A escola pode ser apropriada a partir de inúmeros significados por jovens alunos de todas as séries. Ao passo que é lugar formativo e de sociabilidades, podemos esbarrar em situações pontuais ou mesmo dinâmicas violentas. É trabalho cotidiano produzir a escola que queremos e isso não acontece ao largo de disputas. Discutir racismo na escola é produzir presença e permanência de alunos na educação básica, produzir direitos, compromissos e posturas que também são políticas. Apresentamos aqui reflexões da realização do evento sobre a Consciência Negra na escola. Os debates sobre questões étnico-raciais estão presentes nos mais diversos conteúdos de História ao longo de todo o ano letivo, o que contribui para que os estudantes construam uma perspectiva crítica de conhecimento histórico. Para a realização do evento, que acontece partindo de formação constante, os professores de história escolheram temas de acordo com discussões que surgiram em sala de aula ao longo do ano, buscando afinidades entre temas e turmas, entre as quais os próprios alunos decidiram o que gostariam de falar e escreveram sobre isso. Os textos foram avaliados, receberam contribuição docente e os alunos puderam apresentar seu trabalho para a comunidade escolar reunida na quadra da escola. Entre nossos objetivos, destacamos os de promover a educação democrática e antirracista na escola pública e compreender a sociedade a partir de um conhecimento histórico articulado com o Direito à História. A elaboração coletiva constrói posturas e conhecimentos novos. O evento é encarado por alguns alunos como compromisso político e pessoal. Nos dizeres de Raphael: “fui voluntário no evento em dois anos e, particularmente, encaro como um dever essa participação apresentando. É importante também como uma forma de compartilhar com os colegas não apenas o resultado do nosso trabalho, mas também é um momento em que estabelecemos diálogo com toda a comunidade escolar [...] Antes de aceitar participar da apresentação, pensei mais de uma vez, lembrei das vezes em que eu não tive nenhuma referência negra para me sentir seguro e decidi que gostaria de ser a referência”. A realização anual do evento tem apontado efeitos no modo como os alunos tratam do tema. Construímos um espaço em que perspectivas de diversos alunos são acolhidas, problematizadas e aguçadas, conferindo outros sentidos à educação com encontros e articulação de saberes, fazendo da sala de aula não uma realidade paralela e monolítica, mas sim permeada de conflitos pois a realidade e a história também são conflituosas.
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