Este ensaio analisa como projetos editoriais de oralidade ampliam o estatuto metodológico da História Oral ao criar dispositivos de escuta e espaços de pertencimento em contextos de descontinuidades sociais. Argumenta-se que essas iniciativas, desenvolvidas em ambientes institucionais e não institucionais, consolidam formas não hegemônicas de produção historiográfica, articulando memória, tecnologia e participação social. O percurso metodológico fundamenta-se na História Oral e nos estudos autobiográficos, considerando a construção das fontes orais para além de seu estatuto documental. Com este estudo, contribui-se para compreender os projetos editoriais como dispositivos que operam nas fronteiras epistêmicas da História Oral e da História Pública, reafirmando a escuta como categoria central para a construção de uma historiografia plural e comprometida com a justiça social.
Promovido pelo CUME – Laboratório de Pesquisa Interdisciplinar de Pesquisa em Cultura e Memória (Unifesp/USP) e com apoio do LabhPac e da Rede Brasileira de História Pública (RBHP), o Seminário de Pesquisa Cultura Pop e Ação Historiadora constitui-se como espaço para reflexões provocativas sobre a relação entre a cultura pop e a história: como objeto de análise da comunidade historiadora, como campo de observação (com conjuntos de fontes específicos, capazes de fornecer materiais e suscitar interpretações para diversas perspectivas de estudo histórico) e como linguagem (enquanto recurso de comunicação da pesquisa histórica e de desenvolvimento de práticas participativas de investigação, em diálogo com a história pública).
O evento parte do entendimento da cultura pop – em suas múltiplas e por vezes conflitantes elaborações conceituais – como um elemento estruturante da contemporaneidade. Busca-se, a partir dele, construir espaços de diálogo, reflexão, trocas e compartilhamentos de experiência que permitam despertar uma reflexão coletiva acerca de como a comunidade historiadora pode se aproximar, tensionar e problematizar seus produtos, sujeitos, relações e produções – e como ela, de fato, tem feito isso. Assume-se, de saída, a relevância da cultura pop como um elemento que produz identificações, subjetividades, memórias, relatos (auto)biográficos e representações que informam sobre as relações entre o individual e o coletivo, sujeito e nação, mercado e Estado, academia e sociedade, transitando entre esses pólos e suas nuances.
Comissão Organizadora
Ricardo Santhiago
Igor Lemos Moreira
Comissão Científica
Carlos Eduardo Pereira de Oliveira (CUME)
Carolina Amaral Aguiar (USP)
Daisy Perelmutter (CUME)
Fábio Feltrin de Souza (UFPR)
Ivan Lima Gomes (UFG)
João Júlio Gomes dos Santos Júnior (Udesc)
Livia Morais Garcia Lima (CUME/Unesp)