Introdução
A Análise do Comportamento, fundamentada no Behaviorismo Radical, busca compreender como estímulos, respostas e consequências moldam o comportamento humano (Baum, 2019). Aplicada à educação, principalmente no ensino superior, essa abordagem oferece recursos para o processo de ensino-aprendizagem. O estudo busca verificar a presença e influência da Análise do Comportamento nesse nível de ensino, destacando conceitos importantes (Kubo; Botomé, 2001).
Fundamentos Teóricos
A teoria da aprendizagem do Behaviorismo Radical sustenta que comportamentos podem ser adquiridos e modificados por contingências de reforço (Catania, 1999). O comportamento operante explica a relação entre estímulos antecedentes, respostas e consequências, que podem ser reforçadas ou punidas em esquemas contínuos ou intermitentes (Carrara, 2008; Millenson, 1967). Entre os modelos inspirados nesses princípios, destacam-se: o Sistema Personalizado de Ensino (PSI), que organiza conteúdos em unidades menores, respeita o ritmo individual, utiliza tutores e feedback imediato (Todorov; Moreira; Martone, 2009); e a Programação de Condições para o Desenvolvimento de Comportamentos (PCDC), que estrutura sequências graduais para progressão de repertórios (Sahão et al., 2022).
Metodologia
É um estudo bibliográfico do tipo estado da arte, que consiste na sistematização de produções científicas a fim de integrar resultados e oferecer um panorama atualizado sobre o tema (Romanowski & Ens, 2006). A busca foi realizada em bases como a Associação Brasileira de Análise do Comportamento (ACBr), Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva (RBTCC), Revista Brasileira de Análise do Comportamento (ReBAC) e no portal da Universidade Estadual de Londrina (UEL), utilizou-se a palavra-chave “ensino superior”. Foram incluídos textos publicados entre 2019 e 2025 que relacionassem análise do comportamento e ensino superior. Foram excluídos capítulos de livros e livros, resumos simples, estudos duplicados e produções que não se relacionassem a temática, resultando em sete estudos analisados qualitativamente. Ressalta-se que textos anteriores a esse período, como Romanowski & Ens (2006), foram utilizados apenas para embasamento teórico e conceitual da metodologia.
Análise parcial dos resultados
Os textos evidenciaram que a aplicação de princípios analítico-comportamentais no ensino superior favorece a eficácia do processo de aprendizagem, promovendo maior autonomia e participação ativa dos estudantes. O PSI mostrou-se eficaz ao permitir que o estudante avance em seu próprio ritmo, com domínio progressivo dos conteúdos e feedback constante (Moreira, 2022; Mendes et al., 2021). Já a PCDC destacou-se ao estruturar programas de ensino baseados em comportamentos-objetivo e etapas sequenciais, permitindo melhor adaptação às necessidades dos discentes (Freitas; Sahão; Fieldkircher, 2021). Além do PSI e do PCDC, pesquisas apontaram a importância da preparação docente, pois alguns programas de pós-graduação priorizam a produção científica em detrimento da formação pedagógica (Luca et al., 2022). Também foram encontrados desafios para a implementação dos programas, como limitações institucionais, cronogramas rígidos e avaliações quantitativas. Ainda assim, os resultados foram majoritariamente positivos, revelando maior participação, motivação e aprendizagem significativa por parte dos estudantes.
Conclusões parciais
A interseção entre a Análise do Comportamento e o ensino superior mostra-se promissora para a transformação das práticas pedagógicas. Programas como o PSI e o PCDC oferecem recursos que favorecem a autonomia discente, a adaptação ao ritmo de aprendizagem e o uso de feedback imediato. Embora barreiras institucionais ainda dificultam sua aplicação integral, os benefícios observados superam os desafios, reforçando a necessidade de investir na formação docente e em políticas educacionais que valorizem práticas baseadas em evidências.
Comissão Organizadora
Congresso Internacional Educação e Diversidade
Júnea Tatiane Damasceno Oliveira
Éryka Jovania Pereira
Silvana Diamantino França
Juliane Leite Ferreira e Figueiredo
ALINE MARIA GONZAGA RUAS
Comissão Científica