METODOLOGIAS ATIVAS COMO APOIO À APRENDIZAGEM DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA

  • Autor
  • Jessika Caroline Oliveira Marques
  • Co-autores
  • Sarah de Souza Santos , Maria Eduarda Xavier de Freitas , Dayane Teixeira Quintal , Júnea Tatiane Damasceno Oliveira , Gabriel Augusto Almeida Macedo , Lourdes Maria Aquino Silva
  • Resumo
  • Introdução

     

    A educação especial e inclusiva tem como objetivo assegurar uma educação igualitária e equitativa, promovendo o respeito às diferenças e a participação de todos os estudantes, sem distinção de suas condições físicas, cognitivas, sensoriais, emocionais e culturais. Como previsto na Constituição Federal de 1988, a educação configura-se um direito fundamental de todos os cidadãos e sua garantia é responsabilidade do Estado, da família e da sociedade, tendo como finalidade desenvolvimento integral do indivíduo. (BRASIL, 1988, art. 205).

    Nesse contexto, metodologias ativas como apoio à aprendizagem de alunos com deficiência são de extrema relevância, pois contribuem para o desenvolvimento de uma educação de qualidade e inclusiva. Além de promover acessibilidade e a autonomia dos estudantes, também atuam como suporte pedagógico para os docentes e discentes.

    O presente resumo tem como finalidade discutir como as metodologias ativas contribuem para a inclusão, o desenvolvimento e a formação de estudantes com necessidades especiais, fundamentando-se em um estudo dedutivo. Espera-se destacar o emprego dessas abordagens como ferramentas de apoio em práticas pedagógicas capazes de promover a participação ativa dos educandos.

     

    Fundamentos Teóricos

     

    Os artigos “Metodologias Ativas No Processo Ensino-Aprendizagem. Na Educação Especial” e “Tecnologias digitais assistivas aliadas a metodologias ativas de aprendizagem” evidenciam a relevância das metodologias participativas e da utilização das tecnologias digitais no contexto educacional. Ressaltam, ainda, a importância da inserção desses recursos no processo de aprendizagem de estudantes com deficiência. Ambos os textos demonstram que tais ferramentas constituem instrumentos fundamentais para a ampliação do universo de aprendizagem, favorecendo o desenvolvimento da autonomia, do protagonismo discente e da construção significativa do conhecimento.

    As metodologias ativas representam estratégias pedagógicas que deslocam o foco do ensino para o estudante, tornando-o protagonista de sua própria aprendizagem, incentivando sua autonomia, participação ativa e contribuindo para uma construção de conhecimento significativa. Nesse sentido, os autores Matos, Cruz, Andrade e Araújo (2023), explicam que:

     

    As metodologias ativas promovem uma aprendizagem significativa, pois o aluno é o responsável por construir seu conhecimento a partir de sua própria experiência e reflexão. Além disso, as metodologias ativas estimulam a participação do aluno, o que pode contribuir para o seu desenvolvimento social e emocional (MATOS, CRUZ, ANDRADE E ARAÚJO, 2023, p. 55).

     

    Nessa citação, mostra que as metodologias ativas colocam o educando no centro do processo educativo e reconhecem que aprender é uma experiência ativa, social e significativa. De acordo com André Souza (2025, p.8) “Essas tecnologias não apenas auxiliam na adaptação de conteúdos, mas também criam formas de interação e expressão, fundamentais para atender à diversidade funcional presente nas escolas”. Nesse contexto, os métodos de aprendizagem centrados no aluno assumem papel fundamental no processo de ensino e aprendizagem de estudantes com deficiência, uma vez que reconhecem as diversidades nos modos de aprender e possibilitam práticas pedagógicas que favorecem a construção de suas aprendizagens.

    Essa mudança exige novos papéis tanto para professores quanto para estudantes, e implica também em um novo olhar sobre a avaliação, o tempo didático e o uso de tecnologias. Além disso, evidencia a necessidade de promover maior autonomia, participação e criticidade dos alunos, estimulando-os a desenvolver habilidades de cooperação, criatividade e resolução de problemas. O professor, por sua vez, assume o papel de mediador e facilitador, deixando de ser o único detentor do saber e criando situações que incentivem a investigação e o pensamento reflexivo. Assim, tais estratégias pedagógicas contemporâneas não se limitam a simples técnicas de ensino, mas configuram uma transformação na cultura escolar, buscando formar sujeitos capazes de atuar de maneira crítica e responsável na sociedade contemporânea.

