Introdução
O preconceito racial nas escolas, por meio de discriminação, estereótipos e violência, acarreta um impacto negativo direto no desenvolvimento socioemocional, na autoestima e no desempenho acadêmico dos alunos negros. A perpetuação desse quadro é fomentada por dois fatores principais: a inadequada formação docente para as relações étnico-raciais e a hegemonia de materiais didáticos com viés eurocêntrico. A superação dessa realidade exige, portanto, uma abordagem sistêmica, que envolva a desconstrução do racismo estrutural e a promoção ativa de uma cultura de valorização da diversidade, visando consolidar um ambiente escolar inclusivo e acolhedor.
Nesse sentido, o preconceito no ambiente escolar manifesta-se de formas complexas e interligadas, que vão desde a discriminação direta, por meio de agressões verbais e exclusão social por parte de colegas e educadores, até o racismo velado, que reproduz estereótipos sob a aparência de comentários inofensivos. Essa dinâmica é reforçada por problemas estruturais, como o acesso desigual de jovens negros a uma educação de qualidade e a escassa representatividade negra nos currículos e materiais didáticos, que perpetuam uma visão eurocêntrica. Como resultado, os estudantes sofrem graves consequências, incluindo impactos emocionais como baixa autoestima e depressão, além de um comprometimento no desempenho acadêmico que eleva as taxas de evasão. Dessa forma, a escola, ao invés de combater, acaba por se tornar um espaço que reproduz e amplia as desigualdades sociais e raciais para além de seus muros.
Fundamentos Teóricos
Conforme Lucinda (2025), a Educação para as Relações Étnico-Raciais, quando integrada à Educação em Direitos Humanos, fortalece a necessidade de adotar práticas pedagógicas com viés antirracista, interseccional e emancipador no ambiente educacional. A autora ainda aponta que a Educação em Direitos Humanos, fundamentada por documentos como o PNEDH (Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos) e as DCNERER (Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos), serve como um guia para desenvolver práticas que combatam as desigualdades, valorizem a diversidade e lutem contra as discriminações sistêmicas. Para a discussão e reflexões sobre o tema também foram consultados autores como Castilho (2018), Gadotti (1992), André (2011) e Candau (2000).
Metodologia
As obras estudadas foram utilizadas para fornecer informações relevantes sobre o tema, discutido nas aulas da disciplina “Educação, Diversidade e Direitos Humanos”, em aulas expositivas dialogadas, debates e seminários sobre as diferentes formas da diversidade. Para aprofundar a análise sobre como enfrentar essa problemática, recorreu-se a uma metodologia específica. A metodologia utilizada consiste em pesquisa qualitativa, de caráter bibliográfico e documental, pautada na análise do livro “Interculturalidade Decolonialidade e Direitos Humanos: desafios para a educação”. Essa abordagem permitiu identificar estratégias educativas que se mostram eficazes no combate ao racismo e na construção de um ambiente escolar inclusivo. Nesse contexto, é fundamental investir em formação e conscientização, capacitando professores para identificar e intervir em situações de racismo e promover debates sobre diversidade.
Análise parciais dos resultados
Diante do exposto, verifica-se que a inclusão curricular deve assegurar o ensino da história e da cultura africana e afro-brasileiras, valorizando a diversidade, uma vez que a promoção da igualdade requer a construção de um ambiente escolar que celebre diferenças e seja acolhedor desde a educação infantil.
Conclusões parciais
Por fim, compreende-se que o engajamento da comunidade escolar, denunciando atos de preconceito, apoiando vítimas e incentivando práticas antirracistas, é essencial para desconstruir estereótipos e preconceitos.
Comissão Organizadora
Congresso Internacional Educação e Diversidade
Júnea Tatiane Damasceno Oliveira
Éryka Jovania Pereira
Silvana Diamantino França
Juliane Leite Ferreira e Figueiredo
ALINE MARIA GONZAGA RUAS
Comissão Científica