EQUIVALÊNCIA DE ESTÍMULOS COMO ESTRATÉGIA DE ENSINO: CONTRIBUIÇÕES DA ANÁLISE DO COMPORTAMENTO PARA A AQUISIÇÃO DA LEITURA

  • Autor
  • Stella Maris Mesquita de Assis
  • Co-autores
  • Ester de Souza Batista Corrêa , Maria Alice Santos Costa
  • Resumo
  • Introdução

    A alfabetização nas escolas carrega marcas históricas de sua origem na industrialização, período em que a leitura e a escrita eram ensinadas de forma mecânica, voltadas à preparação para o trabalho, sem considerar a diversidade dos alunos e seus diferentes estágios de aprendizagem (FERREIRA; DIAS, 2002). Contudo, o domínio dessas habilidades é fundamental para a autonomia, o acesso à informação e a construção de significados individuais. Nesse cenário, metodologias fundamentadas na Análise do Comportamento, como a equivalência de estímulos, apresentam-se como alternativas eficazes para superar limitações do ensino tradicional. Ao estimular a formação de repertórios conectados, favorecem aprendizagens mais significativas e flexíveis (PAULA; HAYDU, 2010). Assim, o estudo busca evidenciar o potencial da equivalência de estímulos para ampliar a autonomia e a eficácia no processo de alfabetização.

    Fundamentos Teóricos

    A equivalência de estímulos estabelece relações condicionais entre estímulos e respostas, permitindo aprendizagens sem ensino direto (SILVA; GAGLIOTTO; NAZAR, 2021). Os paradigmas de reflexividade, simetria e transitividade possibilitam a formação de redes complexas de repertórios linguísticos (CEDRO; PASSARELLI; HUZIWARA, 2014). Nesse contexto, o método Matching to Sample (MTS) aplica tentativas discretas para reforçar respostas corretas e consolidar relações (GOMES; HANNA; SOUZA, 2015). Outro exemplo é o programa Aprendendo a Ler e Escrever em Pequenos Passos (ALEPP) que organiza o ensino em módulos com palavras regulares, irregulares e textos curtos, promovendo progressão gradual da leitura e da escrita (GONÇALVES et al., 2022). Essas metodologias ampliam as práticas pedagógicas ao associar reforços positivos à construção de repertórios complexos, adaptando-se às diferentes necessidades educacionais.

    Metodologia

    O estudo realizou uma revisão integrativa da literatura, conforme SOUZA, SILVA e CARVALHO (2010). A busca foi conduzida em julho de 2025, nas bases BVS, SciELO e ReBAC, utilizando os descritores “equivalência de estímulos” AND “leitura”. Foram incluídos artigos científicos de livre acesso, publicados entre 2013 e 2025, que tratassem da relação entre equivalência de estímulos e alfabetização. Excluíram-se materiais audiovisuais, dissertações, teses, capítulos e estudos não pertinentes. A seleção ocorreu em três etapas: títulos, resumos e leitura integral, aplicando-se os critérios de forma rigorosa. Ao final, foram selecionados dez artigos para análise.

    Análise parcial dos resultados

    Os resultados indicaram que metodologias baseadas na equivalência de estímulos favorecem a decodificação textual e a integração entre linguagem oral e escrita (MOROZ et al., 2017). O método MTS mostrou eficácia na formação de repertórios básicos de leitura, enquanto o ALEPP apresentou avanços em palavras familiares e textos curtos (GONÇALVES et al., 2022). Evidenciaram-se benefícios em diferentes públicos: crianças em alfabetização, adultos, idosos, usuários de implante coclear (ANASTÁCIO-PESSAN et al., 2015), pessoas com autismo (MILLAN; POSTALLI, 2019) e indivíduos com deficiência intelectual (MUTO; POSTALLI, 2022). Essa amplitude confirma a versatilidade da metodologia, contribuindo para a leitura e a inclusão social. Contudo, ainda são necessários estudos que explorem sua aplicação em larga escala no ensino regular.

