Este resumo tem como objetivo relatar uma experiência pedagógica vivenciada no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), desenvolvida em uma escola pública de Blumenau-SC, envolvendo o uso do karatê como recurso metodológico para o ensino de conteúdos da educação integral. A proposta surgiu a partir de uma necessidade identificada durante o acompanhamento das aulas de Educação Física: a baixa participação e o desinteresse dos alunos nas atividades corporais. A metodologia utilizada foi a observação participante, complementada por registros em diário de campo, que possibilitaram o acompanhamento sistemático das reações, interações e engajamento dos alunos ao longo das intervenções pedagógicas. As atividades foram planejadas de forma colaborativa entre a pibidiana e os professores supervisores, buscando integrar princípios e valores do karatê — como disciplina, respeito, autocontrole e trabalho em equipe — com os objetivos pedagógicos da escola. As intervenções consistiram em dinâmicas que utilizaram elementos básicos da modalidade (kihon), exercícios de foco e atenção, atividades cooperativas e rodas de conversa sobre valores socioemocionais. A análise dos dados foi realizada por meio de relatos reflexivos registrados ao final de cada intervenção e pela análise qualitativa das mudanças percebidas no comportamento dos alunos, considerando critérios como participação, disciplina e qualidade das interações sociais. Os principais resultados indicaram um aumento significativo no envolvimento dos alunos nas aulas, melhorias nos aspectos disciplinares e maior valorização do diálogo e da escuta entre os estudantes. Observou-se também que os alunos inicialmente identificados como mais resistentes às atividades escolares foram os que demonstraram maiores avanços em aspectos comportamentais e de socialização. Do ponto de vista formativo, a experiência proporcionou à pibidiana o desenvolvimento de competências relacionadas à mediação pedagógica, à capacidade de adaptação e à articulação entre teoria e prática docente. Conclui-se que a utilização de práticas corporais como o karatê pode ser uma estratégia eficaz para potencializar o desenvolvimento integral dos alunos, promovendo aprendizagens significativas e fortalecendo os vínculos entre escola, corpo e movimento.
O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).
O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.
Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):
A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].
Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.
No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.
O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.
A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.
E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.
Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?
Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:
- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.
- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.
- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.
- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.
- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.
Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!
Simone Riske-Koch e Nathan Camilo
Primavera de 2025.
[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.
Comissão Organizadora
Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Tiago Pereira
Comissão Científica
Adolfo Ramos Lamar
Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
Carla Carvalho
Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Cyntia Bailer
Daniela Tomio
Denis Augusto de Camargo
Elcio Schuhmacher
Êmili Adriana Stiz
Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
Graziela Alves
Juliana de Mello Moraes
Julianne de Deus Corrêa Pietzak
Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
Lucas Schlueter
Luciana Butzke
Marta Helena Cúrio de Caetano
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Rosângela de Amorim Teixeira de Oliveira
Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Thiago Uliano
Tiago Pereira
Vanessa Krueger
Víctor César da Silva Nunes
Walmir Marcolino Gomes
Simone Riske Koch - srkoch@furb.br
Nathan Camilo - ncamilo@furb.br