FEMINIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO: ENTRE A DESIGUALDADE DE GÊNERO E A BUSCA POR JUSTIÇA SOCIAL
Eixo: Educação e Justiça Social: Identidades, Gênero e Relações Étnico-Raciais
Palavras-chave: (Gênero, Educação, Docência, Representações sociais)
Resumo Simples – O presente trabalho é um recorte de uma pesquisa de doutorado em andamento. Propomos reflexões sobre a docência como instrumento de justiça social e mobilidade feminina, destacando o papel da educação como meio de emancipação e autonomia.
Introdução
A docência no Brasil tem sido historicamente marcada pela presença feminina, um fenômeno que reflete tanto as transformações sociais quanto as desigualdades estruturais que ainda permeiam o campo educacional. A feminização do magistério, longe de ser um mero dado estatístico, revela-se como uma construção histórica e cultural associada à ideia de cuidado, sensibilidade e vocação, reforçando estereótipos de gênero. Contudo, ao mesmo tempo em que reproduz desigualdades, a docência se apresenta como um espaço de resistência e de ascensão econômica para as mulheres, especialmente das classes populares.
Fundamentos Teóricos
A abordagem teórica baseia-se nos estudos de gênero e nas representações sociais, com contribuições de autoras como Scott (1995), Butler (1990) e Carreira (2016), que discutem a construção social das identidades de gênero e a permanência de desigualdades no campo educacional. Parte-se da compreensão de Moscovici (1961) sobre as representações sociais como formas de saber que orientam a ação e moldam percepções coletivas, o que permite compreender como a profissão docente é simbolicamente construída e valorizada socialmente
Metodologia
A metodologia adotada se ancora em uma abordagem qualitativa, com base em pesquisa bibliográfica e análise documental, permitindo compreender a trajetória das mulheres na educação e suas estratégias de inserção e permanência profissional. Essa análise busca identificar como as condições socioeconômicas, as expectativas de gênero e as políticas públicas educacionais interferem nas oportunidades de ascensão e reconhecimento profissional das docentes.
Análise de dados
A análise dos estudos indica que, embora as mulheres constituam a maioria do corpo docente na educação básica, sua presença em cargos de gestão e tomada de decisão ainda é restrita. Essa disparidade reflete a persistência de barreiras simbólicas e materiais que limitam a ascensão profissional feminina, reforçando o chamado “teto de vidro” (González, 2002). Ao mesmo tempo, observa-se que a docência, mesmo com salários historicamente baixos, tem se configurado como uma via possível de autonomia financeira e de transformação social para mulheres, especialmente em contextos de vulnerabilidade.
Conclusões parciais
Conclui-se que a docência, ao reunir aspectos de trabalho, cuidado e transformação, é um campo estratégico para a promoção da igualdade de gênero e da justiça social. O reconhecimento das professoras como agentes de mudança e a valorização de sua atuação são fundamentais para a construção de uma sociedade mais equitativa. Reafirma-se, portanto, a necessidade de políticas públicas que garantam melhores condições de trabalho e ampliem as possibilidades de liderança e reconhecimento para as mulheres na educação.
Referências
ADORNO, Theodor. Educação e Emancipação. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995.
BUTLER, Judith. Problemas de Gênero: Feminismo e Subversão da Identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
CARREIRA, Denise, et al. Gênero e educação: fortalecendo uma agenda para as políticas educacionais. São Paulo: Ação Educativa, 2016.
GONZÁLEZ GARCÍA, M. I; PÉREZ SEDEÑO, E. Ciencia, tecnología y género. Madrid: Instituto de la Mujer, 2002.
MOSCOVICI, Serge. A Psicanálise, sua imagem e seu público. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.
SCOTT, Joan W. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, 1995.
Comissão Organizadora
Congresso Internacional Educação e Diversidade
Júnea Tatiane Damasceno Oliveira
Éryka Jovania Pereira
Silvana Diamantino França
Juliane Leite Ferreira e Figueiredo
ALINE MARIA GONZAGA RUAS
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