Introdução
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade fundamental da educação básica e um espaço de reconstrução de trajetórias interrompidas pela exclusão social, econômica e cultural. Para além da função reparadora, a EJA representa o reconhecimento do direito à educação e a afirmação da dignidade humana. Nesse cenário, a formação docente assume papel essencial, pois dela depende a qualidade da mediação pedagógica e o desenvolvimento de práticas emancipatórias.
Este trabalho tem como objetivo analisar os desafios e as possibilidades da formação docente para a EJA, compreendendo-a como processo contínuo e crítico, capaz de articular teoria, prática e compromisso ético com os sujeitos que retomam os estudos em diferentes momentos da vida.
Fundamentos Teóricos
A formação do educador que atua na EJA requer uma concepção ampliada de educação e de sujeito. Para Freire (1987), ensinar é um ato político que implica reconhecer o educando como portador de saberes e experiências. Nessa perspectiva, a prática pedagógica se constrói no diálogo, na escuta e na problematização da realidade. Arroyo (2017) reforça que a docência na EJA precisa considerar as condições de vida, de trabalho e de resistência dos estudantes, reconhecendo-os como sujeitos históricos.
Tardif (2014) e Pimenta (2012) apontam que o saber docente é plural e se constrói na articulação entre o conhecimento teórico, o saber da experiência e a cultura profissional. Assim, a formação de professores para a EJA deve contemplar as especificidades dessa modalidade, indo além da transmissão técnica e incorporando a dimensão humana e social da aprendizagem.
As políticas públicas de formação ainda apresentam lacunas significativas. Di Pierro e Ribeiro (2008) destacam que a ausência de programas permanentes e a descontinuidade das ações de formação docente comprometem a efetividade da EJA como política de inclusão e justiça educacional.
Metodologia
A pesquisa é de natureza qualitativa e de caráter bibliográfico e documental. Foram analisadas produções acadêmicas disponíveis em bases científicas nacionais, bem como documentos oficiais do Ministério da Educação e da UNESCO. A metodologia adotada permitiu compreender os fundamentos e desafios da formação docente na EJA, buscando identificar práticas formativas exitosas e seus impactos na construção da autonomia e da emancipação dos educandos.
Análise de dados
Os dados analisados evidenciam que a formação docente voltada à EJA ainda é insuficiente nos cursos de licenciatura, que abordam a modalidade de forma pontual. Tal ausência repercute diretamente na prática pedagógica, gerando insegurança e reprodução de métodos descontextualizados.
Em contrapartida, experiências de formação continuadas articuladas ao cotidiano das escolas têm apresentado resultados promissores. Encontros formativos pautados na escuta das dificuldades reais dos professores e no diálogo com a comunidade promovem maior engajamento e fortalecimento da identidade docente.
Essas experiências demonstram que a formação crítica, quando vinculada à prática, contribui para transformar o espaço da EJA em território de pertencimento, diálogo e emancipação. Observa-se, contudo, que persistem desafios estruturais, como a falta de políticas permanentes de formação, a sobrecarga de trabalho e a desvalorização docente, fatores que limitam a inovação e o compromisso pedagógico.
Conclusões
A formação docente na EJA é condição essencial para que o direito à educação se concretize de forma plena. Superar a visão compensatória da modalidade requer investir em processos formativos que unam teoria e prática, sustentados por princípios éticos, sociais e políticos. O professor da EJA precisa ser um mediador de saberes, capaz de reconhecer a experiência dos educandos e de transformar o espaço escolar em lugar de trocas e reconstrução de identidades. Assim, fortalecer a formação docente significa reafirmar a EJA como instrumento de emancipação e de inclusão social, consolidando o papel da educação como prática de liberdade.
Referências
ARROYO, Miguel G. Ofício de Mestre: imagens e autoimagens. 14. ed. Petrópolis: Vozes, 2017.
DI PIERRO, Maria Clara; RIBEIRO, Vera Masagão. Educação de Jovens e Adultos: um campo em construção. São Paulo: Global, 2008.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
PIMENTA, Selma Garrido. Formação de professores: identidade e saberes da docência. São Paulo: Cortez, 2012.
TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2014.
Comissão Organizadora
Congresso Internacional Educação e Diversidade
Júnea Tatiane Damasceno Oliveira
Éryka Jovania Pereira
Silvana Diamantino França
Juliane Leite Ferreira e Figueiredo
ALINE MARIA GONZAGA RUAS
Comissão Científica