Elizabet Dias; CAMPOS, Izilda Maria de; SILVA, Myriam Beatriz Campolina. Atendimento Educacional Especializado: Deficiência Visual. São Paulo: MEC/SEESP, 2007.

    ORRICO, Helio; CANEJO, Elizabeth; FOGLI, Bianca. Uma reflexão sobre o cotidiano escolar de alunos com deficiência visual em classes regulares. In: GLAT, Rosana (Org.). Educação Inclusiva: cultura e cotidiano escolar. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2007.

     

     

  • Palavras-chave
  • Educação Inclusiva, Deficiência visual, Jogo da memória tátil, Formação docente.
  • Área Temática
  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
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