A Educação Inclusiva, conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (art. 58 da Lei nº 9.394/1996) assegura o acesso, a permanência e o desenvolvimento de todos os alunos, respeitando suas diferenças e promovendo a equidade. Primeiramente é fundamental reconhecer que a educação é um direito básico. E que a Educação Inclusiva tem como garantia o direito humano. É necessário que se olhe para as diferenças e para as pontencialidades dos alunos da Educação Especial. Além disso, a inclusão não se limita a matrícula, mas integra os alunos na participação do mesmo ambiente de aprendizagem que valorize a diversidade. Essa perspectiva exige uma ruptura com modelos educacionais padronizados, que demanda uma reestruturação do sistema escolar; desde o planejamento pedagógico até a formação dos profissionais, neste relato se destaca a atuação colaborativa do professor regente e do professor de apoio em escolas de ensino regular. Que ambos atuam enfrentando diversos desafios nos execícios de sua profissão. Entretanto, o professor de apoio lida com obstáculos de estabelecer um elo entre o currículo e as necessidades específicas de aprendizagem do aluno. O qual precisa de um repertório diversificado, metodologias adequadas, e recursos pedagógicos para auxiliá-lo. Sendo assim este trabalho tem como objetivo, relatar experiências vivenciadas durante o estágio supervisionado realizado em uma turma do 3º ano do ensino fundamental.
Fundamentos Teóricos
As atividades de adaptação pedagógica são essenciais para a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais, garantindo o acesso e a aprendizagem em igualdade de condições, como previsto pela Constituição Federal de 1988 (art. 208) e detalhado pela LDB (Lei nº 9.394/96), que prevê a adaptação curricular de métodos e recursos (art. 59), e a Lei Brasileira de Inclusão (LBI/2015). A base teórica da inclusão, conforme os fundamentos da teoria histórico-cultural de Vygotsk (2007 [1930]), com a ênfase na zona de desenvolvimento proximal, e a perspectiva das altas habilidades, exige que o professor adapte sua mediação, reconhecendo que a interação e as ferramentas pedagógicas são cruciais para o desenvolvimento cognitivo. A educação especial inclusiva refere-se ao ensino ofertado que tem por base a inclusão através do uso de estratégias e metodologias que proporciona a convivência igualitária entre todos os discentes. Segundo (Mantoan, 2003, p.19), “a inclusão implica uma mudança de perspectiva educacional, porque não atinge apenas os alunos com deficiência e os que apresentam dificuldades de aprender, mas todos os demais, para que obtenham sucesso na corrente educativa geral.”
Neste processo, o professor de apoio desenvolve um papel importante na realização de atividades que incluem o uso de materiais adaptados, a flexibilização do tempo e das atividades, e o apoio pedagógico especializado, todos focados em promover a autonomia e a participação dos alunos. Nas Diretrizes Nacionais para Educação Especial na Educação Básica, em seu Art. 18, os professores de apoio:
§ 1º São considerados professores capacitados para atuar em classes comuns com alunos que apresentam necessidades educacionais especiais aqueles que comprovem que, em sua formação, de nível médio ou superior, foram incluídos conteúdos sobre educação especial adequados ao desenvolvimento de competências e valores para:
I – perceber as necessidades educacionais especiais dos alunos e valorizar a educação inclusiva;
II - flexibilizar a ação pedagógica nas diferentes áreas de conhecimento de modo adequado às necessidades especiais de aprendizagem;
III - avaliar continuamente a eficácia do processo educativo para o atendimento de necessidades educacionais especiais;
IV - atuar em equipe, inclusive com professores especializados em educação especial. (Brasil, 2001, p. 5)
A complexidade do trabalho colaborativo reside na necessidade de alinhar expectativas, conhecimentos e ter responsabilidades para desenvolver estratégias pedagógicas que atendam à singularidade de cada aluno. A falta de tempo para o planejamento conjunto, a sobrecarga de tarefas, a insuficiente formação inicial para lidar com a diversidade são fatores que intensificam esses desafios. Apresentar estratégias eficazes é essencial para desenvolvimento de atividades adaptadas, nas quais o professor encontra possibilidades de reconstruir sua prática, adaptando o currículo por meio do trabalho colaborativo.
Apresentação da experiência
Durante a realização do Estágio, a observação e o acompanhamento do trabalho do professor de apoio, que acompanha um aluno em investigação de tratamento de transtorno do neurodesenvolvimento. Nesse período, foram desenvolvidas atividades da disciplina de Matemática, abordando conteúdo de operação de multiplicação. O professor de apoio trabalhava atividades adaptadas proposta para a turma com o objetivo de tornar o exercício de registro mais acessível e facilitar a compreenssão do aluno. Neste sentido foi preciso desenhar conjunto no formato de circulos para explicar as questões, também foram trabalhados atividades lúdicas como: O aluno associava um palito ao número e contava a quantidade usando palito de picolé para encontrar um número correto e fazer a correspondência. Alguns dos desafios vivenciados foram: o planejamento, a elaboração, e realização de atividades para trabalhar com o aluno de modo facilitador pois sempre tem que haver repetição. Sendo assim, a busca por estrátegia pedagógica inovadora e o trabalho cooperativo entre professor regente e professor de apoio foram os desafios na articulação entre teoria e prática.
Análise parcial dos resultados
A implementação de atividades pedagógicas lúdicas, resultou em uma aprendizagem perceptível no desempenho do aluno com deficiência em escola de ensino regular. O que demonstra a importância do papel do professor de apoio no engajamento das tarefas propostas, evidenciado por expressões de alegria e entusiasmo durante as atividades. Os resultados também apontam para a importância da formação continuada e da reflexão sobre a prática por parte do futuro professor de apoio. A necessidade de criar e adaptar o material revelou uma lacuna no suporte pedagógico da escola, além disso, evidenciou-se a capacidade do professor de formar, inovar e buscar soluções, o desafio do planejamento foi superado pelo acompanhamento individualizado, que permitiu o ajuste das estratégias às respostas do aluno. A experiência reforça a tese de que a inclusão bem-sucedida está intrinsecamente ligada à flexibilidade curricular e à competência do educador em transpor o conhecimento de formas múltiplas e acessíveis. A análise conclui que a metodologia adotada foi eficaz para a promoção da aprendizagem e do desenvolvimento cognitivo do aluno considerando sua particularidade.
Conclusões
A experiência de estágio supervisionado focada no professor de apoio para a inclusão de um aluno com deficiência no 3º ano do ensino fundamental confirmou a complexidade, mas também a viabilidade da educação especial inclusiva. O principal desafio para o professor de apoio está na articulação entre teoria e prática para realizar a adaptação curricular e o trabalho colaborativo. O texto conclui que o uso de métodos pedagógicos, concretos e lúdicos requer do professor formação continuada e capacidade de ser um agente inovador. No geral, a inclusão é um processo reflexivo que exige do educador a habilidade de observar, adaptar e repetir estratégias eficazes.
Referências
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 126, n. 191, 5 out. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 26 set. 2025.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 134, n. 248, p. 27833, 23 dez. 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm. Acesso em: 26 set. 2025.
BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 152, n. 128, p. 2, 7 jul. 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm. Acesso em: 26 set. 2025.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão Escolar: o que é? por quê? como fazer? São
Paulo: Moderna, 2003.
VYGOTSKY, Lev Semenovich. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
Comissão Organizadora
Congresso Internacional Educação e Diversidade
Júnea Tatiane Damasceno Oliveira
Éryka Jovania Pereira
Silvana Diamantino França
Juliane Leite Ferreira e Figueiredo
ALINE MARIA GONZAGA RUAS
Comissão Científica