Um verão gaúcho na tela: circulação e recepção de Houve uma vez dois verões em 2002

  • Autor
  • Tiago Gonçalves
  • Resumo
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    Este trabalho tem como objetivo analisar a recepção do filme Houve uma vez dois verões (2002), primeiro longa-metragem do cineasta gaúcho Jorge Furtado, com foco nas cidades de Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo. Partindo da História Social do Cinema e de contribuições de Alexandre Busko Valim, compreendemos o filme não apenas como narrativa audiovisual, mas como produto inserido em um circuito comunicacional de produção, distribuição e recepção, cuja socialização também revela aspectos do contexto histórico e cultural em que foi concebido. O longa, ambientado em grande parte na praia do Cassino, tradicional destino da classe média porto-alegrense, e em cenas na capital gaúcha, constrói um enredo marcado por elementos regionais e dinâmicas sociais específicas daquele circuito. A pesquisa investiga como essa característica regional dialogou com diferentes públicos e críticas, especialmente diante da coincidência de sua estreia com Cidade de Deus (2002), outro marco do cinema nacional, amplamente favorecido pelo circuito comercial. Utilizando críticas de imprensa, dados de exibição e materiais de divulgação, buscamos compreender quais tensões e hierarquias culturais emergiram dessa simultaneidade, e em que medida a recepção — e possível marginalização — de Houve uma vez dois verões expressa disputas simbólicas no mercado cinematográfico brasileiro do início dos anos 2000. 

  • Palavras-chave
  • Houve uma vez dois verões, História Social do Cinema, Cinema Regional.
  • Área Temática
  • Cultura pop, produção historiográfica e as suas múltiplas linguagens e expressões artísticas
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Promovido pelo CUME – Laboratório de Pesquisa Interdisciplinar de Pesquisa em Cultura e Memória (Unifesp/USP) e com apoio do LabhPac e da Rede Brasileira de História Pública (RBHP), o Seminário de Pesquisa Cultura Pop e Ação Historiadora constitui-se como espaço para reflexões provocativas sobre a relação entre a cultura pop e a história: como objeto de análise da comunidade historiadora, como campo de observação (com conjuntos de fontes específicos, capazes de fornecer materiais e suscitar interpretações para diversas perspectivas de estudo histórico) e como linguagem (enquanto recurso de comunicação da pesquisa histórica e de desenvolvimento de práticas participativas de investigação, em diálogo com a história pública).

O evento parte do entendimento da cultura pop – em suas múltiplas e por vezes conflitantes elaborações conceituais – como um elemento estruturante da contemporaneidade. Busca-se, a partir dele, construir espaços de diálogo, reflexão, trocas e compartilhamentos de experiência que permitam despertar uma reflexão coletiva acerca de como a comunidade historiadora pode se aproximar, tensionar e problematizar seus produtos, sujeitos, relações e produções – e como ela, de fato, tem feito isso. Assume-se, de saída, a relevância da cultura pop como um elemento que produz identificações, subjetividades, memórias, relatos (auto)biográficos e representações que informam sobre as relações entre o individual e o coletivo, sujeito e nação, mercado e Estado, academia e sociedade, transitando entre esses pólos e suas nuances.

  • Fontes, memórias, arquivos e objetos da cultura pop no tempo presente
  • Cultura pop, produção historiográfica e as suas múltiplas linguagens e expressões artísticas
  • Interpelações entre cultura pop, identidades e interseccionalidades na construção das subjetividades contemporâneas
  • Narrativas midiáticas, fandoms e redes sociais como espaços de produção de memória

Comissão Organizadora

Ricardo Santhiago
Igor Lemos Moreira

Comissão Científica

Carlos Eduardo Pereira de Oliveira (CUME)

Carolina Amaral Aguiar (USP)

Daisy Perelmutter (CUME)

Fábio Feltrin de Souza (UFPR)

Ivan Lima Gomes (UFG)

João Júlio Gomes dos Santos Júnior (Udesc)

Livia Morais Garcia Lima (CUME/Unesp)