Profa. Maione Vieira Teixeira Souza
Mestranda em Educação Inclusiva – PROFEI – Unimontes
E-mail:Maionevieira2020@gmail.com
Profa. Patrícia Lima de Souza França
Mestranda em Educação Inclusiva – PROFEI – Unimontes
professorapatricialimafranca@gmail.com
Profa. Dra. Bernarda Elane Madureira Lopes
Mestranda em Educação Inclusiva – PROFEI – Unimontes
elanemadureira@yahoo.com.br
Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
Palavras-chave: Relato; autismo; Ensino colaborativo.
Resumo Expandido
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem sido amplamente discutido no campo da Educação Especial, sobretudo no contexto da educação inclusiva. O aumento dos diagnósticos e a visibilidade das vivências escolares de estudantes autistas revelam tanto avanços quanto desafios para a construção de práticas pedagógicas acolhedoras e equitativas. Este estudo apresenta a trajetória escolar de uma estudante com TEA (nível 1 de suporte), também diagnosticada com Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) e Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). A escuta sensível de sua vivência permitiu identificar barreiras e conquistas significativas, destacando o papel das práticas pedagógicas, das relações interpessoais e das estratégias de acolhimento na construção de um ambiente escolar mais inclusivo. O objetivo do trabalho é relatar a experiência pedagógica com essa aluna e refletir sobre a importância da escuta ativa no reconhecimento das singularidades, como caminho para garantir o direito à educação com dignidade. O relato foi construído com base na observação do cotidiano escolar da estudante, especialmente durante as aulas de Língua Portuguesa, com ênfase na construção de vínculos afetivos e nas adaptações pedagógicas.
Fundamentos Teóricos
A presente pesquisa fundamenta-se em autores que refletem sobre os princípios da educação inclusiva, com ênfase no acolhimento das singularidades e na escuta sensível de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Mantoan (2006) ressalta que reconhecer e valorizar as diferenças é essencial para que cada estudante se perceba pertencente ao coletivo escolar e possa participar de maneira plena e significativa. Essa compreensão emergiu claramente no processo de escuta da aluna, cuja narrativa evidenciou não apenas suas dificuldades, mas também seus potenciais, desejos e modos próprios de aprender.
Nessa mesma perspectiva, Oliveira (2018) reforça que a escola tem o compromisso ético de implementar práticas pedagógicas que reconheçam a diversidade como um valor educativo. Para que a inclusão se efetive de forma genuína, é indispensável o envolvimento de toda a comunidade escolar, por meio de currículos acessíveis, avaliações adaptadas e abordagens que respeitem os diferentes ritmos, trajetórias e formas de expressão dos estudantes. Delevati (2012) complementa esse olhar ao defender a necessidade urgente de ruptura com o modelo tradicionalista ainda presente em muitas escolas. Em seu lugar, propõe uma pedagogia centrada na escuta ativa, no acolhimento das diferenças e na construção de práticas que partam das necessidades reais dos estudantes especialmente aqueles com deficiência ou transtornos do neurodesenvolvimento.
Embora reconheça os múltiplos desafios enfrentados pelas pessoas com autismo, Cunha (2017) argumenta que a escola constitui um espaço privilegiado para o desenvolvimento de habilidades, para o fortalecimento da autoestima e para a superação de barreiras. Contudo, esse processo requer a crença na capacidade dos estudantes e o empenho em construir práticas pedagógicas intencionais, afetuosas e verdadeiramente inclusivas. Dessa forma, os autores que fundamentam esta pesquisa asseguram teórica e eticamente que a inclusão não se limita à presença física de estudantes com deficiência na escola, mas exige transformações profundas nas formas de planejar, ensinar e se relacionar..
Metodologia
A pesquisa possui abordagem qualitativa, com foco na escuta sensível e na observação participante, características próprias de estudos que buscam compreender experiências singulares em contextos educativos. Trata-se de um relato de experiência fundamentado na prática docente, construído a partir do acompanhamento cotidiano de uma estudante com Transtorno do Espectro Autista (TEA), matriculada no 9º ano do Ensino Fundamental em uma escola pública municipal.
