Este texto expõe uma série de práticas processuais, pensadas para o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), interdisciplinar Letras-Teatro, com foco em Formação literária e cultural; para uma turma de 8º ano de uma Escola de Educação Básica do município de Blumenau, se entrelaçando entre áreas do conhecimento artístico, como: Literatura, Performance e Teatro. Os estudantes, licenciandos em Teatro, estão em projeto de PIBID sob supervisão de uma professora de Língua Portuguesa. Nas primeiras relações estabelecidas com o coletivo estudantes-professora, percebemos cenários de fragilidades, então optamos por experienciar a literatura, a partir de suas vivências. Temos como objetivo discutir as vivências dos estudantes por meio de práticas tetrais e registra-las em forma de Livro de Artista. Neste sentido recorremos às práticas do Teatro do Oprimido, idealizadas por Augusto Boal (1970), dialogando com as realidades dos participantes (espec-atores) de forma teatral, abrindo possibilidades para debates das pautas levantadas por eles. Optamos por registrar os possíveis debates revelados nas cenas mostradas pelo coletivo, por meio de Livros de Artistas, que de acordo com Baschirotto (2016), é a produção materializada dos processos criativos, onde as falas, ideias, pensamentos e realidades dos artistas (estudantes) ganham um corpo físico. Os livros de artista se apresentam em diversas categorias, selecionamos: Livro Poema e Objeto; pois nos levaria para a materialização do poético, no espaço tátil e visual; encerramos esse conjunto de práticas com uma arte performática chamada Parangolés, concebido por Hélio Oiticica (1960), que nos trás uma manifestação artística “anti-arte”, realizada por pessoas que vinham de diversos contextos, muitos deles marginalizados. Essa linha de performance materializa discursos políticos, veste e proclamá. Tanto Boal quanto Oiticica concebem a arte como um campo de transformação, que deve ser vivida, encarnada e partilhada, resultando na ruptura com os paradigmas tradicionais da arte e do teatro. Para os momentos de debates do percurso, buscamos suporte em textos literários, para apliar seus repertórios e formar um olhar sensivel para fazer leitura de si e do mundo. Com a turma, estabelecemos uma consciência de coletividade, respeito e segurança para que pudéssemos abordar os temas levantados. Nas atividades já realizadas pela turma,percebemos a sensibilidade dos estudantes, para, através de imagens e textos, compreender signos que nos falam de tipos de agressão ao ser humano, pauta que surgiu no coletivo. Quanto resultados: O envolvimento dos alunos na proposta, a percepção dos estudantes quanto aos atravessamentos interdisciplinares entre Teatro e Literatura, e a disponibilidade para materializar suas leituras de mundo por meio do Livro de Artista. Com o projeto ainda em percurso, concluimo pelas nossas observações que projetos interdisciplinares oportunizam modos diferenciados de ensino aprendizado, sendo um diferencial para o percurso dos estudantes envolvidos no PIBID, e sobretudo para a formação docente.
O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).
O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.
Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):
A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].
Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.
No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.
O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.
A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.
E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.
Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?
Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:
- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.
- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.
- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.
- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.
- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.
Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!
Simone Riske-Koch e Nathan Camilo
Primavera de 2025.
[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.
Comissão Organizadora
Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Tiago Pereira
Comissão Científica
Adolfo Ramos Lamar
Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
Carla Carvalho
Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Cyntia Bailer
Daniela Tomio
Denis Augusto de Camargo
Elcio Schuhmacher
Êmili Adriana Stiz
Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
Graziela Alves
Juliana de Mello Moraes
Julianne de Deus Corrêa Pietzak
Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
Lucas Schlueter
Luciana Butzke
Marta Helena Cúrio de Caetano
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Rosângela de Amorim Teixeira de Oliveira
Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Thiago Uliano
Tiago Pereira
Vanessa Krueger
Víctor César da Silva Nunes
Walmir Marcolino Gomes
Simone Riske Koch - srkoch@furb.br
Nathan Camilo - ncamilo@furb.br