A contribuição da literatura “Aporofobia” no ambiente escolar: reflexões a partir de uma proposta do PIBID

  • Autor
  • Vitor Antonio Bruckmann
  • Co-autores
  • Aura Boreal Maciel Hertel , Camila Adiers Korb , Sara Emanuele Henschel , Giovana Montibeller , Carla Juliana Zuchi , Isabela C. D. Girardi , Karin Tyeko Anami
  • Resumo
  •  

    Este trabalho foi desenvolvido pelo Subprojeto Interdisciplinar, envolvendo cursos de Letras, Educação Especial, Pedagogia e Dança, na Biblioteca Escolar da Escola Básica Municipal Profª Adelaide Starke, Blumenau-SC, por meio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID). As escolas da Rede Municipal de Ensino de Blumenau são contempladas pelo Programa de Leitura e Pesquisa, que garante profissionais para desenvolver propostas articulando leitura e pesquisa nas Bibliotecas Escolares. Neste contexto, objetivou-se desenvolver a reflexão sobre aporofobia e seus impactos por meio da literatura “Aporofobia: você não conhece a palavra, mas conhece o sentimento”, de Blandina Franco e José Carlos Lollo, uma vez que este espaço favorece a discussão sobre diversidade, empatia e solidariedade. Tem-se como referencial teórico Solé (1998), que contribui com as estratégias de leitura utilizadas na mediação literária; Adela Cortina (2020), no que se refere a compreensão do termo “aporofobia”; e Ben Quinn (2014), no entendimento do conceito de “arquitetura hostil”. A metodologia, baseada nas estratégias de leitura de Solé (1998), envolveu ações antes da leitura, com a exposição de painel provocativo com imagens de arquitetura hostil, acompanhado da provocação “O que você vê?”, além de cartaz com palavras que aparecem no livro e que fazem referência aos moradores de rua. Ainda antes da leitura, encorajou-se os estudantes a relacionarem as imagens expostas com as palavras do cartaz e apresentou-se a obra, explorando título, autor, ilustrador e editora. As ações durante a leitura envolveram a leitura do texto verbal da obra pelos acadêmicos bolsistas e a leitura do texto não verbal (ilustrações) pelos estudantes. Por fim, as ações depois da leitura envolveram discussões orientadas sobre sentimentos e percepções sobre a obra lida, complementadas por um vídeo organizado por assistentes sociais da FURB abordando o trabalho realizado por estes profissionais com os moradores de rua, e uma conversa sobre os conceitos de aporofobia e arquitetura hostil. A prática aqui descrita culminou na organização de uma “Árvore da Empatia", na qual cada estudante escreveu uma mensagem destinada às pessoas em situação de rua. Percebeu-se forte engajamento dos estudantes, demonstrando sensibilidade, empatia e capacidade crítica com relação ao tema trabalhado. Pode-se concluir que a atividade proporcionou uma aprendizagem significativa, ampliando a consciência social dos estudantes e estimulando práticas pautadas na empatia, no respeito e na valorização do outro como estratégia de enfrentamento às desigualdades sociais. Para os bolsistas do subprojeto, o trabalho contribuiu de forma significativa à formação inicial, pois os permitiu planejar, praticar, refletir e ressignificar caminhos de como abordar temas sensíveis em sala de aula. Como vivência pedagógica, a prática evidenciou reflexões acerca da atuação de uma Biblioteca Escolar, ambiente fundamental para incentivo à leitura, literatura e cultura escrita, além de contribuir para a formação cidadã dos estudantes.

  • Palavras-chave
  • Mediação de leitura; aporofobia; arquitetura hostil; educação básica.
  • Área Temática
  • Educação Infantil e Ensino Fundamental - Anos Iniciais
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O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).

O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.

Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):

A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].

Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.

No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.

O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.

A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.

E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.

Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?

Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:

- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.

- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.

- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.

- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.

- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.

Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!

 

Simone Riske-Koch e Nathan Camilo

Primavera de 2025.


[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.

  • Educação Infantil e Ensino Fundamental - Anos Iniciais
  • Ensino Fundamental - Anos Finais
  • Ensino Médio
  • Educação Especial e Modalidades de Ensino
  • Políticas, Currículos e Formação Docente

Comissão Organizadora

Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Tiago Pereira

Comissão Científica

Adolfo Ramos Lamar
Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
Carla Carvalho
Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
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Daniela Tomio
Denis Augusto de Camargo
Elcio Schuhmacher
Êmili Adriana Stiz
Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
Graziela Alves
Juliana de Mello Moraes
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Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
Lucas Schlueter
Luciana Butzke
Marta Helena Cúrio de Caetano
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Rosângela de Amorim Teixeira de Oliveira
Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Thiago Uliano
Tiago Pereira
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Víctor César da Silva Nunes
Walmir Marcolino Gomes

Simone Riske Koch - srkoch@furb.br

Nathan Camilo - ncamilo@furb.br