COENSINO E ALFABETIZAÇÃO INCLUSIVA: PRÁTICAS COLABORATIVAS ENTRE PROFESSORES REGENTES E DE AEE NO 1º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL

  • Autor
  • Patrícia Lima de Souza França
  • Co-autores
  • Maione Vieira Teixeira Souza , Bernarda Elane Madureira Lopes
  • Resumo
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    COENSINO E ALFABETIZAÇÃO INCLUSIVA: PRÁTICAS COLABORATIVAS ENTRE PROFESSORES REGENTES E DE AEE NO 1º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL

     

    Profa. Patrícia Lima de Souza França
    UNIMONTES

    professorapatricialimafranca@gmail.com

    Profa. Dra. Bernarda Elane Madureira Lopes

     UNIMONTES,
    elanemadureira@yahoo.com.br

    Maione Viera Teixeira Souza
    maionevieira2020@gmail.com

     

    Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente

    Palavras-chave: Alfabetização Inclusiva; Coensino/Colaborativo; Atendimento Educacional Especializado (AEE); Práticas Pedagógicas Inclusivas.

    Este estudo traz para seara do debate as implicações das práticas colaborativas no ciclo de alfabetização (1º ano do Ensino Fundamental). A alfabetização e a inclusão, indiscutivelmente, têm sido consideradas um dos maiores gargalos da Educação Básica. Esta pesquisa elucida algumas considerações pertinentes, a partir da análise em uma unidade escolar da rede municipal de São Gonçalo – RJ. Portanto, buscamos discutir de que maneira a atuação integrada dos docentes regentes de classes comuns de ensino e os professores que atuam no Atendimento Educacional Especializado – AEE contribui para uma alfabetização inclusiva, isto é, adoção de práticas que atendam todos os estudantes, independentemente de suas singularidades ou necessidades educativas especiais, para garantia do direito à alfabetização e que possam alfabetizar-se.

    Nesse sentido, a inclusão escolar representa um dos maiores desafios da educação contemporânea e é também uma necessidade que urge à educação no Brasil. Garantir que todos os estudantes tenham acesso ao processo de alfabetização é um direito constitucional. Como tal, inegociável e tem sido apregoado como um dos princípios fundamentais explícitos na Constituição Federal (Brasil, 1988) e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, 1996).

    Entretanto, destacamos que, apenas a garantia do direito como acesso, não necessariamente, configura a garantia de permanência e aprendizagem, tanto em relação à Educação Inclusiva como também a Alfabetização. E neste cenário, consiste na relevância das práticas pedagógicas inclusivas desenvolvidas por meio da parceria entre professores regentes do ensino comum e professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Esta articulação passa a ser entendida como estratégias essenciais para assegurar a aprendizagem significativa de alunos público-alvo da Educação Especial (PAEE).

    Portanto, partindo deste pressuposto é que o estudo investiga as implicações destas práticas colaborativas no ciclo de alfabetização (1º ano do Ensino Fundamental) em uma determinada escola da rede municipal de São Gonçalo – RJ, cujo objetivo consiste em evidenciar a importância  da atuação conjunta dos docentes e como tem se reverberado nos processos exitosos na inclusão educacional com vistas para à efetivação do direito à alfabetização de todos os estudantes pertencentes a uma determinada turma em contexto escolar.

    Pressupostos Teóricos para Fundamentação

    Para fundamentar esta temática recorremos à luz de referenciais teóricos que debatem, especialmente, a Educação Especial na perspectiva Inclusiva (Mendes, 2019; Pletsch, 2020), enfatizando as contribuições e impactos das articulações e estratégias viabilizadas pelo Coensino e/ou Ensino Colaborativo (Vilaronga, 2014), especialmente, no que tange as práticas pedagógicas articuladas, pensadas e planejadas no regime de colaboração entre os professores que atuam com os sujeitos público-alvo da inclusão escolar do ensino regular e do atendimento especializado.

    A abordagem do Coensino possibilita que diferentes expertises docentes se complementem, favorecendo a adaptação de estratégias pedagógicas às necessidades individuais dos alunos e promovendo um ambiente de aprendizagem mais equitativo e participativo.

    [...] A cooperação azeita a máquina de concretização das coisas, a partilha é capaz de compensar aquilo que nos falte individualmente. [...] o que se aplica particularmente quando lidamos com pessoas diferentes de nós; com elas, a cooperação torna-se um grande esforço. (Sennet, 2020, p. 9).

     

    Nesta perspectiva tanto a Alfabetização quanto a Educação Inclusiva demandam grandes esforços por parte dos agentes educacionais, sobretudo para promover as práticas pedagógicas adaptadas, atividades diferenciadas e acompanhamento contínuo do progresso dos estudantes inseridos neste processo, vislumbrando a valorização das singularidades no processo educacional.