     

    Metodologia

     

    No que se refere à abordagem metodológica, este estudo será conduzido sob a perspectiva qualitativa, a qual, segundo Minayo (2007, p. 21), “trabalha com o universo dos significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores e das atitudes”. Destaca-se, ainda, que a pesquisa apresenta caráter bibliográfico, uma vez que, o levantamento teórico foi realizado por meio da análise de artigos científicos disponíveis no Google Acadêmico, com o objetivo de compreender e discutir os principais conceitos abordados na literatura pertinente.

     

    Análise de dados

     

    A revisão bibliográfica indica que as metodologias ativas contribuem de forma significativa para o processo de inclusão de alunos com deficiência, sobretudo por promoverem maior engajamento, colaboração e autonomia no aprendizado. Os autores analisados destacam que as metodologias participativas são fundamentais para tornar o estudante protagonista de seu próprio processo de aprendizagem.

    Como destaca José Morán (2015, p.17), “se queremos que os alunos sejam proativos, precisamos adotar metodologias em que os alunos se envolvam em atividades cada vez mais complexas, em que tenham que tomar decisões e avaliar os resultados”. A citação de Morán é clara e fácil de compreender, pois mostra que, para termos estudantes engajados e produtivos nas atividades, é necessário instigá-los com propostas que vão além do que já conhecem e, em seguida, possibilitar que avaliem seus próprios resultados.

    Entre as contribuições relevantes identificadas na revisão da literatura sobre práticas pedagógicas inclusivas, destaca-se a obra de Matos, Cruz, Andrade e Araújo (2023), que discute o uso de metodologias ativas como ferramenta de apoio ao processo de aprendizagem de alunos com deficiência, evidenciando como essas estratégias promovem maior autonomia, engajamento e participação ativa dos educandos no ambiente escolar.

     

    As Metodologias ativas na Educação Especial/Inclusiva precisam visar as     potencialidades e modos de desenvolvimento do aluno da Educação Especial. Salienta-se, todavia, que essa compensação não visa que o desenvolvimento se dê da mesma forma como ocorre na criança típica (ANDRADE E ARAÚJO, 2023, p.57)

     

    Diante desse contexto, compreende-se que o uso de tecnologias em sala de aula pode facilitar o processo de aprendizagem de alunos com deficiência, contribuindo para seu desenvolvimento gradual, ainda que em ritmos distintos em relação aos demais colegas. Assim, torna-se evidente a necessidade de criação de espaços de aprendizagem inclusivos, que contemplem todos os educandos e promovam, ao máximo, a possibilidade de acesso equitativo aos conteúdos trabalhados em sala de aula.

     

    Conclusões

     

    Os estudos analisados demonstram que as metodologias ativas são essenciais para a inclusão escolar, pois estimulam a autonomia, o engajamento e o protagonismo dos alunos com deficiência. Ao valorizar as potencialidades e respeitar as necessidades individuais, essas práticas favorecem tanto o aprendizado de conteúdos quanto o desenvolvimento socioemocional, como cooperação e respeito às diferenças. Contudo, a literatura também aponta desafios importantes, principalmente relacionados à formação continuada dos professores e à adaptação de recursos pedagógicos e tecnológicos acessíveis. Assim, conclui-se que as metodologias ativas, quando aplicadas de forma planejada e flexível, constituem um caminho para consolidar uma educação inclusiva e equitativa, reafirmando o direito à educação garantido pela Constituição Federal de 1988 e assegurando a participação plena de todos os estudantes.

     

    Referências

     

    BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988.

     

    SOUZA, André. Metodologias ativas, tecnologias educacionais e inclusão: desafios e possibilidades para o docente na mediação entre ensinar e aprender na educação especial. Revista Tópicos, v. 3, n. 24, 2025.

     

    MORÁN, José. Mudando a educação com metodologias ativas. Coleção mídias contemporâneas. Convergências midiáticas, educação e cidadania: aproximações jovens, v. 2, n. 1, p. 15-33, 2015.

     

    LUZ, Moana Maciel Matias. Metodologias Ativas no Processo Ensino-Aprendizagem. Revista de trabalhos acadêmicos–universo Belo Horizonte, v. 1, n. 3, 2018.

  • Palavras-chave
  • Metodologias Ativas, Educação Inclusiva, Autonomia, Formação docente
  • Área Temática
  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
Voltar Download
  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
  • Eixo 2 – Educação e Justiça Social: Identidades, Gênero e Relações Étnico-Raciais
  • Eixo 3 – Políticas Públicas e Gestão Educacional na Perspectiva Inclusiva
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
  • Eixo 5 – Educação do Campo, Indígena e Quilombola: saberes, territórios e direitos

Comissão Organizadora

Congresso Internacional Educação e Diversidade
Júnea Tatiane Damasceno Oliveira
Éryka Jovania Pereira
Silvana Diamantino França
Juliane Leite Ferreira e Figueiredo
ALINE MARIA GONZAGA RUAS

Comissão Científica