Introdução
A Reforma Agrária Popular constitui um eixo central para a compreensão das dinâmicas sociais e territoriais no Brasil. O presente trabalho está inserido no contexto da 5ª Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária Popular (JURA), realizada pelo NEPRA (Núcleo de Estudos e Pesquisas Regionais e Agrários) da Unimontes, com apoio do CEPAC (Centro de Educação Popular) e do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) nos dias 12 e 13 de setembro de 2025 e busca analisar a trajetória de resistência do Assentamento Estrela do Norte, no Norte de Minas.
Este assentamento, ligado ao MST, representa um estudo de caso emblemático da luta pela terra na região. O processo de ocupação e transformação da terra em espaços de moradia e produção coletiva configuram-se como atos políticos e pedagógicos fundamentais (FERNANDES, 2008).
Fundamentos Teóricos
O estudo adota a perspectiva da Questão Agrária Brasileira, compreendendo a luta pela terra para além da dimensão fundiária, abrangendo a construção de novas territorialidades e a busca pela cidadania (STEDILE, 2013).
A memória social é utilizada como ferramenta analítica (CANDAU, 2001), onde as narrativas orais revelam o passado de violência e a persistente organização coletiva. A educação do campo é vista como um pilar de sustentação política e social do assentamento. A análise teórica sublinha que a luta do MST constrói, pela resistência, a possibilidade de uma sociedade mais justa.
Metodologia
Utilizou-se uma abordagem qualitativa com pesquisa de campo de caráter etnográfico. Realizou-se visita ao assentamento para conhecer a estrutura de uso coletivo. Percorreu-se a área de dois assentados para conhecer seu modo de vida e de trabalho, empregando-se a escuta ativa e a observação participante. O foco metodológico recaiu sobre as narrativas e histórias de vida dos assentados, em especial dos pioneiros, como o senhor Geraldo. O registro e a análise dessas falas permitiram a reconstituição da trajetória desde as ocupações até as conquistas atuais, evidenciando as violências sofridas pelos assentados e as superações vivenciadas pela comunidade ao longo dos anos.
Análise parcial dos resultados
Os relatos orais confirmaram a intensidade das violências, simbólica e física, sofridas, demonstrando que a organização coletiva foi a chave para a conquista da terra. A história do senhor Geraldo, de quase 90 anos, ressalta a sabedoria popular na condução da luta. As conquistas obtidas incluem a implementação de escolas, municipal (Educação Infantil) e estadual (Ensino Fundamental e Médio), validando a educação como um direito e um avanço social. Contudo, a análise também identificou desafios infraestruturais críticos, como a escassez de água. Isso evidencia que o assentamento é um território em contínua construção, onde a persistência da luta é essencial para a superação das adversidades e o aprofundamento da vida digna no campo.
Conclusões parciais
O Assentamento Estrela do Norte atesta a capacidade de transformação da realidade pela luta organizada dos trabalhadores rurais. A memória atua como força motriz da esperança e do compromisso coletivo. As conquistas em moradia e educação ratificam a validade da luta pela Reforma Agrária Popular. Nesse sentido, é possível inferir que o assentamento é um espaço de resistência ativo no Norte de Minas, e o estudo reforça a importância social e acadêmica de apoiar e registrar essas experiências de construção de um projeto de vida justo e igualitário no campo.
Referências
CANDAU, Joel. Memória e identidade. Tradução de Maria Letícia Ferreira. São Paulo: Contexto, 2001.
FERNANDES, B. M. A gênese do Movimento dos Sem Terra (MST). São Paulo: Expressão Popular, 2008.
STEDILE, J. P. A luta pela terra no Brasil. São Paulo: Expressão Popular, 2013.
Comissão Organizadora
Congresso Internacional Educação e Diversidade
Júnea Tatiane Damasceno Oliveira
Éryka Jovania Pereira
Silvana Diamantino França
Juliane Leite Ferreira e Figueiredo
ALINE MARIA GONZAGA RUAS
Comissão Científica