Tensões no palco principal: o projeto do Latin Grammy e os embates com a comunidade cubana exilada

  • Autor
  • Igor Lemos Moreira
  • Resumo
  • Criado em 2000, o Latin Grammy rapidamente se firmou como um espaço central para a afirmação da cultura latina no cenário mainstream, marcado por intensas disputas em torno das identidades representadas. Nos primeiros anos, músicos e empresários cubanos exilados emergiram como protagonistas das tensões, refletindo não apenas conflitos culturais, mas também a competição entre polos da indústria fonográfica localizados em Miami e Los Angeles, que desde os anos 1980 disputam o título simbólico de “capital da Latin Culture” nos EUA. Além disso, as diferentes situações migratórias dos grupos envolvidos – cubanos com vistos de refúgio privilegiados, porto-riquenhos em condição de protetorado, mexicanos e dominicanos sob forte estigma migratório – contribuíram para as tensões presentes na premiação. Este estudo analisa as três primeiras edições do Latin Grammy, com foco na atuação do casal Emilio e Gloria Estefan, líderes da Latin Pop Music e porta-vozes da comunidade latina nos EUA, que tiveram papel central nas controvérsias em torno da escolha da sede do evento e do uso da cerimônia como palco de manifestações anticastristas. Defende-se que, mais do que uma celebração de uma identidade latina unificada, o Latin Grammy funcionou como um espaço de disputa e construção contínua dessa identidade, na qual os Estefan foram figuras-chave para expressar as tensões da comunidade cubana exilada.

  • Palavras-chave
  • Latin Grammy, Gloria e Emilio Estefan, Latinidade, Comunidade cubana exilada, Latin Music.
  • Área Temática
  • Cultura pop, produção historiográfica e as suas múltiplas linguagens e expressões artísticas
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Promovido pelo CUME – Laboratório de Pesquisa Interdisciplinar de Pesquisa em Cultura e Memória (Unifesp/USP) e com apoio do LabhPac e da Rede Brasileira de História Pública (RBHP), o Seminário de Pesquisa Cultura Pop e Ação Historiadora constitui-se como espaço para reflexões provocativas sobre a relação entre a cultura pop e a história: como objeto de análise da comunidade historiadora, como campo de observação (com conjuntos de fontes específicos, capazes de fornecer materiais e suscitar interpretações para diversas perspectivas de estudo histórico) e como linguagem (enquanto recurso de comunicação da pesquisa histórica e de desenvolvimento de práticas participativas de investigação, em diálogo com a história pública).

O evento parte do entendimento da cultura pop – em suas múltiplas e por vezes conflitantes elaborações conceituais – como um elemento estruturante da contemporaneidade. Busca-se, a partir dele, construir espaços de diálogo, reflexão, trocas e compartilhamentos de experiência que permitam despertar uma reflexão coletiva acerca de como a comunidade historiadora pode se aproximar, tensionar e problematizar seus produtos, sujeitos, relações e produções – e como ela, de fato, tem feito isso. Assume-se, de saída, a relevância da cultura pop como um elemento que produz identificações, subjetividades, memórias, relatos (auto)biográficos e representações que informam sobre as relações entre o individual e o coletivo, sujeito e nação, mercado e Estado, academia e sociedade, transitando entre esses pólos e suas nuances.

  • Fontes, memórias, arquivos e objetos da cultura pop no tempo presente
  • Cultura pop, produção historiográfica e as suas múltiplas linguagens e expressões artísticas
  • Interpelações entre cultura pop, identidades e interseccionalidades na construção das subjetividades contemporâneas
  • Narrativas midiáticas, fandoms e redes sociais como espaços de produção de memória

Comissão Organizadora

Ricardo Santhiago
Igor Lemos Moreira

Comissão Científica

Carlos Eduardo Pereira de Oliveira (CUME)

Carolina Amaral Aguiar (USP)

Daisy Perelmutter (CUME)

Fábio Feltrin de Souza (UFPR)

Ivan Lima Gomes (UFG)

João Júlio Gomes dos Santos Júnior (Udesc)

Livia Morais Garcia Lima (CUME/Unesp)