IMPLICAÇÕES DAS AVALIAÇÕES EXTERNAS NAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DAS ESCOLAS ESTUDUAIS DA CIDADE DE CÔNEGO MARINHO-MG

  • Autor
  • Pedro Henrique Torres Bezerra
  • Co-autores
  • Railma Aparecida Cardoso Marinho
  • Resumo
  • Introdução

    A intenção de pesquisar sobre essa temática surge quando me torno professor da educação básica, atuando nos anos finais do ensino fundamental e médio. O primeiro contato com a escola como profissional ocorreu em tempos de aplicação das avaliações externas. Pude perceber o quanto há um trabalho rigoroso por trás dessas avaliações, desde a elaboração, distribuição e, principalmente, no que se refere ao momento de aplicação. Foi nesse exato momento em que me vi envolvido por esse trabalho que surge o desejo de pesquisar de forma mais detalhada a respeito da temática. AVALIAR é algo inerente ao cotidiano das pessoas. Todo ser humano passa por avaliações ao longo de suas vidas, sejam elas informais ou formais. Avaliar é o processo central para o planejamento e tomadas de decisões com base nos resultados obtidos. Sousa e Lopes (2024) nos asseguram que a avaliação se torna tema central quando falamos em educação. Assim, ela deve ser vista como fonte potente para o planejamento de ações, financiamento educacional, base para a construção do currículo e para garantir uma boa gestão educacional. Indissociável da educação, a avaliação possui um grande poder de modificar, inserir ou até mesmo extinguir interpretações, ações e contextos criados que podem ser ou não favoráveis ao contexto educacional. Além disso, pode interferir diretamente na disseminação de conhecimentos, na autonomia e exercício livre da crítica, do uso da ciência, da arte e da natureza. Analisar/estudar as diferentes concepções que autores trazem a respeito das avaliações é fundamental para compreender como esse processo complexo, de fundamental importância para a gestão educacional e a garantia de sua qualidade, implica na prática. À luz de Luckesi, Melchior, Sant’anna, Sousa; Lopes, Freitas e demais autores, a presente pesquisa buscou essa compreensão e como essas avaliações implicam na prática pedagógica nas escolas públicas estaduais da cidade de Cônego Marinho-MG.

    Fundamentos Teóricos

    As avaliações externas têm se consolidado como ferramentas centrais no monitoramento da qualidade educacional, influenciando diretamente as políticas públicas, as práticas pedagógicas e a gestão escolar. No entanto, seu impacto nas práticas pedagógicas e no processo de ensino-aprendizagem suscita amplas reflexões. A presente pesquisa, de natureza qualitativa, apoiou-se na revisão bibliográfica de autores consagrados na temática, buscando um aprofundamento sobre o assunto abordado à luz de Perrenoud (1999), Franco et al. (2001), Sant’anna (2002), Esteban et al. (2002), Luckesi (2002), Freitas et al. (2009); Sousa; Lopes (2024) e demais autores. Para Luckesi (2023, p. 30) “a avaliação é o ato que nos possibilita a identificação da qualidade dos resultados da ação executada, subsidiando nossas decisões, seja para colher a realidade com a qualidade obtida, seja para subsidiar novas decisões”.

    A avaliação não deve ser vista apenas como um ato de mensuração. Luckesi (2023) mostra que a avaliação não deve ser aplicada apenas para avaliar por avaliar, ela deve assumir um papel central no planejamento, visando ao aprimoramento das ações executadas e servindo também como base de orientações criteriosas que visem à qualidade da educação ofertada. Segundo Esteban et al (2002, p. 134) “ a avaliação faz parte do ato educativo, do processo de aprendizagem. Avalia-se para diagnosticar avanços e entraves, para intervir, agir, problematizando, interferindo e redefinindo os rumores e caminhos a serem percorridos”.

