RELATO DE VIVÊNCIAS NA EDUCAÇÃO BÁSICA ENSINANDO MÚSICA AFRO AMERICANA

  • Autor
  • MIguel Angelo Leite
  • Co-autores
  • Léo Alamar
  • Resumo
  • Este resumo trata da atuação docente de dois bolsistas do Programa PIBID, subprojeto de Música, na Escola Pastor Faulhaber. Os bolsistas atuam em uma turma de 8º ano do Ensino Fundamental, contando com a supervisão do professor de Artes, formado na área de Música. Assim, a partir de um mapeamento dos gostos musicais dos estudantes, percebeu-se que que um gênero de música afro-americana predominava, o Rap, sendo então tomado como objeto de estudo. Então criou-se um projeto, ainda em andamento, que busca explorar mais aprofundadamente o gênero Rap, com intuito de compreender suas características, bem como relacioná-las com outros gêneros de música afro-americana, como por exemplo o Jazz e o Blues. No contexto de uma educação musical contemporânea, o ato de trabalhar temas como esse, passa por atividades inicialmente de escuta, indo para além do aspecto sonoro por si só, mas também estimulando o diálogo crítico-analítico, o que capacita os alunos a entenderem a música como uma forma de expressão intelectual e de emoções. Assim, ouviram-se canções de artistas como Emicida, Fábio Brazza e Edi Rock, destacando características musicais do gênero Rap, como a presença do beat, do flow, da métrica e da punch line. Após a escuta musical contemplativa e reflexiva, foi realizado o que se chama de escuta ativa, a partir de proposições pedagógicas em música. Nesse sentido, atividades práticas de percussão corporal, acompanhamento a pulsação e jogos de palmas acompanhando o ritmo das faixas se mostraram eficientes. Essas atividades desenvolvem aspectos de coordenação motora, deixam o momento da aula mais dinâmico criando até mesmo uma conexão entre educador e educando que faz da aula um momento de enriquecimento cultural e intelectual para ambos. Após a realização das aulas, se percebeu que os estudantes do 8º ano desenvolveram uma escuta mais apurada do gênero Rap. Foi possível inclusive apresentar outros gêneros musicais afro-americanos como o Jazz e o Blues, a fim de promover uma ampliação do gosto e do repertório musical. Criou-se um ambiente de fomento da música como arte, e também, é claro, uma introdução ao mundo da música por meio de práticas que são essenciais para o contexto de uma aula de música contemporânea. Por fim, os professores pibidianos entendem a oportunidade de realização das aulas como uma experiência muito rica, cheia de desafios e de aprendizados. Fica em questão o ser educador, mas também o ser músico nesse contexto, ampliando a percepção do objeto música, tendo novos momentos de apreciação, fortalecendo a formação acadêmica, artística e cultural de todos os envolvidos.

  • Palavras-chave
  • Afro, Música, Jazz e Educação
  • Área Temática
  • Ensino Fundamental - Anos Finais
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O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).

O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.

Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):

A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].

Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.

No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.

O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.

A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.

E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.

Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?

Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:

- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.

- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.

- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.

- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.

- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.

Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!

 

Simone Riske-Koch e Nathan Camilo

Primavera de 2025.


[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.

  • Educação Infantil e Ensino Fundamental - Anos Iniciais
  • Ensino Fundamental - Anos Finais
  • Ensino Médio
  • Educação Especial e Modalidades de Ensino
  • Políticas, Currículos e Formação Docente

Comissão Organizadora

Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Tiago Pereira

Comissão Científica

Adolfo Ramos Lamar
Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
Carla Carvalho
Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Cyntia Bailer
Daniela Tomio
Denis Augusto de Camargo
Elcio Schuhmacher
Êmili Adriana Stiz
Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
Graziela Alves
Juliana de Mello Moraes
Julianne de Deus Corrêa Pietzak
Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
Lucas Schlueter
Luciana Butzke
Marta Helena Cúrio de Caetano
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Rosângela de Amorim Teixeira de Oliveira
Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Thiago Uliano
Tiago Pereira
Vanessa Krueger
Víctor César da Silva Nunes
Walmir Marcolino Gomes

Simone Riske Koch - srkoch@furb.br

Nathan Camilo - ncamilo@furb.br