RESUMO: O estudo trata-se de uma pesquisa de Mestrado em Educação Inclusiva- PROFEI/UNIMONTES que está em andamento e traz para seara do debate no campo da educação as discussões acerca da inclusão dos alunos surdos oralizados a partir do uso de implante coclear. Introdução: a pesquisa justifica-se pelo crescente número de alunos com implante coclear nas escolas brasileiras, o que exige práticas de ensino adequadas às suas necessidades linguísticas. Objetivo: o estudo analisa as práticas docentes voltadas ao ensino da leitura e escrita de alunos surdos oralizados com implante coclear, no contexto da educação básica inclusiva. Parte-se da hipótese de que a falta de fundamentos teóricos e metodológicos específicos sobre surdez e implante coclear compromete a efetividade pedagógica e a aprendizagem desses estudantes. Fundamentação: o referencial teórico desta pesquisa articula contribuições de autores que são referência nos campos da educação inclusiva, da surdez, do implante coclear e da aprendizagem da leitura e da escrita. No âmbito da inclusão, Maria Teresa Mantoan (2015) por defender que a escola inclusiva deve superar a lógica da integração e garantir condições efetivas de aprendizagem a todos os alunos, o que implica repensar práticas pedagógicas e a formação docente. Em relação a surdez e ao implante coclear, Ana Paula Santana (2007) ressalta que, embora a tecnologia amplie as possibilidades auditivas, não assegura automaticamente o pleno desenvolvimento da linguagem, exigindo suporte pedagógico qualificado. Para a reflexão sobre leitura e escrita, destacam-se as contribuições de Frank Smith (2003), que entende a leitura como um processo de construção de significados ancorado em conhecimentos prévios e práticas sociais. Metodologia: trata-se de uma investigação de abordagem qualitativa e natureza aplicada, composta por revisão de literatura e pesquisa de campo. O público-alvo são professores de Língua Portuguesa e de Atendimento Educacional Especializado (AEE) atuantes nos Anos Iniciais e Finais do Ensino Fundamental, em escolas públicas vinculadas à Superintendência Regional de Ensino de Ponte Nova/MG. A coleta de dados será realizada em etapas, por aplicação de questionários semiestruturados, entrevistas em profundidade com uma amostra de docentes e observações in loco de práticas pedagógicas. Para análise, será utilizada a técnica de Análise de Conteúdo (Bardin, 2016), possibilitando a categorização, interpretação e triangulação dos dados, a fim de revelar concepções, práticas e desafios do ensino da leitura e escrita nesse contexto. Resultados: os dados preliminares indicam que os estudos teóricos e documentais já revisados elucidam que, embora o implante coclear proporcione avanços na percepção auditiva e no desenvolvimento da oralidade, persistem lacunas significativas em leitura e escrita. Essas limitações referem-se, sobretudo, à dificuldade na ampliação do vocabulário, na organização sintática e na compreensão textual. Tais obstáculos não se explicam apenas por fatores neurológicos ou individuais, mas refletem, principalmente, a carência de práticas pedagógicas intencionais, fundamentadas e adequadas às especificidades linguísticas desse público. Considerações: portanto, as conclusões preliminares indicam a necessidade de fortalecer a formação docente e disponibilizar recursos acessíveis que favoreçam práticas inclusivas.
Palavras-chave: inclusão; surdo oralizado; implante coclear; leitura escrita; práticas docentes.
Referências
BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. São Paulo: 2016.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Moderna, 2015.
SANTANA, Ana Paula. Surdez e linguagem: aspectos e implicações neurolinguísticas. 3. ed. São Paulo: Plexus, 2007.
SMITH, Frank. Compreendendo a leitura: uma análise psicolinguística da leitura e do aprender a ler. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2003.
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