    As avaliações devem ser vistas como parte do ato educativo, visando ao desenvolvimento do aluno. Para tanto, ela deve servir como fonte de informações que mostrem os avanços significativos e os entraves que prejudicam a aprendizagem. Após a coleta de dados, por meio da problematização, todos os envolvidos devem poder buscar formas de agir na reformulação dos caminhos percorridos. De acordo com Sousa e Lopes (2024), as avaliações em larga escala são um instrumento global de acompanhamento das redes de ensino e que se consolidaram como uma das principais estratégias de aferição da qualidade educacional no Brasil. Tal prática tem por objetivo mensurar o desempenho dos estudantes em áreas específicas do conhecimento, subsidiar políticas públicas e promover a responsabilização dos sistemas educacionais. Deve ser entendida como um instrumento imparcial e padronizado de julgamento dos diferentes níveis e etapas da escolarização e da aprendizagem dos alunos, ultrapassando a concepção restrita de avaliação meramente informativa do desempenho individual do estudante. As avaliações externas propiciam, também, a análise crítica das metodologias adotadas nas escolas e a eficácia no desenvolvimento do ensino e dos currículos, que são os norteadores das práticas pedagógicas e do sistema de ensino, responsável pela gestão da educação pública no Brasil. Para Marinho (2010, p. 62):

    A atividade de avaliação não é uma atividade isolada e autossuficiente. Ela é uma das etapas no processo de planejamento das políticas públicas e programas governamentais: gera informações que devem possibilitar novas escolhas; analisa resultados que podem sugerir a necessidade de reorientação das ações para o alcance dos objetivos traçados.

    Marinho (2010), ao afirmar que a avaliação não é uma atividade isolada e autossuficiente, rompe com a visão reducionista que a entende apenas como verificadora de resultados. As avaliações externas devem ser compreendidas como parte do processo educacional

    que subsidiam políticas públicas na construção de uma educação que de fato alcance seus objetivos.

    Metodologia

    A presente pesquisa teve como objetivo compreender quais as implicações das avaliações externas na prática pedagógica das escolas estaduais de Cônego Marinho-MG. O presente trabalho monográfico, de natureza qualitativa, adotou a pesquisa de campo como estratégia para compreender quais as implicações das avaliações externas na prática pedagógica. O levantamento de dados foi realizado por meio de questionários, com 8 (oito) perguntas abertas, aplicados para professores dos anos iniciais do ensino fundamental, para os especialistas da educação básica e para os gestores das instituições.

    Análise de dados

    Com base na análise dos dados obtidos, fica evidente que as avaliações ocupam um grande espaço nas escolas, influenciando as práticas pedagógicas dos professores, a tomada de decisões da equipe gestora e pedagógica e o processo de ensino-aprendizagem dos alunos. Ademais, demonstrou também que as avaliações externas precisam ser refletidas e articuladas às avaliações internas para que de fato reflitam a realidade das escolas e dos alunos que nelas se encontram. Assim, elas se tornarão verdadeiramente significativas para o processo de ensino-aprendizagem dos alunos, dos resultados das escolas, da equipe pedagógica e da comunidade.

    Conclusões

    Ao longo deste trabalho, foi possível perceber que as avaliações externas exercem influência direta no cotidiano escolar, especialmente no planejamento pedagógico e nas práticas avaliativas dos professores. Os dados levantados mostraram que, embora essas avaliações sejam utilizadas como referência para identificar dificuldades de aprendizagem e direcionar intervenções, ainda existem muitos desafios a serem enfrentados. Entre eles, destacam-se a falta de formação adequada para avaliar, o desinteresse dos alunos em sua realização e a sobrecarga de avaliações ao longo do ano letivo. Ficou evidente também que muitos professores aprendem a avaliar no dia a dia, com base na prática e em iniciativas próprias de formação, o que reforça a importância de políticas públicas que garantam uma formação inicial de qualidade e mais investimentos em formação continuada. Portanto, conclui-se que as avaliações externas podem ser aliadas ao processo de ensino-aprendizagem, desde que sejam utilizadas com intencionalidade pedagógica e acompanhadas de ações que respeitem a autonomia docente e o direito dos estudantes a uma educação de qualidade.

  • Palavras-chave
  • Avaliação Educacional. Avaliação Externa. Currículo. Prática pedagógica. Políticas Públicas Educacionais.
  • Área Temática
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
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  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
  • Eixo 2 – Educação e Justiça Social: Identidades, Gênero e Relações Étnico-Raciais
  • Eixo 3 – Políticas Públicas e Gestão Educacional na Perspectiva Inclusiva
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
  • Eixo 5 – Educação do Campo, Indígena e Quilombola: saberes, territórios e direitos

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