Introdução
A educação é um direito de todos, mesmo para crianças e adolescentes afastados temporariamente da escola devido a doenças. Nessa perspectiva surge a Pedagogia Hospitalar, que assegura a continuidade do processo de ensino-aprendizagem em ambientes de saúde, seja por meio de classes hospitalares ou do atendimento pedagógico domiciliar. Essa modalidade não apenas garante o vínculo com a escola de origem, como também contribui para a manutenção da autoestima e para a reinserção escolar após o tratamento. A pergunta que norteia este estudo é: de que forma o pedagogo atua no hospital e quais são os principais desafios enfrentados nesse espaço não escolar?
Fundamentos teóricos
O atendimento educacional em hospitais está amparado por legislações como o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), a LDB (Lei nº 9.394/1996) e pelo documento Classe hospitalar e atendimento pedagógico domiciliar (MEC, 2002). Essas normativas asseguram o direito de crianças e adolescentes hospitalizados à continuidade de seus estudos, mesmo em contextos de afastamento da escola regular. De acordo com Dias e Rodrigues (2020), a Pedagogia Hospitalar amplia o campo de atuação do pedagogo para além da escola, demandando que ele planeje, adapte conteúdos e estabeleça estratégias que favoreçam a aprendizagem em um ambiente de cuidado. Montanari e Silva (2017) destacam que, apesar de haver respaldo legal, a classe hospitalar ainda é pouco explorada no Brasil e carece de formações específicas para os profissionais que nela atuam. As autoras defendem práticas pedagógicas que contemplem tanto o aspecto cognitivo quanto o afetivo, utilizando a escuta pedagógica sensível e o fortalecimento da afetividade como ferramentas para motivar a aprendizagem e auxiliar no enfrentamento da hospitalização. Dessa forma, a Pedagogia Hospitalar representa não apenas uma medida de continuidade educacional, mas também de inclusão e humanização, prevenindo o fracasso escolar e reconhecendo a criança hospitalizada como sujeito de direitos (DIAS; RODRIGUES, 2020; MONTANARI; SILVA, 2017).
Metodologia
O trabalho se baseou em uma pesquisa qualitativa de caráter bibliográfico. Foram analisados artigos, legislações e livros que discutem a Pedagogia Hospitalar, sua regulamentação, práticas e desafios. A análise buscou compreender como a atuação do pedagogo em hospitais vem sendo tratada na literatura e quais são as lacunas e perspectivas desse campo.
Análise parcial dos resultados
Os estudos apontam que, apesar da garantia legal, a prática da Pedagogia Hospitalar ainda é pouco explorada no Brasil. Faltam formações específicas nos cursos de pedagogia, há escassez de recursos pedagógicos nos hospitais e, muitas vezes, resistência por parte de profissionais da saúde. Apesar disso, quando bem estruturada, a Pedagogia Hospitalar contribui para reduzir o abandono escolar, manter laços com a escola e proporcionar um ambiente mais acolhedor.
Conclusões parciais
Conclui-se que a Pedagogia Hospitalar representa uma modalidade essencial de inclusão educacional, reafirmando que a aprendizagem deve ser garantida em qualquer circunstância. O pedagogo, ao atuar nesse espaço, assume o papel de mediador entre saúde e educação, proporcionando continuidade escolar e apoio emocional. Para o fortalecimento dessa área, são necessários investimentos em políticas públicas, maior reconhecimento institucional e oferta de formação continuada. Dessa forma, a escola e o hospital passam a dialogar, assegurando não apenas o direito à educação, mas também uma prática pedagógica humanizada e sensível às necessidades do estudante hospitalizado.
Apoio técnico ou financeiro
Não houve apoio técnico ou financeiro externo.
Comissão Organizadora
Congresso Internacional Educação e Diversidade
Júnea Tatiane Damasceno Oliveira
Éryka Jovania Pereira
Silvana Diamantino França
Juliane Leite Ferreira e Figueiredo
ALINE MARIA GONZAGA RUAS
Comissão Científica