PROJETO DE VIDA E INCLUSÃO EDUCACIONAL: POLÍTICAS PÚBLICAS, GESTÃO E FORMAÇÃO DE FUTUROS POSSÍVEIS NO NOVO ENSINO MÉDIO
Larrey Setimi de Castro
Universidade Estácio de Sá (UNESA)
E-mail:larreysetimidecastro@gmail.com
Fabrício Santos Dias de Abreu
Universidade Estácio de Sá (UNESA)
E-mail: fabra201@gmail.com
Eixo: Eixo 3 – Políticas Públicas e Gestão Educacional na Perspectiva Inclusiva
Palavras-chave: Projeto de Vida, Inclusão Educacional, Gestão Democrática.
Resumo Simples
O presente trabalho, de natureza analítico-conceitual, discute a influência da disciplina Projeto de Vida no desenvolvimento de competências socioemocionais de estudantes do 3º ano do Ensino Médio, considerando as transformações advindas da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e do Novo Ensino Médio. Ao instituir essa disciplina como componente obrigatório, o Estado busca consolidar uma política pública voltada à formação integral, articulando dimensões cognitivas, éticas e socioemocionais e reposicionando a escola pública como espaço de construção de sentidos, pertencimento e cidadania (Caetano, 2021; Dourado 2021). Sob a ótica das políticas públicas inclusivas, o Projeto de Vida emerge como um dispositivo pedagógico capaz de conectar trajetórias individuais e coletivas, estimulando o autoconhecimento e o reconhecimento do outro como parte fundamental da experiência educativa. Essa disciplina possibilita que o estudante projete futuros possíveis e elabore metas concretas em diálogo com sua realidade social. Tal movimento é particularmente relevante para populações historicamente fragilizadas — jovens de baixa renda, moradores de periferias, estudantes negros, indígenas, com deficiência ou em risco de evasão —, que muitas vezes não encontram na escola um espaço de afirmação de suas potencialidades e de construção de horizontes de vida. Ao propor reflexões sobre valores, escolhas e propósitos, o Projeto de Vida contribui para o enfrentamento das desigualdades educacionais, sociais e simbólicas. A partir de metodologias participativas e dialógicas, essa disciplina pode fortalecer a capacidade de os estudantes reconhecerem-se como sujeitos históricos e autores de suas trajetórias, ampliando o repertório de possibilidades de inserção social, acadêmica e profissional. Assim, o Projeto de Vida não se restringe à orientação vocacional, mas constitui um campo de mediação simbólica e política entre o que os jovens são, o que desejam ser e o que o contexto lhes permite construir (Oliveira & Almeida, 2020).
Contudo, sua efetividade depende de condições institucionais e formativas que sustentem práticas pedagógicas reflexivas e sensíveis à diversidade. A ausência de recursos, a falta de formação docente específica e o excesso de demandas curriculares tendem a reduzir a disciplina a um espaço burocrático e desvinculado da realidade dos estudantes. Para que o Projeto de Vida cumpra sua função emancipadora, é fundamental que a gestão escolar adote uma postura democrática, capaz de articular o currículo às demandas locais e de promover a escuta ativa como prática cotidiana. Nesse sentido, a disciplina pode se tornar um instrumento de inclusão educacional e social, ao permitir que os estudantes elaborem narrativas de si e construam perspectivas de futuro ancoradas na esperança e na responsabilidade coletiva. Ela reafirma a função humanizadora da escola ao estimular a empatia, a solidariedade e a consciência crítica diante das contradições do mundo contemporâneo. Estratégias como rodas de conversa, oficinas temáticas, projetos interdisciplinares e acompanhamento individualizado possibilitam transformar o componente curricular em espaço de elaboração de sentidos e de fortalecimento da autoestima, sobretudo entre aqueles que vivem situações de vulnerabilidade. Mais do que cumprir uma exigência normativa, o Projeto de Vida representa uma oportunidade de consolidar políticas educacionais orientadas por equidade, justiça social e emancipação humana (Gerheim, 2022; Costa, 2021).
Referências
CAETANO, É. Projeto de vida e juventudes: sentidos e experiências na escola. 1. ed. São Paulo: Cortez, 2021.
COSTA, E. de O. Projeto de vida como estratégia pedagógica no novo ensino médio: uma abordagem socioemocional. Revista Brasileira de Educação Básica, Belo Horizonte, UFMG, n. 25, p. 1-12, jul. 2021.
DOURADO, L. F. Reforma do ensino médio e os itinerários formativos: concepção, implementação e desafios. 1. ed. Campinas: Mercado de Letras, 2021.
GERHEIM, D. dos S. Competências socioemocionais no trabalho docente: formação inicial, pandemia e reconstrução de projetos de vida. In: LEITE, C. et al. (Org.). Projeto de vida e educação: contribuições para a prática pedagógica. Curitiba: Appris, 2022. p. 101-118.
OLIVEIRA, G. A. de; ALMEIDA, L. R. de. Itinerários formativos e projeto de vida no novo ensino médio: desafios e possibilidades. Revista e-Curriculum, São Paulo, v. 18, n. 1, p. 150-173, jan./abr. 2020.
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