LIPOMA EM UMA CADELA: RELATO DE CASO

  • Autor
  • Joel Veras de Oliveira
  • Co-autores
  • Ludymilla Coelho Cavalcante , Maria Dalilla dos Santos Almeida , Luciana Magalhães Melo , Ana Karine Rocha de Melo Leite , Ticiana Franco Pereira da Silva
  • Resumo
  •  

    Introdução

    A rotina das clínicas e dos hospitais veterinários mostram que as neoplasias cutâneas são as mais frequentemente diagnosticadas, tendo como uma das mais prevalentes, o lipoma. Ele pode ter origem de adipócitos e, eventualmente, da derme, sendo considerados uma neoplasia mesenquimal benigna comum. Os lipomas verdadeiros são encapsulados, com crescimento lento e caracterizados como massas únicas ou múltiplas (PARANHOS, 2014).  

    O lipoma é uma neoplasia que se apresenta mais comumente em cães (D'ALESSANDRO et al., 2008), podendo acometer qualquer raça. Contudo, as mais acometidas são Labrador, Weimaraner, Doberman, Schnauzer, Daschund, Cocker Spaniel e o Poodle (SCOTT et al., 2001). A castração, a idade avançada e a obesidade são fatores predisponentes (BIRCHARD & SHERDING, 2008; PARANHOS, 2014).

    O diagnóstico baseia-se no exame físico da região por inspeção e palpação. O diagnóstico diferencial é feito por meio de imagens, biópsias aspirativas e, principalmente, histopatológicas, sendo estes últimos primordiais para a afirmação do tipo celular neoplásico e a extensão do tumor (GUEDES et al., 1997).

    A dimensão do lipoma e sua acomodação no tecido irão direcionar o tratamento. Para tumores pequenos, bem definidos e de crescimento lento, o tratamento cirúrgico não é necessário. A cirurgia torna-se inevitável em casos em que o tumor tenha proporções exageradas ou tenha característica infiltrativa. Nos tumores que estão infiltrados, além da cirurgia, poderá haver a associação com a radioterapia adjuvante (PARANHOS, 2014).

    Dependendo dos aspectos deste tipo de neoplasia, o prognóstico pode ser consideravelmente bom para lipomas bem circunscritos. Já para lipomas infiltrados nos tecidos, o percentual de reincidência é alto, podendo levar a destruição nos tecidos adjacentes (PARANHOS, 2014). Diante de todos esses fatores, o lipoma é uma realidade presente na clínica veterinária podendo comprometer a rotina e o bem-estar do animal.

     

    Objetivo

    O presente trabalho teve como objetivo relatar o estabelecimento do diagnóstico médico veterinário de um lipoma não-infiltrativo referente a uma massa tumoral na região inguinal de uma cadela.

     

    Metodologia

    A Uma cadela, da raça Bulldog Francês, com 6 anos de idade, castrada, pesando 14kg, com histórico de aumento de volume na região inguinal posterior esquerda foi acompanhada. A avaliação clínica do animal consistiu de anamnese e exame físico, com medição de temperatura retal, avaliação do escore corporal, inspeção geral e palpação da estrutura neoplásica e dos linfonodos superficiais.

    Após a avaliação clínica do animal, alguns exames complementares ao diagnóstico foram solicitados, sendo eles: ultrassonografia modo Doppler (aparelho MEDISON R3 e sonda linear multifrequencial de 5 e 9MHz) e citopatologia de biópsia por aspiração do nódulo inguinal.

     

    Resultados e Discussão

    Apesar de ser considerada uma tumoração de caráter benigno, não apresentando risco iminente a vida do animal, fatores como a localização anatômica e a característica de crescimento do lipoma podem gerar quadro de desconforto ou até de dor no paciente. Assim, durante o exame clínico do animal, na etapa de exame físico, por meio da inspeção e palpação, o médico veterinário pode fazer um diagnóstico presuntivo do tumor de pele.

    No presente estudo, ao exame clínico, a paciente apresentava-se sem sinais de hipertermia ou prostração, nem comprometimento de marcha. Em anamnese, a tutora relatou manutenção de comportamento normal do animal, inclusive referente aos hábitos alimentares. Os parâmetros fisiológicos estavam dentro da normalidade, apresentando temperatura retal em torno de 39,0 °C, e escore corporal 3 (costelas palpáveis sem excessiva cobertura de gordura, abdome retraído quando visto de lado), mucosas normocoradas, sem ectoparasitas e com linfonodos palpáveis. No exame de palpação, o animal demonstrava ausência de dor. A estrutura possuía aproximadamente 3cm de diâmetro, formato oval e cápsula bem definida, apresentava ainda consistência firme e ligação subcutânea frouxa. A posição anatômica era de sobreposição ao linfonodo inguinal, sem, aparentar ligação morfológica direta com o mesmo, o qual era palpável de forma independente.