    Para Pletsch (2013) em relação ao papel das salas de recursos multifuncionais e, especialmente, no âmbito do AEE, inevitavelmente, nos deparamos com as questões relacionadas aos recursos pedagógicos e estratégias adaptativas para atender as necessidades específicas dos estudantes e, aqui, aqueles inseridos nas turmas do ciclo de alfabetização. Para Soares (2020), a alfabetização é um pilar fundamental do desenvolvimento humano e social. A inclusão é um princípio fundamental da garantia dos direitos humanos e sociais (Mendes, 2006).

    Neste sentido, encontramos a relevância do Coensino, quando ele é compreendido como elemento central para a colaboração docente, permitindo que professores compartilhem responsabilidades, conhecimentos e metodologias de ensino, favorecendo uma abordagem pedagógica inclusiva e participativa (Vilaronga, 2014). Sendo assim, pensa-lo como abordagem teórica crucial para se articular as práticas professorais entre processos de alfabetização e processos de inclusão. Logo, as atividades colaborativas entre os professores regentes de classes comuns de ensino e os professores com atuação nos serviços do AEE se tornam medidas pensadas para proporcionar a Alfabetização Inclusiva.

    Metodologia

    A presente temática foi investigada a partir de uma pesquisa de campo de natureza qualitativa (Gil, 2008), com o uso da observação participante como principal procedimento metodológico. O foco consistiu em analisar os modos de articulação e interação estabelecidos entre professores regentes e docentes de Atendimento Educacional Especializado (AEE) em duas turmas do 1º ano do Ensino Fundamental I, nas quais os estudantes público-alvo da Educação Especial (PAEE) eram acompanhados integralmente por professoras de AEE.

    As observações revelaram divisão complementar de funções: à professora regente cabia organizar o espaço, conduzir atividades e acompanhar a turma com instruções acessíveis e estratégias de interação coletiva; à docente de AEE, a mediação individualizada do aluno PAEE, com adaptações de linguagem, recursos visuais e apoio constante, favorecendo compreensão e engajamento.

    Durante as atividades, a regente transmitia instruções gerais em linguagem simples e com recursos visuais, enquanto a docente de AEE reforçava de forma individualizada, com imagens, gestos e mediações diretas. Nos trabalhos coletivos, a regente organizava diferentes arranjos (grupos, duplas ou coletivos) visando a inserção do aluno, e a professora de AEE mediava, adaptando linguagem e recursos para garantir participação efetiva.

    Quanto à circulação, a regente acompanhava a turma, e a docente de AEE permanecia junto ao aluno PAEE quando a mediação era necessária, sem deixar de interagir com os demais, reforçando o ensino colaborativo.

    A mediação contínua da professora de AEE, tanto individual quanto em pequenos grupos, mostrou-se decisiva para um atendimento personalizado, ajustado ao ritmo e estilo de aprendizagem do estudante. Essa atuação contribuiu para o desenvolvimento da autonomia, fortalecimento de habilidades cognitivas e comunicativas e ampliação das interações sociais no coletivo da turma.

    Análise dos Resultados

    As observações preliminares indicam que, embora haja parceria entre professores regentes e de AEE, o coensino pleno ainda não se concretiza de forma sistemática. As professoras regentes lideram o planejamento diário e a execução das atividades, enquanto as professoras de AEE concentram-se no desenvolvimento do PEI e em adaptações curriculares, atuando de forma complementar. Essa dinâmica revela que o conceito de coensino — entendido como prática intencional e estruturada de ensino conjunto — ainda não está consolidado, permanecendo a colaboração como um apoio parcial ao trabalho pedagógico.

    Apesar das limitações observadas, a interação entre docentes demonstra a importância do compartilhamento de conhecimentos e estratégias pedagógicas, especialmente na adaptação de atividades para alunos com necessidades específicas. A análise documental evidencia que existem recursos e planejamentos voltados à inclusão, mas que sua implementação nem sempre ocorre de forma integrada no cotidiano da sala de aula.

    Conclusões Parciais

    O estudo preliminar evidencia que a inclusão efetiva no ciclo de alfabetização depende de um trabalho colaborativo estruturado entre professores regentes e de AEE, aliado à formação continuada, planejamento compartilhado e disponibilidade de recursos pedagógicos adaptados. A observação sistemática e a análise documental demonstram ser ferramentas essenciais para compreender a prática docente, identificar avanços e desafios e subsidiar a implementação de estratégias de coensino mais consistentes.

    Como resultado concreto do processo investigativo, está em desenvolvimento um produto educacional em formato de site interativo, destinado à formação continuada de professores.

     

    Apoio técnico e financeiro: Este estudo conta com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), por meio de bolsa de pesquisa concedida à autora.

  • Palavras-chave
  • Alfabetização Inclusiva; Coensino/Colaborativo; Atendimento Educacional Especializado (AEE); Práticas Pedagógicas Inclusivas.
  • Área Temática
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
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  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
  • Eixo 2 – Educação e Justiça Social: Identidades, Gênero e Relações Étnico-Raciais
  • Eixo 3 – Políticas Públicas e Gestão Educacional na Perspectiva Inclusiva
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
  • Eixo 5 – Educação do Campo, Indígena e Quilombola: saberes, territórios e direitos

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