Introdução
Esse trabalho faz parte das discussões iniciais do Trabalho de Conclusão de Curso - TCC por meio de pesquisas bibliográficas, vivências no candomblé como adepto da religião. A presença das crianças do Candomblé nas escolas públicas brasileiras evidencia os desafios da diversidade cultural e religiosa no ambiente escolar. Apesar da Lei 10.639/2003, que institui o ensino da história e cultura afro-brasileira, ainda se observam situações de intolerância religiosa, racismo e invisibilização da identidade das crianças de terreiro. As análises apresentadas partiram das leituras e observações cotidianas trouxe à tona a possibilidade contextualizar as realidades apresentadas e compreender como o preconceito afeta o desenvolvimento escolar, social, a autoestima e a vivência da fé.
Fundamentos Teóricos
O processo de afirmação religiosa para as crianças em idade escolar segundo CAPUTO (2012) e CAPUTO; ALVES (2012) é conflituoso pois a relação entre a escola e crianças de Candomblé é cercada de conflitos e estratégias de inclusão. Nesse sentido, CONCEIÇÃO (2006) se faz necessário às instituições de ensino e educadores considerarem no meio escolar também a pedagogia do Candomblé, mostrando como os terreiros são espaços de aprendizagem e resistência compreendendo que a educação religiosa conforme a Constituição Federal de 1988(Brasil,1988) estabelece um Estado laico, artigo 210, parágrafo 1º, garante a matrícula facultativa do ensino religioso como disciplina, o ensino religioso pode apresentar uma crença específica, desde que haja respeito à diversidade. BBC Brasil (2016) e Munanga (2005) destacam o preconceito enfrentado por religiões de matriz africana no Brasil. As propostas e práticas pedagógicas devem perpassar pela inclusão e valorização da diversidade cultural segundo GONÇALVES et all (2003) e COSTA et all (2003)
Metodologia
A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, baseada em pesquisas bibliográficas e experiências vivenciais acompanhadas de observações do cotidiano obtidas no convívio diário no Manzo Mutakavule Kiunzambi. Foram observados três situações distintas: Um adolescente que sofreu chacotas e comentários preconceituosos de professores, afastando-se do terreiro por quase um ano. Uma jovem do ensino médio, filha de Mametu, vítima de bullying intenso, cujas denúncias foram deslegitimadas e desconsideradas pela direção escolar. Criança de 11 anos, que vivencia sua fé de forma aberta e é apoiada pela família e escola, apresentando trajetória positiva de afirmação identitária.
Análise parcial dos resultados
As análises das observações do cotidiano demonstram que a vivência escolar das crianças do Candomblé é marcada por diferentes níveis de acolhimento e exclusão: Casos do adolecente e da jovem do ensino médio evidenciam os impactos do preconceito e da negligência institucional, incluindo isolamento social, queda na autoestima e risco de vulnerabilidade social. O caso da criança mostra que o apoio familiar e escolar, aliado ao diálogo sobre respeito e combate ao preconceito, fortalece a identidade religiosa e promove uma experiência escolar positiva. Esses dados indicam que os terreiros podem desempenhar papel educativo e antirracista, contribuindo para a formação de crianças críticas, conscientes de seus direitos e capazes de enfrentar o preconceito de forma resiliente.
Conclusões parciais
A análise evidencia que a intolerância religiosa nas escolas públicas impacta diretamente o desenvolvimento social e emocional das crianças do Candomblé. Para reverter essa realidade, é necessário: Implementar políticas educativas antirracistas e inclusivas; Reconhecer os terreiros como espaços de educação complementar e resistência cultural; Incentivar o diálogo entre escola, família e comunidade para fortalecer a identidade cultural das crianças.
Referências
BBC BRASIL. PUFF, J. Por que as religiões de matriz africana são o principal alvo de intolerância no Brasil? 2016. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160120_intolerancia_religioes_africanas_jp_rm. Acesso em: 30 ago. 2019.
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituiçao/Constituiçao. htm. Acesso em: 30 de setembro. 2025
CAPUTO, Stela Guedes. Educação nos terreiros. E como a escola se relaciona com crianças de Candomblé. Rio de Janeiro: Pallas, 2012.
CAPUTO, Stela Guedes; ALVES, Nilda. Para pensar a educação e o ensino de… relações, conflitos e busca de caminhos em comum. In: 35ª ANPEd, Porto de Galinhas, 21 a 24 de outubro de 2012.
CONCEIÇÃO, Lúcio André da. A pedagogia do Candomblé: aprendizagens, ritos e conflitos. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade do Estado da Bahia, Salvador, 2006.
COSTA, Marisa Vorraber; SILVEIRA, Rosa Hessel; SOMMER, Luis Henrique. Estudos culturais, educação e pedagogia. Revista Brasileira de Educação, n. 23, p. 36-61, ago. 2003.
FERNANDES, Alexandre de Oliveira. Geertz e os usos da diversidade: uma perspectiva pós-estruturalista. Odeere – Revista do Programa de Pós-Graduação em Relações Étnicas e Contemporaneidade (UESB), v. 1, n. 1, p. 1-20, jan./jun. 2016.
GONÇALVES, Petronilha Beatriz; SILVA, Petronio Domingues. O desafio da diversidade na educação. Educação e Sociedade, Campinas, v. 24, n. 82, p. 85-99, 2003.
MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra. Petrópoli
s: Vozes, 2005.
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