    As biópsias são importantes para as avaliações citopatológicas, sendo estes últimos essenciais para a determinação do tipo celular neoplásico, além de permitirem a definição e o estadiamento do tumor (GUEDES et al., 1997). No presente caso, o exame citopatológico da biopsia do nódulo por aspiração confirmou o diagnóstico de lipoma não-infiltrativo, apresentado blocos de adipócitos típicos entrecortados por finos feixes fibrosos, com algumas hemácias e debris celulares. Os achados ultrassonográficos foram corroborativos à suspeita clínica de lipoma não-infiltrativo, indicando uma massa nodular com 1,96x2,98cm, de ecotextura finamente homogênea, e aspecto fortemente sugestivo de gordura, com ausência de invasão vascular na estrutura. O linfonodo inguinal ipsilateral ao lipoma não apresentava sinais de reatividade, com vascularização e fluxo sanguíneos normais, apresentando aspecto e tamanho padrão (E: 1,14x0,46cm; D: 0,82x0,39cm).

    Os tumores pequenos, bem delimitados e de crescimento lento devem ser acompanhados constantemente a fim de avaliar sua evolução. Caso não haja nenhuma alteração significativa no aspeto das lesões, o tratamento cirúrgico não é recomendado. O tratamento cirúrgico, por meio da excisão tumoral é indicado em casos de tumores com crescimento acelerado. Os lipomas infiltrativos, por sua vez, devem ser tratados com uma cirurgia agressiva precoce, podendo ser associada a radioterapia adjuvante, caso a excisão seja incompleta (PARANHOS, 2014).

    Considerações Finais

    A paciente em questão apresentou lipoma inguinal, sem características indicativas de tumor infiltrativo. A remoção cirúrgica foi desaconselhada e o acompanhamento de crescimento do tumor é indicado. O prognóstico para esse tipo de neoplasia é considerado favorável, pois o lipoma é bem circunscrito, com ausência de destruição dos tecidos adjacentes.

    Referências Bibliográficas

    PARANHOS, C. A. 2014. Neoplasias cutâneas caninas: um estudo descritivo de 4 anos. Medicina Veterinária. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real.

    D'ALESSANDRO, G. S.; NUNES, T. R.; LAJNER, A.; BEIRIGO, M. F.; PORTO, O.; PINTO, W. S. Lipoma intermuscular gigante: relato de caso. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, São Paulo, v.23, n.3, p.226-228, 2008.

    SCOTT, D.W. et al. Muller & Kirk - Dermatologia dos pequenos animais. 6.ed. Philadelphia: Saunders, 2001. 1528p.

    BIRCHARD, S. J. & SHERDING, R. G. 2008. Manual Saunders: clínica de pequenos animais, São Paulo.

    GUEDES, R. M. C., NOGUEIRA, R. H. G. & TUDURY, E. A. 1997. Diagnóstico citológico de lesões proliferativas e inflamatórias através da técnica de punção de tecidos com agulha fina. Hora Veteterinária, 96, 15-21.

  • Palavras-chave
  • neoplasia, lipoma, ultrassonografia, citopatologia
  • Modalidade
  • Pôster
  • Área Temática
  • CLÍNICA E BIOTECNOLOGIAS APLICADAS EM MEDICINA VETERINÁRIA
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Seja bem-vind@ à leitura dos Anais da CONEXÃO Fametro 2018!

Temos o prazer de disponibilizar à comunidade acadêmica os Anais do VI Encontro de Iniciação à Pesquisa, VI Encontro de Monitoria e Iniciação Científica e VIII Encontro de Pós-graduação. Aqui estão os trabalhos que foram apresentados durante o evento, que agora são compartilhados em forma de artigos digitais. O tema da CONEXÃO Fametro 2018 foi “Inovação e Criatividade”.

Com este tema, procuramos fomentar discussões e pesquisas que abordassem as mais diversas áreas do conhecimento, demonstrando o potencial transdisciplinar e inovador dos pesquisadores, tendo a dimensão artística como principal norteador.

Tratam-se de trabalhos interessantes que podem auxiliar em estudos e pesquisas, estimular outros alunos e professores à produção científica e dar subsídios a novas práticas em campos de atuação diversos das áreas da saúde, humanas e exatas.

Esperamos que esta publicação ajude como mais uma opção de apoio à pesquisa e ao desenvolvimento científico, uma vez que concentra artigos resultantes de investigações comprometidas com a publicização do conhecimento de qualidade, a responsabilidade social e mudanças nos contextos de atuação.

 

Boa leitura!

 

Solange Sousa Pinheiro 

PRESIDENTE DA COMISSÃO CIENTÍFICA

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