    Conclusões parciais

     

    O estudo destaca a importância de repensar os métodos de alfabetização, valorizando abordagens que considerem a diversidade dos alunos e favoreçam aprendizagens flexíveis. A equivalência de estímulos, fundamentada na Análise do Comportamento, mostrou-se promissora na promoção da leitura em diferentes contextos, consolidando-se como alternativa eficaz às práticas tradicionais. Os resultados evidenciam ganhos na autonomia e no desempenho acadêmico, além da necessidade de formação docente e de novas pesquisas sobre sua aplicabilidade em contextos escolares.

     

    Referências

    ANASTÁCIO-PESSAN, F. L. et al. Usando o paradigma de equivalência para aumentar a correspondência na fala de crianças com implante coclear na nomeação de figuras e na leitura. Psicologia Reflexão e Crítica, v. 28, n. 2, p. 365-377, 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/j/prc/a/hxvy5R6RsvFt5mnLN8VhcWb/?lang=pt#.

    Acesso em: 19 ago. 2025.

     

    CEDRO, A. M.; PASSARELLI, A. C. P. M.; HUZIWARA, E. M. Um panorama de estudos nacionais sobre a aquisição de nomeação em procedimentos com equivalência de estímulos e usuários de implante coclear. Revista Brasileira de análise do

    Comportamento, v. 10, n. 1, p. 84-96, 2014. Disponível em:

    https://periodicos.ufpa.br/index.php/rebac/article/view/2552/2757. Acesso em: 19 ago. 2025.

     

    FERREIRA, S. P. A.; DIAS, M. G. B. B. A escola e o ensino da leitura. Psicologia em Estudo, v. 7, n. 1, p. 39-49, 2002. Disponível em:

    https://www.scielo.br/j/pe/a/XXZFPzyfyJyWpG4qxCLkbLw/?format=pdf&lang=pt.

    Acesso em: 10 jul. 2025.

     

    GOMES, C. G. S.; HANNA, E. S.; SOUZA, D. G. Ensino de relações entre figuras e palavras impressas com emparelhamento multimodelo a crianças com autismo. Revista

    Brasileira de análise do Comportamento, v. 11, n. 1, p. 24-36, 2015. Disponível em:

    https://periodicos.ufpa.br/index.php/rebac/article/view/1975/3801. Acesso em: 25 jul. 2025.

     

    GONÇALVES, D. C. et al. Efeitos da familiaridade da palavra no desenvolvimento de ditado em leitores iniciantes. Revista Brasileira de análise do Comportamento, v. 18,

    n. 2, p. 1-12, 2022. Disponível em:

    https://periodicos.ufpa.br/index.php/rebac/article/view/13629/9468. Acesso em: 03 set. 2023.

     

    MILLAN, A. E.; POSTALLI, L, M. M. Ensino de habilidades rudimentares de leitura para alunos com autismo. Revista Brasileira de Educação Especial, v. 25, n. 1, p. 133-

    154, 2019. Disponível em:

    https://www.scielo.br/j/rbee/a/FhpphVB8jMs679PrxkgwTjj/?lang=pt#. Acesso em: 09

    ago. 2025.

     

    MUTO, J. H. D.; POSTALLI, L. M. M. Teaching reading and writing to students with intellectual disabilities based on stimulus equivalence instruction. Psicologia: Teoria e Prática, v. 24, n. 1, p. 1-16, 2022. Disponível em:

    https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1434139. Acesso em: 13 ago. 2025.

     

    PAULA, J. B. C.; HAYDU, V. B. Revisão bibliográfica de pesquisas brasileiras sobre equivalência de estímulos. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 26, n. 2, p. 281-294, 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ptp/a/wg5m4PzrVLkTpwhvJnZb5GF/?lang=pt#.

    Acesso em: 27 jul. 2025.

     

    SILVA, G. B.; GAGLIOTTO, G. M.; NAZAR, T. C. G. Equivalência de estímulos e ensino de leitura: características dos participantes de estudos empíricos brasileiros de 2008 a 2017. Psicologia da Educação, v. 53, p. 45-54, 2021. Disponível em:

     

    https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1426313. Acesso em: 28 ago. 2025.

     
  • Palavras-chave
  • Alfabetização. Leitura. Metodologias de Ensino.
  • Área Temática
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