ANÁLISE DO COMPORTAMENTO APLICADA E INCLUSÃO ESCOLAR: ESTRATÉGIAS PARA O DESENVOLVIMENTO DE CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA

  • Autor
  • Maria Alice Santos Costa
  • Co-autores
  • Ester de Souza Batista Corrêa , Stella Maris Mesquita de Assis
  • Resumo
  • Introdução

    O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio neurológico e multifatorial que afeta o desenvolvimento. Caracteriza-se por dificuldades persistentes na interação social, comportamentos repetitivos e interesses restritos, os quais podem gerar obstáculos à inclusão efetiva no ambiente escolar (Camargo & Rispoli, 2013). Nesse contexto, a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) tem demonstrado relevância para a melhoria da qualidade de vida e da experiência escolar de crianças com TEA (Martins & Camargo, 2022). Assim, o presente trabalho tem como objetivo discutir as possibilidades de inclusão escolar de crianças com TEA por meio da aplicação da ABA.

    Fundamentos Teóricos

    A ABA é uma abordagem científica que busca compreender e modificar comportamentos por meio de estratégias sistemáticas, baseadas na observação e na análise de dados. Fundamenta-se no pressuposto de que o comportamento é influenciado pelo ambiente e, portanto, pode ser modificado mediante técnicas como o reforço positivo, a modelagem e o uso de recursos visuais (Camargo & Rispoli, 2013). Pesquisas recentes reforçam sua eficácia na inclusão escolar, ao favorecer não apenas o desenvolvimento acadêmico, mas também o social e o emocional das crianças (Martins & Camargo, 2022; Benitez et al., 2021).

    Metodologia

    Este estudo configurou-se como uma revisão integrativa da literatura, seguindo o modelo proposto por Souza, Silva e Carvalho (2010). Foram percorridas seis etapas: elaboração da questão norteadora; rastreio de artigos; coleta de dados; análise crítica; discussão dos resultados; e apresentação da revisão. A busca ocorreu em agosto de 2025, na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), e em periódicos nacionais, como Research, Society and Development e Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Utilizaram-se descritores combinados com o operador booleano AND (“ABA” AND “Escola”; “Análise do Comportamento Aplicada” AND “Educação”; “ABA” AND “Inclusão Escolar”). Os critérios de inclusão foram: produções científicas publicadas entre os anos de 2018 e 2025, com texto completo em íntegra e que indicassem, em seu título, discussão sobre ABA, TEA ou inclusão escolar. Foram excluídos materiais audiovisuais, áudios, reportagens, resumos simples, dissertações/teses, capítulos de livros e pesquisas que não abordassem a temática.

    Análise parcial dos resultados

    Os estudos analisados apontaram que a ABA contribui para a adaptação escolar de crianças com TEA, promovendo maior participação nas atividades, redução de comportamentos interferentes e fortalecimento da interação social (Martins; Camargo, 2022). Também foi identificado que programas de formação continuada em ABA favorecem mudanças nos comportamentos de educadores, tornando-os mais preparados para lidar com a diversidade no contexto escolar (Benitez et al., 2021). Além disso, autores destacam a importância de estratégias de tecnologias assistivas de Comunicação Aumentativa Alternativa (CAA), como TEACCH, PECS, que auxiliam na inclusão (Silva et al., 2022; Rezende; Souza, 2021). Apesar dos avanços, persistem desafios relacionados à formação de professores, adequação curricular e integração entre escola, família e equipe terapêutica.

    Conclusões parciais

    Portanto, a ABA demonstrou ser uma ferramenta eficaz e baseada em evidências para a promoção da inclusão escolar de crianças com TEA. Sua aplicação favorece o desenvolvimento acadêmico, social e emocional, oferecendo suporte a práticas pedagógicas estruturadas e adaptadas. Contudo, ainda se faz necessária a ampliação da formação docente, fortalecimento de políticas inclusivas e a articulação entre profissionais e familiares. Conclui-se que para a efetivação da inclusão escolar, é necessário a superação de barreiras estruturais e do investimento em práticas colaborativas no ambiente escolar.

     

    Referências

    BENITEZ, P.; PAULINO, V. C.; JUNIOR, A. P. O.; DOMENICONI, C.; OMOTE, S.

    Atitudes Sociais de Agentes Educacionais em Relação à Inclusão e à Formação em Análise do Comportamento Aplicada. Revista Brasileira de Educação Especial. Rio Grande, 27. e0125, p.477-492, 2021. Disponível em:

    https://www.scielo.br/j/rbee/a/Sdz5BrfLZFNdCcrbsSqqWhR/?lang=pt#. Acesso em 10

    ago. 2025.

     

    CAMARGO, S. P. H.; RISPOLI, M. Análise do Comportamento Aplicada como

    intervenção para o autismo: definição, características e pressupostos filosóficos. Revista

    Educação Especial, Santa Maria. v. 26, n. 47, p. 639–650, 2013. Disponível em:

    https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/6994. Acesso em: 8 ago. 2025.

     

    MARTINS, J. S.; CAMARGO, S. P. H. A adaptação de crianças com autismo na préescola: estratégias fundamentadas na Análise do Comportamento Aplicada. Revista

    Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília. v. 104. e-5014, 2022. Disponível em:

    https://www.scielo.br/j/rbeped/a/RFv9XMsqs6YgVxB9RHGBjtz/#. Acesso em: 23 ago. 2025.

     

    REZENDE, L. F.; SOUZA, C. J. Pedagogical work and school inclusion for children with autism spectrum disorder (ASD). Research, Society and Development, v. 10, n. 13, e-460101321486, 2021. Disponível em:

    https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/21486. Acesso em: 20 ago. 2025.

     

    SOUZA, M. T.; SILVA, M. D.; CARVALHO, R. Revisão integrativa: o que é e como fazer. Einstein, São Paulo, v. 8, n. 1, p. 102-106, 2010. Disponível em:

    https://www.scielo.br/j/eins/a/ZQTBkVJZqcWrTT34cXLjtBx/?lang=pt&%3A~%3Atex

    t=A%20#. Acesso em: 01 set. 2025.

     

  • Palavras-chave
  • Educação Inclusiva, Acessibilidade, Tecnologias Assistivas.
  • Área Temática
  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
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