ESTÁGIO INCLUSIVO: RELATO DE EXPERIÊNCIA A PARTIR DO ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO

  • Autor
  • Carla Cristina Barbosa
  • Resumo
  •  

    Introdução

    Discutimos a Educação Inclusiva a partir da experiência docente na disciplina de Estágio Curricular Supervisionado (ECS) no curso de licenciatura. O ECS constitui-se como componente obrigatório e eixo articulador da organização curricular dos cursos de licenciatura, sendo realizado em instituições de Educação Básica. Assim, configura-se como oportunidade fundamental na formação dos licenciandos, ao articular o currículo acadêmico com o campo de atuação dos futuros professores.

    Nessa perspectiva, entende-se o estágio como experiência de aprendizagem da profissão, envolvendo o exercício da docência a partir de processos pedagógicos e metódicos. Dessa forma, o ECS exige conhecimentos específicos para a docência, que precisam ser compreendidos e planejados para contemplar um estágio inclusivo, capaz de atender licenciandos considerados Pessoas com Deficiência (PcD). Este relato aborda, especificamente, a experiência de acompanhamento de um acadêmico com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

    Fundamentos Teóricos

    O trabalho fundamenta-se na legislação que regulamenta o Estágio Curricular Supervisionado, com destaque para a Resolução CNE/CP nº 4, de 29 de maio de 2024; no Projeto Pedagógico do Curso de História da Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES); no relato de experiência do acadêmico; e na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), também denominada Estatuto da Pessoa com Deficiência, em especial no Art. 27, que assegura a educação como direito da pessoa com deficiência, garantindo suas necessidades de aprendizagem.

    Apresentação da Experiência

    Diante da obrigatoriedade do ECS, de sua especificidade e de sua operacionalização — que envolve observação, planejamento, mobilização de vivências práticas, participação ativa na instituição de Educação Básica e ações docentes —, torna-se necessário estabelecer estratégias que assegurem o acesso e a permanência de acadêmicos PcD.

    A experiência relatada refere-se ao desafio de orientar um acadêmico com TEA durante o estágio curricular supervisionado, organizando um projeto que atendesse às exigências da disciplina, à carga horária obrigatória e à vivência no campo de atuação. Inicialmente, foi elaborado um Plano de Desenvolvimento Individual do Estágio, considerando as particularidades do estudante e os requisitos curriculares.

    Na sequência, realizou-se diálogo com a escola campo de estágio e com o professor supervisor, a fim de definir estratégias para superar as dificuldades apresentadas e, sobretudo, viabilizar condições de participação efetiva em sala de aula. O planejamento foi elaborado de forma conjunta, contemplando a realidade da escola, as demandas da turma e as necessidades específicas do estagiário. O acompanhamento foi realizado pelo professor de História da escola e pela coordenação do estágio na universidade.

    Durante o desenvolvimento do ECS, observou-se dificuldade do acadêmico na sistematização de conteúdos e na organização didática. Como estratégia, foi adotado o uso de material didático produzido pelo próprio estagiário, posteriormente utilizado em suas aulas, o que possibilitou maior autonomia e segurança em sua prática docente.

    Análise Parcial dos Resultados

    A experiência oportunizou novos olhares e possibilidades para a inclusão, tanto no âmbito da universidade quanto da escola, de forma integrada e colaborativa. O acadêmico conseguiu superar dificuldades, organizar sua docência, lidar com o incômodo do barulho escolar (mediante a escolha por turmas menores) e, principalmente, reconhecer suas potencialidades e conquistas.

    Conclusões

    A experiência de orientação do estágio de um acadêmico com TEA evidenciou a necessidade de desenvolver, no âmbito universitário, práticas de estágio que atendam às exigências legais e acadêmicas, mas que também contemplem a diversidade dos licenciandos e suas realidades.

    Nesse sentido, foi proposta a criação da Comissão do Estágio Curricular Supervisionado Inclusivo (COESI), composta por professores do Departamento de Estágios e Práticas Escolares (DEPE) atuantes nos diferentes cursos de licenciatura da UNIMONTES. Essa comissão, mediante solicitação da coordenação didática e/ou do professor responsável pelo ECS de cada curso, poderá propor a elaboração de um Plano de Desenvolvimento Individual do Estágio Supervisionado (PIES), garantindo condições equitativas de aprendizagem e exercício da docência.

    Referências

    BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 7 jul. 2015. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm. Acesso em: 30 set. 2025.

    BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP nº 4, de 29 de maio de 2024. Dispõe sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial em Nível Superior de Profissionais do Magistério da Educação Escolar Básica. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 3 jun. 2024. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/secretaria-de-educacao-basica/apresentacao/30000-uncategorised/91191-resolucoes-cp-2024. Acesso em: 30 set. 2025.

     

     

  • Palavras-chave
  • Educação Inclusiva, Formação Docente, Estágio Curricular Supervisionado
  • Área Temática
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
Voltar Download
  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
  • Eixo 2 – Educação e Justiça Social: Identidades, Gênero e Relações Étnico-Raciais
  • Eixo 3 – Políticas Públicas e Gestão Educacional na Perspectiva Inclusiva
  • Eixo 4 – Currículo, Práticas Pedagógicas e Formação Docente
  • Eixo 5 – Educação do Campo, Indígena e Quilombola: saberes, territórios e direitos

Comissão Organizadora

Congresso Internacional Educação e Diversidade
Júnea Tatiane Damasceno Oliveira
Éryka Jovania Pereira
Silvana Diamantino França
Juliane Leite Ferreira e Figueiredo
ALINE MARIA GONZAGA RUAS

Comissão Científica