Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) impacta aspectos da comunicação, comportamento e interação social. O aumento da prevalência de pessoas com TEA e o avanço de políticas inclusivas têm ampliado o acesso ao ensino superior, o que traz novos desafios tanto para estudantes quanto para docentes. Apesar desse cenário, ainda há escassez de estudos que explorem, de forma integrada, as perspectivas dos professores e dos próprios estudantes com autismo. Nesse contexto, compreender tais desafios é fundamental para promover práticas pedagógicas mais eficazes e ambientes universitários mais inclusivos.
Fundamentos Teóricos: Este estudo buscou investigar os principais desafios, barreiras e dificuldades enfrentados no ensino superior a partir de duas perspectivas complementares: a dos docentes que lecionam para estudantes com TEA e a dos próprios estudantes com autismo em suas vivências acadêmicas.
Metodologia: Realizou-se uma revisão sistemática da literatura em duas frentes de busca, com: A primeira foi conduzida no Portal de Periódicos CAPES, entre janeiro de 2020 e junho de 2025, utilizando os descritores (“Autismo” OR “Autism”) AND (“Ensino Superior” OR “Universidade” OR “Docência” OR “Faculty”), conforme DeCS/MeSH. A segunda busca ocorreu nas bases PUBMED e SciELO, entre janeiro de 2015 e maio de 2025, com os termos "Autism Spectrum Disorder" AND "College Students" AND ("Challenges" OR "Barriers" OR "Difficulties"). Foram selecionados apenas estudos originais (quantitativos, qualitativos ou de métodos mistos) que investigassem diretamente as experiências ou dificuldades dos docentes universitários e acadêmicos com diagnóstico de TEA ou traços autistas, disponíveis gratuitamente em texto completo em português ou inglês. Após as etapas de triagem e elegibilidade, três artigos foram incluídos na análise da perspectiva docente e cinco artigos na análise das vivências estudantis, totalizando oito estudos.
Análise parcial dos resultados: A síntese das evidências revelou desafios distintos, mas complementares. Do ponto de vista docente, foram relatadas dificuldades em manter a atenção dos estudantes com TEA, lidar com comportamentos estereotipados, adaptar avaliações e superar a ausência de suporte institucional adequado. Os professores destacaram sentimentos de despreparo, escassez de capacitação, ausência de diretrizes específicas para inclusão no ensino superior, pouca articulação entre núcleos de acessibilidade e comunidade acadêmica, além de barreiras relacionadas à infraestrutura sensorial e descontinuidade do acompanhamento pedagógico. Na perspectiva dos acadêmicos, os estudos evidenciaram três categorias de desafios:Sociais, marcados por isolamento, dificuldades de interação e vínculos frágeis; Acadêmicos e de funções executivas, como limitações em organização, planejamento, escrita e habilidades de vida diária; e Adaptação ao ambiente universitário, incluindo sobrecarga sensorial e barreiras atitudinais.
Conclusões parciais: Os achados apontam que o ensino superior, embora represente um espaço de oportunidades, ainda está permeado por barreiras estruturais, pedagógicas e sociais que comprometem a inclusão de acadêmicos com TEA. Tanto docentes quanto estudantes destacam a necessidade de maior suporte institucional, capacitação de professores e implementação de estratégias abrangentes e personalizadas que contemplem necessidades acadêmicas, sociais e de adaptação. Ressalta-se, ainda, a escassez de investigações sobre o tema, em especial no que se refere à experiência dos docentes, o que evidencia uma lacuna significativa na literatura e reforça a urgência de novos estudos voltados à eficácia das intervenções e às vivências subjetivas dos estudantes.
Apoio técnico ou financeiro: Este trabalho foi financiado pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), por meio do Programa de Bolsas de Iniciação Científica Universitária (BIC-UNI), e SAMTEA — Programa de Extensão Ensino e Pesquisa sobre o Transtorno do Espectro do Autismo —que concedeu suporte que viabilizou a realização deste trabalho.
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