DIVERSIDADE CULTURAL E DIVERSIDADE MUSICAL: UMA VISÃO CRÍTICA DESTES CONCEITOS SOB A PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INTERCULTURAL

  • Autor
  • Elizeth Pereira de Oliveira
  • Co-autores
  • Raiana Maciel do Carmo
  • Resumo
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    Este resumo aborda resultados parciais de uma pesquisa de mestrado em Educação, que tem como foco analisar a inserção da diversidade musical no curso de Educação Musical do Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez (Celf). Sendo assim, este trabalho apresenta resultados da pesquisa bibliográfica relacionada à discussão de dois conceitos fundamentais para o desenvolvimento da investigação: diversidade cultural e diversidade musical. Neste sentido, o estudo tem como objetivo discutir estes conceitos a partir das lentes interpretativas da Interculturalidade Crítica. A metodologia contemplou uma pesquisa bibliográfica em textos das áreas da educação e da educação musical. Os resultados indicam que o conceito de diversidade cultural foi discutido por autores como Munanga (2005), que a define como a pluralidade de identidades, saberes, valores e práticas resultantes das interações históricas entre diferentes povos, destacando que essa diversidade não é apenas um dado natural, mas uma construção social permeada por relações de poder. Gomes (2017) amplia essa compreensão, afirmando que a diversidade cultural deve ser entendida como um processo dinâmico de reconhecimento, disputa e afirmação de identidades, no qual se articulam dimensões de redistribuição social e justiça racial. Além disso, a UNESCO (2001) define a diversidade cultural como a multiplicidade de formas pelas quais as culturas se expressam, considerando-a um patrimônio comum da humanidade e condição essencial para o desenvolvimento sustentável e o pleno exercício dos direitos humanos. A aplicação desse conceito à diversidade musical se traduz no reconhecimento da música como espaço de pluralidade de repertórios, saberes e práticas culturais, incluindo expressões afro-brasileiras, indígenas, populares e eruditas, historicamente marginalizadas nos currículos e nas práticas pedagógicas (Queiroz, 2017; Batista, 2017). Essa perspectiva demanda que os currículos e práticas pedagógicas não se limitem à inclusão de repertórios variados, mas que questionem a hierarquia de saberes musicais, abrindo espaço para epistemologias plurais que rompam com a centralidade eurocêntrica na educação musical. A partir desses conceitos, é importante problematizá-los no contexto educacional, transcendendo interpretações restritas ao multiculturalismo. Segundo Fleuri (2018), o multiculturalismo busca o reconhecimento e a coexistência de diferentes grupos culturais, sendo relevante para valorizar identidades historicamente negadas; porém, quando aplicado de forma meramente normativa ou simbólica, tende a assumir um caráter celebratório, sem enfrentar as relações de poder e as desigualdades estruturais que atravessam essas diferenças. Desta forma, é fundamental compreender diversidade cultural e diversidade musical sob as lentes da Interculturalidade Crítica, entendida como um projeto político e pedagógico de descolonização, que promove o diálogo horizontal entre saberes, legitima epistemologias historicamente subalternizadas e transforma práticas educativas (Walsh, 2009). Assim, a incorporação dos conceitos de diversidade cultural e musical nessa corrente epistemológica conduz a problematizações no âmbito da Educação Intercultural, que, conforme Candau (2012), consiste em um processo educativo dialógico, capaz de reconhecer conflitos e tensões culturais, mas orientado para a construção de um projeto comum, articulando políticas de igualdade e políticas de identidade. Conclui-se, portanto, que pensar a diversidade cultural e musical a partir da Interculturalidade Crítica não se limita ao reconhecimento da pluralidade de expressões, mas implica enfrentar estruturas históricas de exclusão, descolonizar currículos, legitimar saberes subalternizados e promover uma educação musical e cultural transformadora, em que a diferença deixa de ser apenas celebrada e passa a ser categoria de luta e de construção de conhecimento crítico.

     

  • Palavras-chave
  • Diversidade Cultural, Diversidade Musical, Educação Intercultural
  • Área Temática
  • Eixo 2 – Educação e Justiça Social: Identidades, Gênero e Relações Étnico-Raciais
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