Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits na comunicação e na interação social, além de padrões de comportamento e interesses restritos e repetitivos. A rotina e o acesso a terapias e suportes especializados são essenciais para o desenvolvimento educativo de crianças e adolescentes com TEA. Nesse contexto, a pandemia de COVID-19 e as medidas de isolamento social resultaram na interrupção de tratamentos, no acompanhamento multidisciplinar e nas atividades escolares, além de limitar significativamente as interações sociais. Este estudo objetiva analisar os impactos da pandemia sobre a educação de crianças e adolescentes com TEA. Fundamentos Teóricos: Sob a perspectiva da neurodiversidade, o TEA é entendido como uma variação neurológica que demanda ambientes educacionais inclusivos. Durante a pandemia, as crianças com TEA enfrentaram maiores desafios no ensino remoto, devido à ruptura da rotina, às dificuldades de comunicação e à falta de adaptações adequadas. Esses fatores intensificaram barreiras de aprendizagem e ressaltaram a importância de práticas pedagógicas mais flexíveis e sensíveis à diversidade. Metodologia: A estratégia de busca foi elaborada na plataforma Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), utilizando os seguintes termos em inglês, combinados com os operadores booleanos “AND” e “OR”: ("Autism Spectrum Disorder" OR "Autistic Disorder") AND ("COVID-19" OR "Coronavirus") AND ("Child" OR "Children"). Esses termos foram escolhidos com base em identificadores únicos do registro MeSH. A pesquisa foi direcionada para “documentos indexados da BVS”, adicionando-se o filtro de “Autism Spectrum Disorder” como assunto principal. Nos campos de busca “título, resumo e assunto”, foram inseridos os descritores combinados com os operadores booleanos, conforme indicado. A pesquisa foi restrita às publicações dos últimos cinco anos, disponíveis gratuitamente nos bancos de dados Medline e Lilacs da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Foram encontrados 24 registros. Após leitura de títulos e resumos, excluíram-se 2 estudos não restritos à população infantil, 2 teses, 1 revisão sistemática, 2 estudos sem relação com COVID-19, 1 estudo indisponível para acesso gratuito, 2 que abordavam outros transtornos do desenvolvimento e 5 não abordavam os impactos na educação. Assim, 9 artigos foram selecionados para leitura integral e inclusão na análise final. Todo o processo foi conduzido de forma independente por dois revisores, com resolução de divergências por consenso. Análise parcial dos resultados: A análise dos artigos revelou que a pandemia impactou significativamente o bem-estar de crianças com TEA. As principais intercorrências incluíram a interrupção abrupta de rotinas, com reclusão total do ambiente educacional presencial, impactando todo o processo de construção da socialização e consolidação do aprendizado, que ocorre de maneira defasada em crianças com TEA. Houve ainda a suspensão de terapias e a interrupção de investigações clínicas, resultando em regressão do desenvolvimento, principalmente nas áreas de linguagem e de raciocínio lógico, aliadas a alterações comportamentais negativas, como aumento da irritabilidade, comportamentos repetitivos e crises. Observou-se também um aumento do tempo de tela, contribuindo para a regressão de avanços no desenvolvimento socioafetivo. Em contrapartida, atividades educativas remotas forneceram estrutura e suporte, enquanto o retorno gradual às terapias foi crucial para a recuperação de habilidades e a melhora geral da cognição e do comportamento. Conclusões parciais: Em síntese, a pandemia de COVID-19 impactou negativamente a formação educacional fundamental das crianças com TEA, afetando desenvolvimento, rotinas e terapias. Fatores como escolas com suporte virtual e o retorno gradual às atividades educacionais presenciais mostraram-se protetores, evidenciando a importância de estratégias de suporte adaptadas às necessidades desse grupo.
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