UMA NOVA PERSPECTIVA DA LITERATURA INDÍGENA NO ENSINO MÉDIO

  • Autor
  • Erica Alexsandra Silveira Ferreira
  • Co-autores
  • Patrícia Lopes da Silva , Ilca Vieira de Oliveira , Viviane Alves Gomes Rocha , Tânia Cardoso da Silva , Joyce Hellen Sena Macedo
  • Resumo
  • Na educação brasileira, observa-se uma lacuna significativa no ensino crítico da literatura indígena, tema ainda pouco abordado no ensino básico. A maioria dos textos presentes nos livros didáticos é de autoria branca, o que limita a diversidade e a representatividade cultural. Essa ausência contribui para a manutenção de estereótipos e para a invisibilização das vozes indígenas no ambiente escolar. Diante desse cenário, este trabalho relata as atividades desenvolvidas no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID/Unimontes/Capes), em 2025, na Escola Estadual Dulce Sarmento, com o objetivo de promover uma leitura diversa e analítica da literatura indígena para alunos do 2º ano do ensino médio. A iniciativa buscou ampliar o repertório literário dos estudantes, valorizando a produção indígena e estimulando o pensamento crítico acerca das representações culturais. A oficina pedagógica foi fundamentada no texto “Letramento Literário: Teoria e Prática” (COSSON, 2014), que propõe a metodologia da sequência didática composta por quatro etapas: motivação, introdução, leitura e interpretação. Essa abordagem visa estimular o engajamento dos alunos e a compreensão crítica dos textos literários, promovendo o letramento literário por meio de práticas colaborativas e reflexivas. A sequência didática permite que os estudantes se apropriem dos conteúdos de forma gradual e significativa, favorecendo a construção de sentidos e a problematização dos temas abordados. Além disso, a metodologia valoriza a diversidade de linguagens e formatos, o que foi explorado na oficina por meio do uso de quadrinhos e produções audiovisuais. A partir do conteúdo sobre o período Indianista no Brasil, os pibidianos organizaram uma oficina dinâmica para o reconhecimento da literatura indígena brasileira. Na primeira etapa, realizou-se uma leitura coletiva dos textos: “O Guarani” (José de Alencar, 1857), “I-Juca Pirama” (Gonçalves Dias, 1851), o conto “O Roubo do Fogo” (Daniel Munduruku, 2005) e o conto “A Avó do Mundo” (Eliane Potiguara, 2022). Para reforçar o interesse, foram utilizados quadrinhos (HQ’s) relacionados a alguns textos, tornando a atividade mais lúdica e acessível. Essa multimodalidade contribuiu para a aproximação dos alunos com os conteúdos, facilitando a compreensão e despertando a curiosidade. A diversidade dos textos selecionados permitiu abordar diferentes perspectivas sobre o indígena, desde a idealização romântica até a voz autêntica dos autores indígenas contemporâneos. Na segunda etapa, promoveu-se uma roda de conversa sobre as obras, destacando as diferenças entre os textos escritos por autores brancos no período indianista e os de autores indígenas contemporâneos. Os alunos discutiram a visão idealizada do indígena como herói europeu em Alencar, a evolução dessa imagem em Gonçalves Dias e a representação da realidade indígena, marcada pela ligação com a natureza, nos textos de Munduruku e Potiguara. Essa discussão possibilitou a compreensão da importância da literatura indígena para a cultura brasileira, evidenciando como as narrativas podem reforçar ou desconstruir estereótipos. O espaço aberto para que os alunos expressassem suas perspectivas contribuiu para o desenvolvimento do pensamento crítico e para a valorização da diversidade cultural. Na terceira etapa, os alunos realizaram a leitura individual dos textos, aprofundando a análise pessoal e refletindo sobre as temáticas abordadas. Essa etapa foi fundamental para que cada estudante pudesse construir seu próprio entendimento, relacionando os conteúdos com suas experiências e conhecimentos prévios. Na quarta etapa, foram divididos em quatro grupos para produzir vídeos que apresentassem os conteúdos estudados de forma criativa, utilizando elementos de sua realidade, como formatos de programas de TV e encenações teatrais. Essa produção multimodal permitiu que os alunos expressassem sua compreensão de maneira inovadora, integrando diferentes linguagens e habilidades. As atividades promoveram uma participação ativa e entusiasmada dos estudantes, que desenvolveram a capacidade de reflexão crítica sobre a temática indígena. A oficina criou um ambiente colaborativo, no qual os alunos foram protagonistas do processo de aprendizagem, ampliando seu letramento literário. A apresentação coletiva dos textos favoreceu maior engajamento, compreensão e interesse pelo conteúdo estudado. Além disso, a utilização de recursos lúdicos e multimodais contribuiu para a motivação dos alunos, tornando o aprendizado mais significativo e prazeroso. Conclui-se que a oficina contribuiu efetivamente para o processo de ensino-aprendizagem, ao proporcionar contato com diferentes perspectivas sobre a temática indígena. Os alunos puderam avaliar criticamente os textos, identificando os contextos de produção e as práticas discursivas presentes. Essa experiência reforça a importância de incluir a literatura indígena no currículo escolar, promovendo a diversidade cultural e o pensamento crítico. A iniciativa demonstra que práticas pedagógicas inovadoras e contextualizadas são essenciais para a formação de cidadãos conscientes e respeitosos das múltiplas identidades que compõem a sociedade brasileira.

     

  • Palavras-chave
  • narrativa brasileira, Literatura indígena, multimodalidade, roda de conversa.
  • Área Temática
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
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  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
  • Eixo 2 – Educação e Justiça Social: Identidades, Gênero e Relações Étnico-Raciais
  • Eixo 3 – Políticas Públicas e Gestão Educacional na Perspectiva Inclusiva
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
  • Eixo 5 – Educação do Campo, Indígena e Quilombola: saberes, territórios e direitos

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