A escuta da aluna ocorreu em ambiente reservado, mediante autorização da escola e da família, assegurando o anonimato da participante e o respeito aos princípios éticos estabelecidos pela Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. A coleta de dados foi realizada por meio da observação direta em sala de aula, do diálogo com a estudante em formato de entrevista informal e acolhedora e de registros reflexivos sistematizados ao longo das interações escolares.
A análise do conteúdo foi guiada por referenciais teóricos voltados à inclusão escolar e às práticas afetivas, buscando interpretar os sentidos atribuídos pela aluna às suas vivências educacionais.
Análise dos Resultados
A análise dos dados desta pesquisa ocorreu por meio da escuta atenta, da observação participante e do registro sistemático das interações vivenciadas com a estudante com TEA. As informações foram organizadas a partir de episódios significativos do cotidiano escolar, especialmente em momentos de aula, diálogos espontâneos e situações de mediação pedagógica. A escuta sensível da aluna revelou aspectos que não seriam perceptíveis apenas pela observação externa. Em entrevista informal, a estudante destacou: “me sinto melhor quando a professora entende o meu jeito e espera eu terminar de falar”. Essa fala evidencia que o tempo de resposta e o respeito ao ritmo singular funcionam como recursos pedagógicos fundamentais
Também foi possível identificar suas angústias diante de estímulos sensoriais e situações de agitação, nas quais buscava estratégias próprias de autorregulação ou apoio direto da professora. Quando suas necessidades eram acolhidas, observou-se um processo gradual e transformação. Esses dados dialogam diretamente com o objetivo do estudo, pois demonstram que a escuta ativa não se restringe a identificar dificuldades, mas atua como mediadora de aprendizagens. Esses achados foram interpretados à luz dos referenciais de Mantoan (2006), Oliveira (2018) e Cunha (2017), que destacam a importância do reconhecimento das diferenças e da construção de uma cultura escolar verdadeiramente inclusiva, sustentada por práticas afetivas, colaborativas e intencionais.
Conclusões Parciais
A experiência vivenciada com a aluna com TEA demonstrou que a escuta sensível é uma ferramenta poderosa na construção de uma prática pedagógica inclusiva. Ouvir, perceber e acolher as reações, os sentimentos e os modos singulares de aprender de cada estudante é um compromisso que ultrapassa as obrigações técnicas da docência. Os resultados indicam que estratégias como flexibilização de tarefas, mediação empática e valorização do ritmo individual da aluna possibilitaram não apenas sua participação acadêmica, mas também a ampliação de sua autoconfiança. Ao afirmar que “me sinto melhor quando a professora entende o meu jeito”, a estudante trouxe à tona a centralidade da afetividade no processo inclusivo, reforçando a conexão entre teoria e prática.
No contexto da Educação Especial na perspectiva inclusiva, garantir o acesso, a permanência, a participação e o sucesso escolar de alunos neurodivergentes não é um ato de bondade, mas um direito inegociável. Isso exige dos educadores atenção constante às especificidades, disponibilidade para rever práticas e abertura para o trabalho colaborativo. Assim, pode-se concluir que os objetivos traçados foram alcançados, na medida em que a pesquisa evidenciou a escuta ativa como mediadora de aprendizagens e promotora de pertencimento. O relato mostrou que a inclusão não se limita ao espaço físico da sala de aula, mas exige práticas intencionais que assegurem condições reais de aprendizagem e vínculos afetivos duradouros.
Esse relato evidencia que transformar a escola em um espaço de pertencimento passa pela escuta ativa, pelo reconhecimento da singularidade de cada aluno e pela intencionalidade pedagógica.
Apoio técnico e financeiro:
Esta pesquisa não recebeu financiamento externo, sendo realizada com recursos próprios da autora.
Comissão Organizadora
Congresso Internacional Educação e Diversidade
Júnea Tatiane Damasceno Oliveira
Éryka Jovania Pereira
Silvana Diamantino França
Juliane Leite Ferreira e Figueiredo
ALINE MARIA GONZAGA RUAS
Comissão Científica