DESAFIOS DA EDUCAÇÃO MÉDICA PARA ESTUDANTES AUTISTAS: UM ESTUDO DE REVISÃO DE LITERATURA

  • Autor
  • Dhiemys de Jesus Vieira
  • Co-autores
  • Fernanda Dias Alves
  • Resumo
  • DESAFIOS DA EDUCAÇÃO MÉDICA PARA ESTUDANTES AUTISTAS: UM ESTUDO DE REVISÃO DE LITERATURA

     

    Eixo 1 – Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas

     

    Palavras-chave: Transtorno Autístico. Educação Médica. Estudantes de Medicina. Internato e Residência. Neurodiversidade

    Introdução: O ensino médico impõe exigências acadêmicas, sociais e clínicas intensas que podem amplificar barreiras para estudantes com autismo. O transtorno do espectro autista (TEA) envolve diferenças neurológicas que impactam relações sociais, comunicação e padrões de comportamento. No contexto da formação médica, a alta produtividade em curtos prazos, ambientes sensoriais intensos e falta de adaptações adequadas agravam o estresse, o isolamento e o desgaste emocional. Além disso, persistem estereótipos intrínsecos ao corpo docente, que associam pessoas com TEA a riscos potenciais para pacientes, reforçando estigmas e prejudicando o acesso a acomodações. Nesse sentido, o presente trabalho tem como objetivo identificar os principais empecilhos na graduação médica para os acadêmicos com TEA. Fundamentos Teóricos: Adotando a perspectiva da neurodiversidade, o TEA é compreendido como variação neurológica cujos desafios emergem da interação entre características individuais e ambientes majoritariamente projetados para perfis neurotípicos. O ingresso de estudantes com TEA no ensino superior, incluindo a medicina, tem aumentado nas últimas décadas, impulsionado por políticas de inclusão e maior reconhecimento da neurodiversidade. Metodologia:  Com o intuito de investigar estudos que abordam o TEA em contextos de formação médica, uma revisão sistemática da literatura foi conduzida seguindo um processo operacional em várias etapas. Primeiramente, a questão de pesquisa formulada foi: “Quais evidências estão disponíveis acerca do transtorno do espectro autista em universitários e estudantes da área médica?”. Em seguida, foram selecionados os seguintes termos em inglês, combinados utilizando os operadores booleanos “AND” e “OR”: (Autistic Disorder OR Autism Spectrum Disorder) AND (Schools, Medical OR Education, Medical, Undergraduate OR Internship and Residency). Esses termos foram escolhidos com base em identificadores únicos do registro MeSH, e a busca por estudos e referências bibliográficas na literatura foi realizada exclusivamente na base de dados eletrônica PubMed. Foram considerados apenas trabalhos de natureza qualitativa ou quantitativa. Nesta plataforma foram encontrados 99 trabalhos. Utilizou-se, como critério de exclusão a partir do título e resumo, a retirada de todos os estudos que não abordassem a percepção das pessoas com TEA no ambiente universitário. Após isso, dois artigos foram selecionados para análise de texto completo. Análise parcial dos resultados: Entre os principais desafios relatados estão: sensibilidades sensoriais, que acabam sendo agravadas pelos fatores ambientais, como os ruídos em ambientes clínicos e auditórios, sendo altamente dolorosos e opressores para os neurodivergentes. Além do mascaramento e camuflagem de identidade, ao suprimir os traços autistas, como tentativa de se encaixar nos padrões de profissionalismo, que seguem o ideal de conduta e comportamento neurotípico, em concomitância à percepção de imutabilidade do ambiente educacional, em maior grau no ambiente clínico, como forma de autodefesa e adaptação ao ambiente hostil. Ademais, a percepção institucional negativa sobre os acadêmicos com TEA, é visível na falta de apoio dos educadores aos alunos com autismo, por interpretá-los como um potencial  risco aos pacientes ao invés de contribuidores para o bem-estar. Refletindo ainda, na burocracia desnecessária e pesados processos administrativos para obter o mínimo de ajuste e acomodação. Conclusões parciais: A educação médica deve assumir a neurodiversidade como parte do funcionamento normal, e não como um imbróglio a ser negligenciado. A falta de suporte e ajuste aos alunos com TEA insere-os em um ambiente hostil, com o qual lutam para conviver, em vez de prosperar sua jornada acadêmica, encarando o apoio individualizado como uma medida opcional e deficitária, e não como fator essencial para garantia do sucesso de todos os estudantes. 

    Referências

    AITKEN, D. et al. Navigating medical school with autism: a systematic review exploring student experiences & support provision in the United Kingdom. BMC Medical Education, v. 25, p. 927, 2025. DOI: https://doi.org/10.1186/s12909-025-06866-9.

     

    THOMPSON, C. et al. I don’t want to be a patient: peer mentoring partnership fosters communication for autistic university students. Scandinavian Journal of Occupational Therapy, v. 27, n. 8, p. 625-640, 2020. DOI: https://doi.org/10.1080/11038128.2020.1738545.

  • Palavras-chave
  • Transtorno Autístico, Educação Médica, Estudantes de Medicina, Internato e Residência, Neurodiversidade
  • Área Temática
  • Eixo 1 - Educação Inclusiva, Acessibilidade e Tecnologias Assistivas
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