A RELEVÂNCIA DO APOIO A CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA DURANTE A PANDEMIA: UM ESTUDO DE REVISÃO DE LITERATURA

  • Autor
  • Dhiemys de Jesus Vieira
  • Co-autores
  • Fernanda Dias Alves , Camila Coelho Santos , Maria Fernanda Pereira do Carmo , Giúlia Gabriela Vieira Borges Soares , Ana Vitória Guedes e Sousa
  • Resumo
  • Introdução: A COVID-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2, foi declarada pela Organização Mundial da Saúde como emergência de saúde pública internacional em 30 de janeiro de 2020. As medidas de controle, como isolamento social, quarentenas e suspensão de atividades presenciais, embora necessárias para reduzir a transmissão, tiveram impacto profundo nas rotinas e no acesso a serviços de saúde e educação. Crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), condição do neurodesenvolvimento caracterizada por desafios na interação social, comunicação e padrões comportamentais restritos, mostraram-se particularmente vulneráveis às consequências do isolamento, à interrupção de terapias e à mudança para ambientes virtuais. O presente trabalho tem como objetivo reunir e discutir as evidências disponíveis sobre os impactos da pandemia de COVID-19 nas famílias e cuidadores de crianças e adolescentes com TEA, com foco nas implicações para políticas públicas inclusivas nos campos da saúde, educação e gestão. Fundamentos Teóricos:  O TEA, pela lente da neurodiversidade, é uma variação neurológica cujos desafios surgem da incompatibilidade entre o indivíduo e ambientes projetados para neurotípicos. A pandemia de COVID-19 rompeu rotinas e interrompeu serviços essenciais, agravando dificuldades emocionais e comportamentais em crianças e adolescentes com TEA. Nesse cenário, o apoio familiar, reforçado por capacitação, teleintervenções e políticas públicas que garantam continuidade do cuidado e adaptações educacionais,  é crucial para mitigar impactos e promover inclusão. Metodologia: Foi conduzida uma revisão narrativa da literatura. A busca foi realizada na base PubMed, utilizando os descritores “Impact”, “Family”, “COVID-19” e “Autism”. Esses termos foram escolhidos com base em identificadores únicos do registro MeSH, combinados com operadores booleanos (“AND”, “OR”) e com filtro temporal dos últimos cinco anos. Do total inicial de 279 artigos identificados, 26 foram considerados pertinentes após triagem de títulos e resumos; 18 destes foram excluídos por indisponibilidade de texto completo ou descrição metodológica insuficiente, resultando em 8 estudos incluídos na análise final. Optou-se por uma abordagem descritiva e interpretativa, própria da revisão narrativa, sem aplicação de protocolos sistemáticos como PRISMA. Análise parcial dos resultados: A literatura revisada aponta consistência na associação entre a pandemia e o aumento da sobrecarga de cuidadores de crianças e adolescentes com TEA. Foram relatados maiores níveis de ansiedade, estresse e exaustão entre pais e responsáveis, atribuídos ao acúmulo de papéis (cuidador, educador substituto, mediador terapêutico), à perda de apoio institucional, à redução do acesso a serviços de saúde e terapias presenciais e às dificuldades de adaptação ao ensino remoto. Estudos também indicaram agravamento de comportamentos desafiadores e dificuldades emocionais em muitos indivíduos com TEA, especialmente quando houve ruptura de rotinas ou suporte terapêutico insuficiente. Paralelamente, alguns relatos destacaram potencialidades do uso de estratégias remotas (telepráticas) quando bem estruturadas e acompanhadas, bem como a importância de redes de suporte social e orientações específicas aos cuidadores. Conclusões parciais: Durante a pandemia de COVID-19, pais e cuidadores de crianças e adolescentes com TEA demonstraram maior vulnerabilidade a transtornos de ansiedade e níveis elevados de estresse, decorrentes da interrupção de serviços e do aumento das demandas domésticas e educacionais. A partir desses achados, ressalta-se a necessidade de políticas públicas que assegurem continuidade de cuidado em situações de crise. incluindo a ampliação e regulação de teleintervenções, capacitação e suporte para cuidadores, e medidas de inclusão educacional que considerem adaptações e recursos tecnológicos.

     

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  • Palavras-chave
  • Impacto, Família, COVID-19, Autismo
  • Área Temática
  • Eixo 3 – Políticas Públicas e Gestão Educacional na Perspectiva Inclusiva
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